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	<title>Hollywoodiano: Cinema em alta definição &#187; Blu-Ray/DVD</title>
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		<title>Em Blu-Ray/DVD: &#8220;O Livro de Eli&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jul 2010 06:25:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma pequena grande ficção científica, que merece ser (re)descoberta]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/quatroestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-4029" title="Eli" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/07/Eli.jpg" alt="Eli" width="600" height="300" /><br />
Incrível como nos dias de hoje um filme como <strong><em>O Livro de Eli</em></strong> (<em>The Book of Eli</em>, 2010) já merece elogios por ter saído de um (bom e criativo) roteiro original. Não é <em>remake</em>, continuação, <em>prequel</em> nem mesmo o já comum &#8220;começar de novo&#8221;. Sim, tem elementos de diversos filmes, mas <em>O Livro de Eli</em> nasceu de roteiro original, algo quase extinto no cinemão, como muitas coisas no cenário futurista deste filme dos irmãos Albert e Allen Hughes (<em>Do Inferno</em>). Algo valioso que seria disputado até a morte pelos personagens de <em>O Livro de Eli</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">É o típico filme que será massacrado por espectadores que almoçam <em>High School Musical</em> e jantam <em>Crepúsculo</em>, afinal começa e é desenvolvido sem muitas informações sobre seus personagens e o cenário em que vivem. Se passa no futuro, mas o que importa é o presente. O que importa é a jornada de Eli (Denzel Washington). Não para onde ele vai. Muito menos sobre de onde ele veio. E como. Entendeu o quero dizer? <em>O Livro de Eli</em> vai gerar muitas perguntas. Acredite: a missão e a história de Eli serão discutidas por muito tempo. É um filme que não termina com o &#8220;The End&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Em um futuro devastado pela guerra do homem contra o homem, conhecemos Eli, numa narrativa construída com silêncio, poucos diálogos e muitas imagens concentradas em estradas vazias, pontes destruídas, ar seco e poluído &#8211; tudo com uma fotografia meio azulada, meio cinzenta, dando a impressão de que temos uma única e nova cor dando o tom do cenário que restou. Uma cor que só pode ser vista por quem sobreviveu ao juízo final. Durante 30 anos, Eli caminha rumo ao horizonte para entregar seu livro a quem estiver lá. Uma hora aqui e outra ali, o herói tem sua jornada interrompida por escórias como canibais e ladrões. Dono de uma habilidade absurda que o torna praticamente imbatível nas lutas, Eli perde apenas alguns segundos cortando membros dos inimigos que ousam cruzar seu caminho. E ele logo segue viagem. Perto de seu destino, Eli terá mais uma prova de fogo: escapar das garras de Carnegie (Gary Oldman), espécie de xerife de um vilarejo que lembra um cenário imundo de um faroeste de Sergio Leone. Carnegie, o xerife, quer o livro de Eli, o forasteiro. E nada mais posso contar.</p>
<p style="text-align: justify;">Deveria ser proibido entregar os segredos de um filme como este ao público. Não que ele dependa de uma reviravolta final, algo que virou cacoete em Hollywood desde <em>O Sexto Sentido</em>. E ela existe. De forma sutil, que jamais modifica o filme que você acabou de ver. Mas ela existe. <em>O Livro de Eli </em>termina e seu final faz com que qualquer um tenha vontade de revê-lo. É quase que uma obrigação. Admito que me senti cego com esse final. É como se tudo estivesse ali, bem na minha frente, e eu fosse incapaz de enxergar não uma, mas talvez duas versões diferentes. Não há trapaças, nem pistas falsas. Nada disso. Há somente o excepcional roteiro de Gary Whitta e a direção primorosa dos irmãos Hughes, que nos levam direto ao final, que gera uma nova e intrigante discussão, jogando o filme em outra dimensão.</p>
<p style="text-align: justify;">Você viu vários filmes com cenários pós-apocalípticos, como <em>Mad Max</em> por exemplo. Mas talvez não haja outro, além de <em>Blade Runner</em>, que possa sobreviver ao tempo de maneira tão merecida. No fim, existe o meu <em>O Livro de Eli</em> e há o seu <em>O Livro de Eli</em>. Não estou dizendo que é mais um daqueles filmes que explicam coisa alguma graças aos delírios de um diretor chapado. <em>O Livro de Eli</em> se concentra no aqui e agora. Parece que é um filme com começo, meio e fim, mas ele jamais termina na mente do espectador. Juntar as peças se torna algo prazeroso.</p>
<p style="text-align: justify;">É uma pena que o público atual, em sua maioria, goste de ter o filme mastigadinho à sua frente. Mas <em>O Livro de Eli</em> é cinema de entretenimento feito por quem entende a história da sétima arte. Os irmãos Hughes sabem que a experiência de ver um filme não acaba quando as luzes acendem. O filme precisa ir para casa com o espectador e crescer em sua mente. Seja um produto de Hollywood ou não. <em>O Livro de Eli</em> diverte, mas vai te fazer pensar. Não só a respeito dos mistérios em torno do passado do protagonista, suas ações e seus motivos. <em>O Livro de Eli</em> faz pensar sobre a situação do mundo de hoje, incluindo nosso papel dentro da sociedade, assim como lidamos com as nossas crenças e a reação que temos diante da fé e das opiniões dos outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, faz pensar em nossos conhecimentos sobre cinema, já que temos um festival de referências que vão desde o faroeste aos grandes clássicos da ficção científica. Pensamos também na técnica, no modo de fazer cinema, afinal uma das curiosidades está nas belas cenas de luta, feitas praticamente numa tacada só, sem aqueles malditos cortes de dois em dois segundos, deixando a ação &#8211; e talvez o filme inteiro &#8211; com cara de videoclipe. Bem dirigido, escrito, fotografado, e interpretado com a competência habitual de Denzel Washington e Gary Oldman &#8211; elogios também devem ser direcionados às belas Mila Kunis e Jennifer Beals -, O<em> Livro de Eli</em> é um filme que merece ser (re)descoberto.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O Livro de Eli </strong></em>(<em>The Book of Eli</em>, 2010)<br />
<strong>Direção:</strong> Allen Hughes e Albert Hughes<br />
<strong>Roteiro:</strong> Gary Whitta<br />
<strong>Elenco: </strong>Denzel Washington, Gary Oldman, Mila Kunis, Ray Stevenson, Jennifer Beals, Evan Jones, Joe Pingue, Frances de la Tour e Michael Gambon</p>
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		<title>Maradona por Kusturica</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Jul 2010 14:04:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Como diz o próprio cineasta, “Se não tivesse jogado futebol, Maradona teria sido um revolucionário.”]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/trsestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3915" title="Maradona By Kusturica" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/07/Maradona-By-Kusturica.jpg" alt="Maradona By Kusturica" width="600" height="300" /><br />
Para o Brasil &#8211; e grande parte do mundo - Pelé é o “Rei do Futebol”. Mas Édson Arantes do Nascimento, o homem de carne e osso, não é unanimidade na boca do povo. Na Argentina, Maradona não é “apenas” o melhor jogador de todos os tempos. Perfeito ou não como homem, e não mito, ele é simplesmente Deus. Lá, alguns fãs do jogador chegaram ao cúmulo de cultuá-lo na chamada “Igreja Maradoniana”, que promove até mesmo cerimônias de casamento dentro das quatro linhas do gramado.</p>
