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	<title>Hollywoodiano &#187; Destaque</title>
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		<title>Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 16:42:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[david fincher]]></category>

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		<description><![CDATA[A heroína que se expressa com sexo e violência]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/quatroestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/02/millennium_2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9326" title="millennium_2" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/02/millennium_2.jpg" alt="millennium_2" width="600" height="300" /></a><br />
A jovem Lisbeth Salander (Rooney Mara) vive num universo de homens. Homens que não prestam. Ou, melhor, eles sempre a machucam de alguma forma. Psicologicamente ou fisicamente. Homens, que, de fato, não amam as suas mulheres. E Lisbeth não é a única representante do sexo feminino a sofrer neste filme de David Fincher. Mas é ela quem representa a plateia na tela.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim cresceu Lisbeth. Violentada, enganada, traída, sempre a vítima. Uma cyber punk, investigadora, inteligentíssima. Quem vê apenas cara, não vê coração. E é bom olhar a atuação de Rooney Mara com muita atenção. Ela deixa pouco para a plateia. Seus olhos, no entanto, dizem mais. Há uma menina ali dentro, em algum lugar. Por sua história sofrida e consequente visão de mundo, ela tem no sexo e na violência as suas principais formas de expressão.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando ela conhece Mikael Blomkvist (Daniel Craig), o jornalista investigativo que está com a corda no pescoço, sua vida ganha um novo horizonte. Lentamente, passa a se abrir mais com o parceiro. Começa (ou recomeça) a se tornar mais humana e, naturalmente, a expressar seus sentimentos com, quem diria, palavras. E não apenas com sexo e sangue. Mas a dedicação de Lisbeth, à investigação – que serve como pano de fundo para o fascinante estudo que David Fincher faz de sua personagem – é também a sua ruína. Lembre-se: em <strong><em>Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres</em></strong> (<em>The Girl With The Dragon Tattoo</em>, 2011), os representantes do sexo masculino são desprezíveis. Exceto um: o personagem de Christopher Plummer. Ao menos, nesta fase final de sua vida. Ainda respira por ter a esperança de entender o que aconteceu com a sua sobrinha, desaparecida sem deixar rastros há muito, muito tempo. O canto do cisne deste personagem masculino é, de certa forma, se reconciliar com a mulher da sua vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/02/millennium_1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9327" title="millennium_1" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/02/millennium_1.jpg" alt="millennium_1" width="600" height="300" /></a><br />
Mas é fácil se perder na velocidade da investigação de Mikael Blomkvist/Lisbeth Salander. Não que seja um erro do filme, afinal o foco é a construção desse mundo em que vive Lisbeth. E como seu caminho se cruza com o de Mikael. Como eles se complementam. E para onde vai a relação entre eles.</p>
<p style="text-align: justify;">O roteiro de Steven Zaillian, adaptado do primeiro livro da trilogia de Stieg Larsson, podia render ao mistério uma atenção maior nas mãos de outro diretor. Mas o filme é de David Fincher, que olha primeiro para Lisbeth. E está aí o seu maior acerto para fugir da versão sueca, que tem Noomi Rapace no papel principal. Noomi é ótima, mas Rooney é ainda mais espetacular, ousada e intrigante. Concordo que talvez seja mais fácil para a menina reconstruir uma personagem já existente. Mas sua Lisbeth é humanizada. O máximo possível. Até onde os homens de seu universo permitem. Tornando assim a missão de desvendar a menina frágil por trás do “monstro” uma tarefa muito mais interessante.</p>
<p style="text-align: justify;">O que dizer mais sobre Fincher? Grande Fincher. Gostam de dizer que ele é um dos melhores diretores americanos da atualidade. E é. Mas prefiro dizer que é bom tê-lo de volta à escuridão, às trevas, onde reina como poucos antes dele. O cineasta de <em>Seven</em>, <em>Clube da Luta </em>e <em>Zodíaco </em>deu um tempo em sua fase <em>Mr. Nice Guy</em> para voltar a dar porrada em quem parou de mente e espírito no século passado. Suas aberturas visualmente provocantes estão de volta, com um filme não menos explosivo. Nada contra se o diretor quiser se arriscar em outros territórios de tempos em tempos. Ele tem esse direito, o que faz bem para a sua evolução como cineasta. Mas é explorando o lado negro do ser humano que ele se sai melhor. Como Scorsese nas ruas.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma prova está na cena do estupro, que Fincher filma como um <em>voyeur</em>. Sua solução é doentia. O fato do agressor parar pra pensar em colocar camisinha num ato tão violento, nojento, repugnante, é um atestado da “maldade” do diretor. Só torna a cena mais perturbadora – e a torcida pela vingança justificada de Lisbeth ainda maior. Mas a maldade mais intensa feita pelo diretor não é física nem moral. Está na última cena, aquela que despedaça o coração de Lisbeth em vários pedaços. Grande Fincher.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres</em></strong> (<em>The Girl With The Dragon Tattoo</em>, 2011)<br />
<strong>Direção:</strong> David Fincher<br />
<strong>Roteiro: </strong>Steven Zaillian<br />
<strong>Elenco: </strong>Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Stellan Skarsgård, Robin Wright, Steven Berkoff e Joely Richardson</p>