<p style="text-align: justify;">O documentário do cineasta bósnio Emir Kusturica, no entanto, não segue o óbvio, tentando desvendar o homem por trás do mito. Trata-se da visão do diretor compreendendo a adoração argentina: Diego Armando Maradona é apenas um. O que se vê ao redor do ídolo – do fanatismo exacerbado ao mais simples dos atos realizados por seus admiradores – representa o verdadeiro Maradona. É como a frase de Charles Baudelaire que abre o filme, “Deus é o único Ser que, para reinar, não precisa existir.”</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, Kusturica aproveita o terreno e a figura imortal do ídolo para destilar veneno contra os EUA – na época, de Bush – e a Inglaterra – de Tony Blair. O diretor abre as portas para Maradona elogiar Fidel Castro e criticar os líderes globais, enquanto repete exaustivamente o que ele chama de “O Gol do Século”, com o jogador argentino driblando meio time inglês na Copa de 86. Um golaço que age como uma rajada de balas. Como diz o próprio cineasta, “Se não tivesse jogado futebol, Maradona teria sido um revolucionário.”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Maradona por Kusturica</em></strong> (2008)<br />
<strong>Direção e roteiro:</strong> Emir Kusturica</p>
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		<title>Coração Louco</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 22:16:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<category><![CDATA[scott cooper]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é sobre Bad Blake. É sobre a canção.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/trsestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3825" title="Crazy Heart_2 cópia" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/06/Crazy-Heart_2-cópia.jpg" alt="Crazy Heart_2 cópia" width="600" height="367" /><br />
Bad Blake (Jeff Bridges) é uma lenda da música country. Em sua época de ouro, foi uma das referências do gênero. Hoje, atravessa as estradas americanas, de bar em bar, tocando por uns míseros trocados &#8211; gastos em sua maioria em bebiba - para meia-dúzia de gatos pingados. É um ídolo abandonado pelo homem de carne e osso que não soube lidar com a fama. Seu aprendiz, Tommy Sweet (Colin Farrell), agora faz mais sucesso que o mestre e lidar com essa sensação de esquecimento beira o insuportável para o velho músico. Aos 57 anos, não tem mulher, seu filho não quer saber de sua existência e não tem um centavo no banco. <em><strong>Coração Louco</strong></em> (<em>Crazy Heart</em>, 2009), por incrível que pareça, não é um filme sobre Bad Blake. É um filme sobre a canção <em>The Weary Kind</em>, que ele compõe a pedido de Tommy.</p>
<p style="text-align: justify;">Ok, <em>Coração Louco</em> não deixa de ser um filme sobre Bad Blake. Mas se a música se faz presente em 80% do filme de estreia do diretor Scott Cooper, prefiro abraçar a poesia. Como outras várias, <em>The Weary Kind</em> é uma canção bela, mas triste. Imagino que grandes músicos  tenham criado suas próprias canções com base em boas e más experiências de vida. É fácil ouvir uma música capaz de embalar o romance de casais na mais linda das noites ou aquela canção que acompanha um amargurado com uma garrafa de uísque como única companheira. Mas imagine como essa música saiu da mente de seu compositor. Imagine como ela inspirou sua voz e o violão. Em <em>Coração Louco</em>, acompanhar a queda de Bad Blake não é uma experiência cinematográfica tão grandiosa e inédita quanto chegar ao fim do filme e ficar com a sensação de que acompanhamos bem de perto o processo de criação de mais uma obra-prima de um talentoso artista que andava solitário e silencioso.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3826" title="Crazy Heart_1" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/06/Crazy-Heart_11.jpg" alt="Crazy Heart_1" width="600" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">Imagino também que a maioria dos gênios da música pense numa mulher, para o bem ou para o mal, na hora de compôr uma canção. E a musa inspiradora de Bad Blake é Jean (Maggie Gyllenhall), uma jornalista que se envolve com o cantor e decide segurar a barra para livrá-lo da sarjeta. Maggie é 100% coração. Jeff é 100% loucura. Ambos se completam em suas cenas. Para Bad Blake, <em>The Weary Kind</em> jamais teria existido sem Jean.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, <em>Coração Louco</em> é sobre a canção. Esse ponto de vista parece muito mais interessante para o cinéfilo do que ser um mero espectador da melhor e mais sentimental performance da carreira de Jeff Bridges, um monstro sagrado. Não sei se essa foi a intenção do diretor, mas prefiro ver o filme assim. Até porque perde feio em comparação a outros (bons) exemplos recentes de obras cinematográficas sobre artistas de diferentes áreas (<em>O Lutador</em>, <em>Despedida em Las Vegas</em>) entrando em colapso no mundo atual, real e cruel. Esteticamente, <em>Coração Louco</em> jamais poderia ter utilizado uma fotografia tão <em>clean</em>. Estamos falando de um homem indo ao encontro do fundo do poço. As cenas precisam ser escuras, cinzentas, sujas. Mas se assistirmos a <em>Coração Louco</em> como um filme sobre os bastidores da criação de uma música, a fotografia <em>clean</em> é justificada, afinal estamos falando de uma segunda chance.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Coração Louco</em></strong> (<em>Crazy Heart</em>, 2009)<br />
<strong>Direção e roteiro:</strong> Scott Cooper<br />
<strong>Elenco:</strong> Jeff Bridges, Maggie Gyllenhaal, James Keane, Robert Duvall e Colin Farrell</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Vencedor do Oscar de Melhor Ator (Jeff Bridges) e Melhor Canção (The Weary Kind)</em></strong></p>
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		<title>Alice no País das Maravilhas</title>
		<link>http://www.hollywoodiano.com/2010/04/alice-no-pais-das-maravilhas-2/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Apr 2010 23:25:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<category><![CDATA[tim burton]]></category>

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		<description><![CDATA[O visual é lindo, mas viajar pelo País das Maravilhas não dá mais aquele barato bom]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/duasestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3324" title="Alice 1" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/04/Alice-1.jpg" alt="Alice 1" width="600" height="300" /><br />
A Disney finalmente conseguiu transformar a personagem Alice, criada por Lewis Carroll, em uma de suas princesas guerreiras, como <em>Mulan</em> por exemplo. Com a ajuda da roteirista Linda Woolverton, de <em>A Bela e a Fera</em>, <em>O Rei Leão</em> e&#8230; <em>Mulan</em>, o estúdio achou que poderia alterar uma obra-prima da literatura carregada de sonhos e incertezas abertas a diversas interpretações em uma saga redondinha, de fácil compreensão e cheia de respostas para o público moderninho que se irrita quando coloca o cérebro pra funcionar.</p>
<p>Os livros de Lewis Carroll sobre sua heroína Alice não são infantis e o diretor Tim Burton sabe disso. Não falam sobre uma garota que descobre ser a salvadora da pátria em um mundo espetacular, que foge completamente de sua vidinha normal e sem graça. A Alice original não é Luke Skywalker. Não é Neo nem Harry Potter. Mas livro é livro e filme é filme, certo?</p>
<p style="text-align: justify;">Neste novo <strong><em>Alice no País das Maravilhas</em></strong> (<em>Alice in Wonderland</em>, 2010), a Disney apostou numa reinvenção/continuação para a saga e entregou tudo pronto para Tim Burton dirigir. A intenção foi recriar a clássica história do &#8220;herói de mil faces&#8221;, abordada recentemente em sucessos como <em>Avatar</em> e <em>Como Treinar o Seu Dragão</em>. Mas a história da ascensão do herói não pode ser fria. Precisa ser dominada pela emoção crescente. E este <em>Alice</em> é gelado, vazio.</p>
<p style="text-align: justify;">Há um erro de concepção aqui. Tim Burton tinha tudo a ver com o clássico de Lewis Carroll. Parecia a escolha ideal, afinal seu olhar sombrio, que vê luz na escuridão, combina com o tom surreal do <em>Alice</em> original. E não com uma reinvenção planejada para faturar alto nas bilheterias com uma estrutura narrativa que geralmente conquista grandes plateias. <em>Alice</em> era para causar estranheza e não inspirar sem questionamento. A decepção vem do resultado da equação &#8220;tentativa de Burton se manter fiel ao seu próprio estilo e, ao mesmo tempo, ao espírito de Carroll&#8221; + &#8220;intenções da Disney e sua roteirista Linda Woolverton em nome de uma fórmula hollywoodiana consagrada em faturar alto nas bilheterias.&#8221; Não fica nem lá nem cá. É um filme lindo de se ver, mas dominado por um vazio emocional. Algo comparável à &#8220;bela frieza&#8221; de <em>O Curioso Caso de Benjamin Button</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3323" title="Alice 2" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/04/Alice-2.jpg" alt="Alice 2" width="600" height="300" /><br />
Do lado de Tim Burton, trabalhando para um estúdio que manda e desmanda em seus projetos, podemos perceber a marca visual do cineasta impressa em cada <em>frame</em> deste <em>Alice no País das Maravilhas</em>. Também é evidente notar seus velhos personagens atormentados, mas isso é cortesia de Lewis Carroll. O verdadeiro triunfo de Burton não está somente na tradução das imagens pensadas pelo autor. O diretor de <em>A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça</em>, <em>Sweeney Todd</em> e <em>Edward Mãos de Tesoura</em> consegue imprimir sua assinatura visual mesmo em uma obra já conhecida pelo público há muitos anos. Isso não é pra qualquer um.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, o diretor não consegue controlar a empatia do público com a jornada de sua Alice (Mia Wasikowska). É como se jamais entrássemos no buraco junto com a protagonista. Viajar pelo País das Maravilhas não dá mais aquele barato bom. Somos passivos até a última cena. E a culpa é muito mais da Disney, que estuprou a ideia original de Carroll em nome do dinheiro fácil.</p>
<p style="text-align: justify;">A preocupação com o investimento é tão descarada que Alice chega a virar coadjuvante de Helena Bonham Carter (a Rainha de Copas) e, principalmente, Johnny Depp (o Chapeleiro Maluco). Depp tem falas demais, cenas demais e até uma dancinha patética no final do filme para justificar sua participação. Há também a famosa &#8211; e já clichê &#8211; sequência final de batalha em campo aberto, que encerra nove entre dez filmes de fantasia desde <em>O Senhor dos Anéis</em>. É uma sequência deslocada do universo imaginado por Lewis Carroll, com cara de samba do crioulo doido trocando alhos por bugalhos.</p>
<p style="text-align: justify;">E onde estão as conotações sexuais, assim como as passagens alucinógenas? Ok, a heroína entra no buraco seguindo um coelho logo após fugir de um pedido de casamento; temos várias chaves para suas respectivas fechaduras, sem falar que a protagonista aumenta e diminui  de tamanho constantemente. Mas em matéria de <em>Alice no País das Maravilhas</em>, há um cuidado excessivo e irritante para não causar estranheza nas criancinhas e seus pais conservadores, que sustentam Hollywood, e não conhecem coisa alguma de Lewis Carroll. E o que dizer do 3-D? Temos até mesmo uma cena de voo, que parece inspirada em atração de parque de diversões na época em que quase ninguém havia experimentado um óculos de visão tridimensional numa sala escura só para o público balançar a cabeça pra lá e pra cá e gritar &#8220;OOOOOOO&#8230;&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3322" title="Alice 3" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/04/Alice-3.jpg" alt="Alice 3" width="600" height="300" /><br />
Mas o filme não é um desastre completo. Como em <em>Hook &#8211; A Volta do Capitão Gancho</em>, de Steven Spielberg, Alice cresceu e não se lembra que já esteve neste mundo fantástico. Aos 19 anos, ela é interpretada pela jovem atriz australiana Mia Wasikowska, que faz um belo trabalho. Seu olhar triste, desiludido é fascinante e chama a nossa atenção para que acreditemos em sua Alice, embora a história não ajude. Além dos figurinos, dos efeitos visuais e sonoros, do cenário, da fotografia e da trilha sonora de Danny Elfman, temos uma Helena Bonham Carter perfeita como a Rainha de Copas, a grande vilã do filme.</p>
<p style="text-align: justify;">Só que é pouco para justificar tanta expectativa em torno de um filme caro, feito para nos divertir durante duas horas de nossas preciosas vidas. E Tim Burton pode fazer melhor. Porém, precisa adotar uma postura mais ambiciosa e parar com esse caminho fácil de aproveitar restos. Burton já tem um currículo invejável e acredito que possa fazer o filme que quiser. Deixa de preguiça, cara! Você sabe contar uma história e não pode se contentar apenas com visual. Quanto aos executivos da Disney, espero que a Pixar continue ganhando cada vez mais espaço entre as viúvas de Mickey Mouse. E deixem Lewis Carroll em paz, porque o buraco de <em>Alice </em>é mais embaixo!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Alice no País das Maravilhas</em></strong> (<em>Alice in Wonderland</em>, 2010)<br />
<strong>Direção:</strong> Tim Burton<br />
<strong>Roteiro:</strong> Linda Woolverton (Baseado nos livros de Lewis Carroll)<br />
<strong>Elenco:</strong> Mia Wasikowska, Johnny Depp, Anne Hathaway, Helena Bonham-Carter, Crispin Glover, Alan Rickman, Stephen Fry, Michael Sheen e Timothy Spall</p>
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		<title>Um Sonho Possível</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Apr 2010 02:19:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O filme que deu o Oscar de Melhor Atriz para Sandra Bullock]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/duasestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3272" title="The Blind Side" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/04/The-Blind-Side.jpg" alt="The Blind Side" width="540" height="270" /></p>
<p style="text-align: justify;">Alguns filmes falam a língua do público geral e não existe explicação melhor para justificar seu sucesso. Não importa se o diretor usou e abusou do clichê do clichê do clichê ou se ele poderia ter sido um pouquinho mais ousado. Não importa se os metidos a entendidos, como este que vos escreve, acham que o elenco está apenas correto ou se a história é uma perfeita <em>Sessão da Tarde</em>. O fato é que, de tempos em tempos, filmes como <strong><em>Um Sonho Possível</em></strong> (<em>The Blind Side</em>, 2009) simplesmente&#8230; acontecem. E dão certo.</p>
<p style="text-align: justify;">É o tipo de filme que o crítico adora apedrejar e o público defende até o último fio de cabelo.  Mas, no fim, quem está com a razão? Eu, por exemplo, posso torcer o nariz para essa ou aquela cena em que a música cresce na tela para emocionar a pessoa de coração mole ao meu lado. Quem está bem ali, chorando na poltrona da direita, também não está nem aí pra mim e quer mesmo é chorar até ficar com o rosto inchado. Seria hipocrisia minha dizer que <em>Um Sonho Possível</em> é <em>A Corrente do Bem</em> que deu certo.  Seria redundante de minha parte, acusar o filme de ser apelativo em excesso. Mais do que tudo, seria idiotice afirmar que <em>Um Sonho Possível</em> é mau cinema. Pior: Seria ignorância, admitir que o filme não é cinema.</p>
<p style="text-align: justify;">Quer saber? Quem está certo é o público que busca ser arrebatado dentro de uma sala de cinema. Triste daquele, que como eu, tenta ver <em>Um Sonho Possível</em> com um olhar crítico. Falo daquele espectador que diz que o ator Quinton Aaron, o sem teto Big Mike, é um ator medíocre. Ou que a atuação do menino Jae Head, o caçula da protagonista Leigh Ann Tuohy (Sandra Bullock), é orquestrada sob medida pelo diretor John Lee Hancock, para servir de alívio cômico para provocar uma queda no nível de sacarose do filme em alguns momentos. Triste daquele espectador que diminui a emoção de fácil identificação com o público. Triste daquele que não acredita que qualquer um é capaz de fazer um mundo melhor.</p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que um filme, depois de sua estreia, não pertence mais ao diretor. Deste momento em diante, o filme pertence ao público. Eu não gostei de <em>Um Sonho Possível</em> por motivos que já escancarei acima. Mas quem sou eu para dizer que você está errado? Quem sou eu para dizer tamanha bobagem quando este filme não foi feito para mim? <em>Um Sonho Possível</em> foi feito para aqueles que vão ao cinema atrás de emoção sem nenhuma obrigação com as regras da cartilha do bom cinema. Neste caso, não interessa se a emoção foi sincera ou artificial. Não adianta lutar contra isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Um Sonho Possível</em> é a história real de um jovem negro, que virou astro do futebol americano, graças aos esforços e, principalmente, à compaixão de uma mulher rica e&#8230; branca, que o tira das ruas, dando-lhe casa, comida e roupa lavada, tratando-o como um filho legítimo. Colocando dessa forma, <em>Um Sonho Possível</em> parece mesmo clichê do clichê do clichê. Mas cativa por ser uma história de amor, que peca por sua observação um tanto superficial dos problemas políticos e sociais, em especial o racismo no sul dos EUA, quase inexistente na visão do diretor John Lee Hancock.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas dizer o quê? Sandra Bullock é extremamente carismática e é a guia ideal para a parte do público que ainda acredita na humanidade, que sabe que é preciso fazer o bem, mas não tem coragem de executar ações semelhantes às da protagonista Leigh Ann, mulher durona que comanda a família (e toda a cidade se deixarem). Ela não pode perder a pose para dar o exemplo e justificar sua liderança. Para Leigh Ann, alguém precisa permanecer de pé, firme e forte. Sendo assim, chorar está fora de cogitação. Mesmo sem ser surpreendente ou extraordinária, esta é, sem dúvida, a melhor atuação da carreira de Sandra Bullock, fato que engrandece o filme e suas intenções.</p>
<p style="text-align: justify;">É verdade que <em>Um Sonho Possível </em>fala muito mais com a realidade do público americano que o brasileiro e tantos outros. Mas basta ter um coração totalmente entregue às emoções, sem dar a mínima para a razão, para apreciar este filme. Basta gostar de Sandra Bullock. Queira ou não, cinema também é isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Um Sonho Possível</em></strong> (<em>The Blind Side</em>, 2009)<br />
<strong>Direção e roteiro:</strong> John Lee Hancock<br />
<strong>Elenco:</strong> Sandra Bullock, Tim McGraw, Kathy Bates e Quinton Aaron</p>
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		<title>Ilha do Medo</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Mar 2010 03:35:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Martin Scorsese analisa a mente humana em mais uma obra-prima para sua coleção]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/cincoestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3188" title="Shutter Island 3" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/03/Shutter-Island-3.jpg" alt="Shutter Island 3" width="600" height="265" /></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Ilha do Medo</strong></em> (<em>Shutter Island</em>, 2010) é um dos mais completos estudos cinematográficos já feitos sobre a mente humana. Se é sobre ser normal ou louco, pouco importa. Aliás, volta e meia a questão vem à tona: O que é ser normal? É uma pergunta difícil, afinal cada um tem suas diferenças para se estabelecer um padrão. E como é possível cobrar comportamento exemplar do cidadão quando o Estado lava as mãos?</p>
<p style="text-align: justify;">A verdadeira ilha do medo está em nossas mentes. Quando o indivíduo não aceita ou compreende o mundo real e violento como ele é, onde cada um pensa em si próprio, a saída mais fácil é a imaginação. Ao se entregar aos sonhos que escondem os pesadelos, não há mais para onde fugir de uma prisão que coloca raciocínios, decisões e atitudes numa linha invisível que separa a sanidade da loucura. De acordo com os olhos do &#8220;louco&#8221;, só existe a realidade, que, por sua vez, não pode ser vista pelas pessoas consideradas normais pela sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">O falso e o verdadeiro. A realidade e a ficção são temas de diversos filmes, incluindo muitos dos atuais. E o cinema de Martin Scorsese costuma analisar essa dualidade do ser humano, que inevitavelmente perde sua identidade. Foi assim com o Travis Bickle (Robert De Niro), de <em>Taxi Driver</em>, com o Jake LaMotta (De Niro), de <em>Touro Indomável</em>, o Howard Hughes (Leonardo DiCaprio), de <em>O Aviador</em>, o Frank Pierce (Nicolas Cage), de <em>Vivendo no Limite</em>, o Paul Hackett (Griffin Dunne), de <em>Depois de Horas</em>, o Jesus (Willem Dafoe), de <em>A Última Tentação de Cristo</em>, e com os protagonistas (DiCaprio e Matt Damon) de <em>Os Infiltrados</em>. Porém, Marty sempre observou de perto seus anti-heróis, com uma habilidade narrativa incrível para fazer a plateia simpatizar com esses sujeitos &#8211; só para, depois, em um golpe de mestre, trair a confiança de seu espectador.</p>
<p style="text-align: justify;">O mesmo acontece em <em>Ilha do Medo</em>, com o Teddy Daniels de Leonardo DiCaprio. Com um detalhe que faz toda a diferença: Desta vez, Marty tenta olhar dentro da mente de seu protagonista. E nunca ele foi tão fundo nessa jornada ao inferno que é o cérebro humano.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3189" title="Ilha do medo 2" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/03/Ilha-do-medo-2.jpg" alt="Ilha do medo 2" width="600" height="351" /><br />
A trama, sinceramente, é o que menos importa em <em>Ilha do Medo</em>. O desfecho, menos ainda. É a viagem que vale cada centavo do ingresso. Alguns tentarão diminuir a intenção de Martin Scorsese dizendo que adivinharam o final lá pela metade (ou até mesmo no trailer). Lembre-se da maldita tendência do final surpresa reinaugurada em <em>O Sexto Sentido</em>. Se ninguém descobrisse que Bruce Willis estava morto o tempo todo, o filme de M. Night Shyamalan ainda seria magnífico, porque tem uma história intrigante, densa, que reflete e joga na cara os medos de todos nós. É a viagem que importa. Depois disso, Hollywood pensou que era só filmar qualquer roteiro imbecil, com sustos a cada 10 minutos com a ajuda da trilha ou dos efeitos sonoros. Bastava apenas terminar o filme com um final surpresa para o público lembrar só disso. É o caso de <em>O Amigo Oculto</em> e outras bombas.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas não cometa o erro de confundir essa onda com <em>Ilha do Medo</em>, que seria sim ainda maior se ninguém tivesse explorado reviravoltas no final. Não que <em>Ilha do Medo</em> tenha uma reviravolta nos últimos minutos, que muda o filme inteiro. Martin Scorsese apenas faz o despertador tocar, acordando aquele que estava entregue ao mundo dos sonhos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Ilha do Medo</em> tem a ousadia de adotar uma estrutura inversa. Se fosse um filme qualquer, teríamos ao menos um fiapo de realidade, apresentado desde o início, como paradigma para definir os momentos em que ela termina e dá lugar ao delírio. Mas não. Quando <em>Ilha do Medo</em> acaba, não temos referência suficiente para julgar com certeza a sua conclusão, que pode ou não ser verdadeira. É desconcertante.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas nem é isso que torna o filme tão fascinante. Martin Scorsese é uma enciclopédia cinematográfica ambulante. E coloca todo seu conhecimento  a favor do filme. <em>Ilha do Medo</em> é ilusão. Cinema é ilusão. Marty torna a estrutura do sonho real, com sensações capazes de serem sentidas pela plateia, numa completa imersão na narrativa que o cineasta toma como questão. É um filme para os sentidos, já que a ambiguidade é evocada. Acompanhar Teddy Daniels em sua investigação <em>noir</em>, em Shutter Island, faz nossa memória resgatar momentos que confundem cinema e vida. O que é real? E o que queremos tornar real? Baseada em lembranças, nossa visão &#8211; e a do próprio protagonista &#8211; ganha uma representação pessoal e moral, que torna impossível julgar qualquer coisa que vemos na tela. Seja na trama em si ou nas ambições visuais cheias de referências cinematográficas do diretor. E é mais fácil Martin Scorsese estar certo do que eu ou você.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3190" title="Ilha do medo" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/03/Ilha-do-medo.jpg" alt="Ilha do medo" width="600" height="300" /><br />
Saber o que é verdadeiro ou falso em <em>Ilha do Medo</em> é chover no molhado. Parece óbvio com as prováveis explicações do roteiro no final, mas não é. Acreditar na manipulação e no poder da imagem do cinema é como andar pelas ruas e perder detalhes da vida porque você olhou para o outro lado na hora H ou piscou e perdeu o que aconteceu ali bem diante de seus olhos. E você simplesmente aceita os fatos e segue em frente.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de <em>Ilha do Medo</em>, não acordamos de um sonho ruim, regado a luzes, cores, enquadramentos clássicos, escuridão, fumaça, chuva, ventania, surrealismo, muros altos, corredores intermináveis, campos de concentração, trilhas assustadoras, como a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ebeiX7HIsw8"><em>Passacaglia</em></a> que abre o filme. E imagens lindas de tão horrendas. Ou o contrário. Martin Scorsese mostra o terror da forma mais bela possível ou revela a beleza da maneira mais assustadora que existe. É como sonhar acordado em um exercício de horror psicológico, que permanece em nossa mente mesmo com as luzes acesas no fim da sessão. É como se ainda estivéssemos naquela ilha, presos com Teddy Daniels.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Ilha do Medo</em></strong> (<em>Shutter Island</em>, 2010)<br />
<strong>Direção:</strong> Martin Scorsese<br />
<strong>Roteiro:</strong> Laeta Kalogridis (Baseado no livro de Dennis Lehane)<br />
<strong>Elenco:</strong> Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams, Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Jackie Earle Haley, e Ted Levine</p>
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		<title>Simplesmente Complicado</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 03:47:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O pior filme de Nancy Meyers. Mas tem Meryl Streep. Então...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/duasestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<div id="attachment_3053" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class="size-full wp-image-3053" title="It's Complicated" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/03/Its-Complicated.jpg" alt="It's Complicated" width="600" height="300" /><p class="wp-caption-text">Alec Baldwin: &quot;Tina Fey, acho que você ficou a cara da Meryl Streep após seis taças&quot;</p></div>
<p style="text-align: justify;">Peço perdão pela expressão, mas Meryl Streep é foda! Até porque não há outro adjetivo na terra das boas maneiras para resumir as qualidades dessa Deusa da atuação. Ou vai dizer que, depois de <a href="http://www.hollywoodiano.com/2009/12/julie-julia/"><em>Julie &amp; Julia</em></a> e este <strong><em>Simplesmente Complicado</em></strong> (<em>It&#8217;s Complicated</em>, 2009), ela não convenceu a todos nós de que é uma ótima cozinheira?</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, só me explique uma coisa: Sei que é difícil oferecer bons papéis a atores de meia idade (ou mais velhos). Andei pensando que Robert De Niro, Dustin Hoffman e Al Pacino não fazem grandes filmes porque não querem. Mas Meryl Streep está sempre em produções badaladas por críticos e acadêmicos. Ela quer continuar sendo Meryl Streep. Faz pelo menos um filme por ano. Então por que diabos ela não é convidada por Martin Scorsese? Ou pelos Irmãos Coen? Ou Jason Reitman? Hello, Kathryn Bigelow! MERYL&#8230; STREEP! NOW!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Veja o caso desse <em>Simplesmente Complicado</em>. Meryl Streep vira amante do ex-marido Alec Baldwin, mas fica tentada a experimentar vida nova, com a entrada em cena do arquiteto interpretado por Steve Martin. É filminho de amor geriátrico, mostrando que as mulheres de meia idade podem voltar a se sentir jovens (leia: fazer sexo). Até que daria algo digno de nota com um diretor como Woody Allen em boa forma. Por que não? Bom, o próprio Clint Eastwood abordou o tema em <em>As Pontes de Madison</em>, com&#8230; Meryl Streep. Porém, com um olhar maduro, focado no drama. Mas não! Isso é um filme da senhora Nancy Meyers, com seu olhar de garotinha atrás de namorados na escola. Ou na faculdade. Você já sabe o resto.</p>
<p style="text-align: justify;">Bem ou mal, estamos falando de uma autora, figura rara na Hollywood atual. Nancy merece ser vista e ouvida, afinal tenta resgatar o clima da era de ouro do cinema em seus filmes, sempre agradáveis, capazes de deixar a plateia, principalmente os mais velhos (leia: experientes), saindo do cinema com um sorriso bocão cheio de dentes estilo Tom Cruise (para os homens) e Julia Roberts (para as mulheres). Entendeu o espírito?</p>
<p style="text-align: justify;">Só que em vez de evoluir, amadurecer com suas personagens, Nancy Meyers anda para trás. Desta vez, até na inteligência com que conduz o humor, a ternura e a nostalgia, dependendo demais do <em>mise en scène </em>do triângulo amoroso Meryl Streep-Alec Baldwin-Steve Martin. A trama não tem força para preencher um filme de duas horas. Em <em>Simplesmente Complicado</em>, Nancy se apoia (e muito) em cenas como a do laptop cobrindo os países baixos de Alec Baldwin. Ou a maconha que deixa Steve Martin e Meryl Streep vendo o <em>Yellow Submarine</em>. É risada garantida, claro. Ainda mais com bons atores. Mas, assim, até Daniel Filho pode dirigir.</p>
<p style="text-align: justify;">Alec Baldwin, depois de <em>30 Rock</em>, e Meryl Streep dão shows particulares. Steve Martin, porém, tem menos tempo em cena do que apresentando a cerimônia do Oscar. Ainda assim, é Steve Martin. Os três salvam o filme de uma Nancy Meyers que confia demais em sua assinatura. Só que lá pelo meio do filme, ela não sabe mais o que dizer. Até porque já analisou o tema em <em>Alguém tem que Ceder</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">É interessante notar, no entanto, como ela iniciou sua carreira de diretora (antes foi roteirista de filmes como <em>O Pai da Noiva</em>) tentando fazer os homens entenderem as mulheres naquele filme famoso com o Mel Gibson. Mas, logo, revelou sua verdadeira intenção: extravasar a menina que existe dentro de uma mulher com suas cinquenta, sessenta ou setenta primaveras. Por mim, ok. Só acho que ela precisa retomar seu tema favorito quando realmente tiver algo a dizer.</p>
<p style="text-align: justify;">Hollywood deve adorar Nancy Meyers. Enquanto Kathryn Bigelow trabalha com quase famosos, Nancy estala os dedos e reúne nomes como Jack Nicholson, Diane Keaton, Mel Gibson, Helen Hunt, Jude Law, Kate Winslet e Cameron Diaz. Imagino quem estará em seu próximo filme. Já pensou? Al Pacino, Robert De Niro, Daniel Day-Lewis e&#8230; Anne Hathaway numa comédia romântica de Nancy Meyers? Se Oscar é prestígio e simpatia, por que a indústria ainda não premiou a cineasta de <em>Do que as Mulheres Gostam</em>, <em>Alguém Tem que Ceder</em> e <em>O Amor Não Tira Férias</em>? Por que deram à Kathryn Bigelow o primeiro Oscar de <em>Melhor Diretora</em>?<em><strong> </strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Simplesmente Complicado</strong></em> (<em>It&#8217;s Complicated</em>, 2009)<br />
<strong>Direção e roteiro: </strong>Nancy Meyers<br />
<strong>Elenco:</strong> <span id="Conteudo1_lblElenco">Meryl Streep, Alec Baldwin, Steve Martin, John Krasinski, Lake Bell, Hunter Parrish, Zoe Kazan e Caitlin Fitzgerald</span></p>
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		<title>Educação</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 02:49:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tente não ficar encantado por Carey Mulligan se for capaz]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/quatroestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2871" title="Carey Mulligan_Best Actress 1" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/02/Carey-Mulligan_Best-Actress-1.jpg" alt="Carey Mulligan_Best Actress 1" width="600" height="364" /><br />
Jenny (Carey Mulligan) tem 16 anos e vive na conservadora Inglaterra dos anos 60. É bonita, inteligente, educada, boa filha e ótima aluna que encanta amigos, professores e os próprios pais. Mas como toda menina, ela tem seus sonhos. O principal é conhecer Paris. É delicada, meiga e tem bom gosto pela música francesa da época. Toca <em>cello</em>, tem ideias avançadas para o seu tempo, além de uma alegria contagiante expressada em um sorriso cheio de vida. Sim, ela é maravilhosa. É a filha que gostaríamos de ter. Mas, claro, como toda menina de 16 anos, Jenny ainda tem uma percepção ingênua do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Se hoje o sistema ideal de educação ainda é discutido, imagine nos anos 60. Jenny é a filha que todo mundo pediu a Deus. Ela também é a aluna perfeita, que orgulha seus professores. Mas, cá entre nós, não queremos dizer aos filhos, sobrinhos ou irmãos mais novos que é impossível adquirir conhecimento e experiência na vida, além de uma noção mais abrangente do mundo sem sair da sala de aula ou das páginas de um belo livro. No fim, o que fica? Qual é o melhor caminho para o aprendizado de uma jovem brilhante, cheia de potencial? Existe um meio termo? Essa é a discussão em torno de <strong><em>Educação </em></strong>(<em>An Education</em>, 2009), filme da diretora dinamarquesa Lone Scherfig, de <em>Italiano Para Principiantes</em>, baseado nas memórias da jornalista Lynn Barber.</p>
<p style="text-align: justify;">Pronta para entrar em Oxford, Jenny conhece David (Peter Sarsgaard), um homem com o dobro de sua idade, mas que pode lhe mostrar o mundo de uma forma que só existia em seus sonhos. Com David, ela dá um tempo em sua vida de classe média e recebe a educação exigida no circuito de alto padrão, em restaurantes finos, concertos e&#8230; Paris. Ele diz, promete e cumpre coisas que jamais passariam pela cabeça dos meninos da escola.</p>
<p style="text-align: justify;">Se David parece o príncipe encantado para muitas mulheres dos dias de hoje, imagine então o que ele significa para uma garota de 16 anos vivendo em um período da história em que o sexo feminino dificilmente teria outro destino além das funções de esposa e dona de casa. Sejamos francos: Jenny pode estudar nas melhores escolas e universidades, mas não fugiria da vassoura, do avental e da pilha de louças para lavar na pia.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o que seria melhor para ela? O colégio como instituição ou a escola da vida? Seu pai (Alfred Molina, ótimo) é extremamente rigoroso e exigente no que diz respeito a sua educação. Ele a ama e jamais é violento ou grosso com Jenny, mas precisa assumir a função de pai, o homem da casa, que sabe que sua filha precisar estudar muito para vencer numa sociedade que não é justa com as mulheres. Mas quando ele é apresentado ao namorado (cheio da grana) da filha, surge uma luz no fim do túnel em sua mente: Agora, Jenny não precisa mais da escola, nem dos livros. David é um homem com totais condições de garantir um bom futuro a sua filha. Por outro lado, sua professora (Olivia Williams), que tem uma postura independente, rara entre as mulheres da época, condena o consequente desprezo de Jenny em relação aos estudos. Acha SIM que sua aluna pode se tornar uma mulher brilhante, sem depender de qualquer homem, nem ninguém.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2872" title="Carey Mulligan_Best Actress 2" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/02/Carey-Mulligan_Best-Actress-2.jpg" alt="Carey Mulligan_Best Actress 2" width="600" height="300" /><br />
<em>Educação</em> parece pertencer àquela época em que os filmes eram bons. Um de seus charmes é ser um drama assumidamente à moda antiga. E isso inclui seu espírito, que esbanja leveza, encanto e inocência, apesar da protagonista defender conceitos consideravelmente avançados para os anos 60. Em parte, pelo roteiro pop de Nick Hornby (autor de <em>Alta Fidelidade</em>, <em>Febre de Bola</em>, <em>Um Grande Garoto</em>), cheio de observações e sutilezas atuais, dando voz e personalidade a uma jovem à frente de sua época.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais do que tudo, <em>Educação</em> deve seu sucesso à atuação magistral de uma estrela que acaba de nascer: Carey Mulligan. Para quem gosta de cinema é impossível não se entusiasmar com sua presença na tela. Ela é encantadora sim, mas é dona de um talento explosivo para a sua idade que falta em muitas atrizes mais velhas. Ela dá a Jenny a inocência e a pureza que o filme pede para valorizar o drama de uma menina que ameaça amadurecer antes do tempo, sem ter muita consciência do que está fazendo, afinal ela tem apenas 16 anos. Lá no fundo, Jenny pode estar usando David, mas como é que ela pode saber disso com tal idade?</p>
<p style="text-align: justify;">Carey Mulligan merece o Oscar de <em>Melhor Atriz</em>, mas não precisa dele para provar que Hollywood tem uma estrela em que estúdios, cineastas, produtores e o próprio público podem confiar. Cada reação de Jenny é sentida pela plateia, como se estivéssemos olhando em seus olhos e não houvesse nenhuma tela ali na frente separando a personagem de ficção da sala de cinema do mundo real.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela é a nova bonequinha de luxo. Aliás, preste atenção nas cenas em Paris, e tente não se lembrar de Audrey Hepburn, que também foi uma atriz talentosa, que emprestava a dramas e comédias uma sensação mágica de elegância, bom humor e energia. Todo e qualquer elogio feito a Carey Mulligan será pouco.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Educação</strong></em> (<em>An Education</em>, 2009)<br />
<strong>Direção:</strong> Lone Scherfig<br />
<strong>Roteiro:</strong> Nick Hornby (Baseado nas memórias da jornalista Lynn Barber)<br />
<strong>Elenco:</strong> <span id="Conteudo1_lblElenco">Carey Mulligan, </span><span id="Conteudo1_lblElenco">Olivia Williams, Dominic Cooper, Peter Sarsgaard, Alfred Molina, Rosamund Pike, Sally Hawkins e Emma Thompson</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Indicado ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Atriz (Carey Mulligan) e Melhor Roteiro Adaptado</em></strong></p>
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		<title>Preciosa</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Feb 2010 21:55:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dramalhão pesado, mas com uma pitada de esperança]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/trsestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2828" title="Preciousssssssss" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/02/Preciousssssssss.jpg" alt="Preciousssssssss" width="600" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Preciosa</em></strong> (<em>Precious: Based on the Novel Push by Sapphire</em>, 2009) não é o primeiro, nem será o último filme sobre jovens que crescem apanhando violentamente de forma física e moral de seus tutores (e da própria vida). Também não há nada que diferencie o filme do diretor Lee Daniels de obras semelhantes. Mas, de tempos em tempos, o cinemão lança filmes como <em>Preciosa</em>. Nenhum mal nisso, desde que o diretor saiba usar os clichês de maneira habilidosa na narrativa; desde que a produção reflita alguns problemas do espectador na tela, sendo sincero, porém contundente na abordagem, para valorizar o drama, contando sempre com atores no melhor de suas formas. <em>Preciosa</em> é esse filme.</p>
<p style="text-align: justify;">Não adianta focar na ideia de que já vimos isso antes, porque o trabalho de direção de atores coordenado por Lee Daniels é tão intenso e honesto, que chegamos a pensar que as atrizes estão interpretando a si próprias. E isso é um elogio que vale o filme. Veja o caso da protagonista Claireece &#8220;Preciosa&#8221; Jones (Gabourey Sidibe), que como a maioria das adolescentes se fecha em seu mundo particular, com sonhos coloridos escondendo a realidade cinzenta, que incluem sucesso profissional antes da entrada no mercado de trabalho e os mais belos príncipes encantados ao seu redor. Preciosa, como toda adolescente, mal encara as outras pessoas nos olhos, fala para dentro e se veste para ser diferente, embora vislumbre a vaidade. Seria fácil lembrar de uma fase da vida de cada um de nós se Preciosa não fosse negra, obesa e pobre. Pior: que sua vida dentro de casa talvez seja ainda mais dura que nas ruas ou na escola, sofrendo com agressões na carne e na alma desferidas pela própria mãe (Mo&#8217;Nique). E não termina aqui: Preciosa foi engravidada pelo pai. Não uma, mas duas vezes. E quando você acha que não há como piorar, o diretor Lee Daniels mostra que Preciosa ainda não sofreu o bastante.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2827" title="Mo'Nique" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/02/MoNique.jpg" alt="Mo'Nique" width="600" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">Com sua personagem comendo o pão que o Diabo amassou, a atriz Gabourey Sidibe desafia a plateia ao encarar tudo com extrema naturalidade, tanto nos bons quanto nos maus momentos que acompanham a patética rotina de sua personagem; chorando ou sonhando com dias melhores. Não é apatia da atriz. Isso acontece porque Preciosa não tem base ou referência alguma em sua vida para colocar suas emoções para fora. Seus sonhos são encarados como realizações impossíveis e aceitar sua condição parece ser o caminho ideal para justificar sua existência na Terra. Eu poderia dizer que seus sonhos a mantém respirando, mas estaria mentindo. Carregando a tela de cores, Lee Daniels deixa evidente que suas ilusões são apenas delírios. Mesmo que de forma inconsciente, Preciosa, mais cedo ou mais tarde, será engolida pela vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, duas pessoas lhe estendem as mãos: sua professora, Ms. Rain (a ótima Paula Patton), e a assistente social Mrs. Weiss (uma surpreendente Mariah Carey sem glitter). São elas que jamais deixarão Preciosa desistir. Essa fagulha de esperança, que parece nunca se concretizar, fará muita gente chorar e torcer pela protagonista. Mesmo quando ela volta para casa, onde atura o monstro chamado Mo&#8217;Nique. Essa mulher simplesmente construiu uma das maiores vilãs da história do cinema. Pode acreditar: Um dia, você pode até esquecer dos detalhes do filme, mas jamais arrancará a imagem da mãe da Preciosa de sua mente.</p>
<p style="text-align: justify;">Lee Daniels não inova, não manipula, apenas observa, tenta desvendar o coração e a mente de sua heroína (e a mãe dela). Ele sabe que, cinematograficamente, seu filme perde para histórias semelhantes, porém mais grandiosas, como <em>A Cor Púrpura</em>, de Steven Spielberg. Por isso, entrega <em>Preciosa</em> às suas talentosas atrizes. Elas fazem toda a diferença. Podemos até discordar, eu e você, que a jovem protagonista de apenas 16 anos (embora Gabourey Sidibe tenha 10 anos a mais) fatalmente seguiria os passos de sua mãe, que, bem ou mal, a educou. Consequentemente, Preciosa agiria da mesma forma maléfica com seus filhos na vida real, mas o importante é ver que, ao mesmo tempo, ela faz e não faz parte daquele mundo, sonhando acordada, ela imagina outra vida; respira.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem julgar seus personagens, Lee Daniels, lá no fundo, é otimista ao acreditar que sempre haverá alguém, em algum canto deste planeta cínico, pronto para dar um empurrãozinho em nossa eterna busca pela felicidade.<br />
<strong><em><br />
Preciosa</em></strong> (<em>Precious: Based on the Novel Push by Sapphire</em>, 2009)<br />
<strong>Direção:</strong> Lee Daniels<br />
<strong>Roteiro:</strong> Geoffrey Fletcher (Baseado no romance escrito por Sapphire)<br />
<strong>Elenco:</strong> <span id="Conteudo1_lblElenco">Gabourey Sidibe, Mo&#8217;Nique, Paula Patton, Lenny Kravitz, Mariah Carey e Sherri Shepherd<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span><em><strong>Indicado ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor (Lee Daniels), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Atriz (Gabourey Sidibe), Melhor Atriz Coadjuvante (Mo&#8217;Nique) e Melhor Montagem</strong></em></span></p>
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		<title>O Lobisomem</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Feb 2010 17:46:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<category><![CDATA[anthony hopkins]]></category>
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		<description><![CDATA[Um filme de terror à moda antiga? Ou um filme que quer ser velho?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/umaestrela.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2822" title="The Beauty and the Beast" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/02/The-Beauty-and-the-Beast.jpg" alt="The Beauty and the Beast" width="600" height="300" /><br />
Uma coisa é Hollywood homenagear o cinema clássico de horror, em especial os monstros da Universal, como <em>O Lobisomem</em>, de 1941. Outra coisa é fazer hoje um filme de forma tão ingênua e precária quanto naquela época. É o caso de <em><strong>O Lobisomem</strong></em> (<em>The Wolfman</em>, 2010), que beira o constrangimento. A refilmagem com Benicio Del Toro no papel de Lawrence Talbot, o homem amaldiçoado que já foi vivido por Lon Chaney Jr. é um filme de terror dos anos 40, com todos os seus prós e contras, disfarçado de superprodução do novo milênio.</p>
<p style="text-align: justify;">É como torrar dinheiro. O novo <em>O Lobisomem</em> deveria ter seguido a ideia de Steven Spielberg e George Lucas, em <em>Os Caçadores da Arca Perdida</em>, que homenageia os filmes B e as matinês que alegraram a infância de seus realizadores nos cinemas. Os filmes da série <em>Indiana Jones</em> são frutos conscientes de suas épocas, sem abandonar a homenagem, a influência, assim como Quentin Tarantino fez bonito com os longas de artes marciais em <em>Kill Bill</em>. Já o que Joe Johnston fez em <em>O Lobisomem</em> foi viajar no tempo e imaginar como seria seu trabalho como um diretor apaixonado pelos filmes do gênero, em plenos anos 40, só que com a ajuda da tecnologia de hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra saída para Joe Johnston teria sido o filme de monstro clássico, sombrio e com sangue, mas com uma roupagem romântica e luxuosa, como Francis Ford Coppola e Kenneth Branagh fizeram, respectivamente, em <em>Drácula de Bram Stoker</em> e <em>Frankenstein de Mary Shelley</em>. Tanto Coppola quanto Branagh seguiram os modelos que comentei no parágrafo anterior, mas a intenção deste <em>O Lobisomem</em> é ser fiel, reproduzindo em forma e conteúdo o filme original de 1941.</p>
<p style="text-align: justify;">O resultado é o <em>Cine Trash</em> mais caro da história. Johnston exagerou no conceito &#8220;à moda antiga&#8221; e entregou um filme velho em todos os seus conceitos, com exceção da parte técnica, área em que o diretor é craque. <em>O Lobisomem</em> é amador ao ponto de apresentar atuações dignas de um filme de Edward D. Wood Jr., com direito à erros de <em>timing</em> entre os diálogos, desferidos com a sutileza de um elefante e uma motivação de quem está assistindo a uma pescaria matinal após uma noite em claro. O irônico é que Ed Wood jamais teve todo esse dinheiro para construir uma carreira que o levou ao título folclórico de &#8220;pior diretor de todos os tempos&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2835" title="AAAAAAAAAAAAAAAAAH" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/02/AAAAAAAAAAAAAAAAAH.jpg" alt="AAAAAAAAAAAAAAAAAH" width="600" height="300" /><br />
Ah, as atuações&#8230; Coitada de Emily Blunt, tão bonita e talentosa, sendo desperdiçada em um filme desses, que nem precisava de uma donzela para ser a bela em um mundo dominado por homens agindo como verdadeiros animais. Mas ela ainda tem futuro, diferente do macaco velho e acomodado Sir Anthony Hopkins. Ok, sei que é polêmico, mas o ex-Anthony Hopkins de <em>O Silêncio dos Inocentes</em> é preguiçoso e não é de hoje. Seu descaso em cena é mais do que evidente, como se ele demonstrasse que é o tal, só porque teve um grande papel sobre um sujeito complexo que comia carne humana e não piscava em uma única cena. Ganhou um Oscar de <em>Melhor Ator</em>, quando deveria ter recebido o de coadjuvante, porque Nick Nolte era o legítimo dono da estatueta principal por <em>O Príncipe das Marés</em>. Mas isso é outra história. Egocêntrico, Hopkins já disse várias vezes que não aceita fazer mais do que três tomadas em suas cenas. É descaso ou não é? Parece que trabalha com cinema para pagar contas, sem prazer algum pelo que faz. Nem é o caso de ligar o piloto automático, como fazem Jack Nicholson e Al Pacino, em nome da diversão. Apático, Hopkins não se importa com você nem com nada. Já Benicio Del Toro até que tenta sustentar o filme, mas é dureza contracenar com um senhor que não está nem aí.</p>
<p style="text-align: justify;">O que salva o filme? Ou, prefiro dizer, o que mantém o espectador acordado? As ótimas cenas de transformação de Benicio Del Toro em lobisomem e seus momentos como a besta aterrorizando uma Londres muito bem caracterizada nas noites de Lua Cheia. Os efeitos visuais e, quiçá, a maquiagem são de primeira. Só não consegue bater a criatividade de <em>Um Lobisomem Americano em Londres</em>, que permanece imbatível em impressionar o espectador na cena de transformação. O problema é quando Benicio Del Toro volta ao normal, abrindo espaço para o tédio e o ridículo dividirem as atenções.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isso não quer dizer que <em>O Lobisomem</em>, de 1941, seja ruim. Trata-se de um produto daquela época, que teve a dignidade de assumir uma fase da história do cinema. Em 20, 30 anos, ainda será lembrado. Diferente deste  filme &#8220;antigo&#8221;, mas lançado em 2010, que teve inúmeros problemas em seus bastidores, com demissão de diretor e outras palhaçadas. E o resultado na tela não poderia ter sido outro.</p>
<p style="text-align: justify;">Sabendo disso, prefiro atacar o egocentrismo da Universal, dona do seu próprio nariz arrebitado, afinal Joe Johnston é um diretor que entende de fantasia e emoção. Ele é o cineasta responsável por longas divertidíssimos como <em>Querida, Encolhi as Crianças</em>, <em>Rocketeer</em>, <em>Jumanji</em>, <em>Hidalgo</em>, <em>Jurassic Park III</em> (que é melhor que o <em>2</em>, dirigido por Steven Spielberg) e, meu favorito, <em>Céu de Outubro</em>. Como, então, ele foi capaz de apresentar <em>O Lobisomem</em>? Eis o grande mistério.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>O Lobisomem</em></strong> (<em>The Wolfman</em>, 2010)<br />
<strong>Direção:</strong> Joe Johnston<br />
<strong>Roteiro:</strong> <span id="Conteudo1_lblRoteiro">Andrew Kevin Walker e David Self (Baseado no filme <em>O Lobisomem</em>, de 1941, dirigido por George Waggner, com roteiro de Curt Siodmak)<br />
<strong>Elenco:</strong> <span id="Conteudo1_lblElenco">Benicio Del Toro, Anthony Hopkins, Emily Blunt, Hugo Weaving, Mario Marin-Borquez, Art Malik, Michael Cronin e Geraldine Chaplin</span></span></p>
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