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		<title>Os Descendentes</title>
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		<comments>http://www.hollywoodiano.com/2012/01/os-descendentes/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 29 Jan 2012 00:02:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Posts]]></category>
		<category><![CDATA[alexander payne]]></category>

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		<description><![CDATA[Futuros ancestrais]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/cincoestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p><a href="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/01/descendentes2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9303" title="descendentes" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/01/descendentes2.jpg" alt="descendentes" width="600" height="247" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">De longe, o Havaí é um paraíso. De perto, suas belezas são transformadas em realidade na mesma proporção em que descobrimos seus defeitos. Não em sua privilegiada natureza, mas nas falhas que existem dentro de seus habitantes, seres humanos como cada um de nós. Em <strong><em>Os</em> <em>Descendentes</em></strong> (<em>The Descendants</em>, 2011) não temos uma segunda opinião sobre o cenário apresentado. Os “acusados” não têm chance de defesa. Afinal, somos guiados exclusivamente pelos olhos de Matt King (George Clooney). E seu mundo aparentemente perfeito está se deteriorando.</p>
<p style="text-align: justify;">Diferente da visão passageira de um turista (ou do idiota que não conhece, mas julga mesmo assim), Matt King explica logo no início que os havaianos têm problemas como qualquer pessoa que viva em outra região. Para aproximar o brasileiro deste contexto, você já deve ter ouvido pérolas como “carioca não sai da praia” ou “baiano é preguiçoso”. O workaholic Matt King admite não subir numa prancha há 15 anos. Ele está prestes a concluir uma venda de um paradisíaco terreno havaiano, herança de seus ancestrais, que mudará a rotina de toda a comunidade local. Para o bem ou para o mal. Com a cabeça enfiada no trabalho, ele não tem tempo para a esposa, Elizabeth (Patricia Hastie), e as filhas, Scottie (Amara Miller), de 10 anos, e Alex (a explosiva Shailene Woodley), de 17.</p>
<p style="text-align: justify;">Além do importante negócio que está para fechar, ele precisa se reaproximar das duas meninas quando sua mulher entra em coma após um grave acidente. Agora, precisa passar pela dolorosa experiência de avisar amigos e parentes sobre a condição da esposa, acertar contas com o passado e definir o seu futuro, o de sua família, e, indiretamente, de toda a região. Quanta pressão, não?</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/01/descendentes_12.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9304" title="descendentes_1" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/01/descendentes_12.jpg" alt="descendentes_1" width="600" height="292" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">De certa forma, a trama seria perfeita para uma novela com seus irritantes clichês. Felizmente temos o diretor Alexander Payne (<em>As Confissões de Schmidt</em>, <em>Sideways</em>) para nos contar essa história. Ele gosta de colocar seus protagonistas descabelados enfrentando momentos difíceis de transição, enquanto precisam tomar decisões para toda a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">E a transição de Matt King passa pela compreensão de que roupa suja se lava em casa; família é família, os outros são os outros. Só você pode criticar seu parente. Já o vizinho não tem esse direito. Mas para chegar a tal maturidade, o protagonista será testado numa jornada intimista de redescoberta. A vida é assim. Logo quando King decidiu se dedicar mais como marido e pai, o destino veio e lhe pregou uma peça. Segundo o diretor, a solução é entender suas raízes e lidar com a inevitabilidade da morte para continuar vivendo.</p>
<p style="text-align: justify;">Nessa jornada, Payne explora de perto e cuidadosamente as expressões e os sentimentos reprimidos de seus personagens – preste atenção na cena excepcional em que a menina chora no fundo da piscina só para que seu pai não saiba o que ela está sentindo. As intenções do diretor são traduzidas por um George Clooney vulnerável, sensível como nunca vimos antes – mais ainda que em <em>Amor Sem Escalas</em>. Muitos dizem que ele sempre interpreta a si próprio. Entendo como é difícil separar o grande astro do ator, mas Clooney está de coração aberto neste filme. E Payne engrandece o protagonista com um elenco de apoio que reage a cada ação de seu herói. Diria que esse entrosamento torna possível ao espectador ouvir os pensamentos dos personagens, mesmo quando dizem o contrário do que estão sentindo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/01/descendentes_2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9306" title="descendentes_2" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/01/descendentes_2.jpg" alt="descendentes_2" width="600" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Payne é um cineasta apegado a sutilezas, que se concentra 100% nos personagens. O que acontece em seus interiores é muito mais importante que todos os conflitos visíveis na tela. E talvez seja o filme menos irônico de sua carreira. <em>Os Descendentes </em>tem um humor pontual e mais contido. Acho que a “dramédia” está principalmente nos ícones deixados por Payne, como as camisas estampadas e os chinelões usados por Clooney para correr desesperadamente após sua filha mais velha lhe revelar um segredo numa cena devastadora. O humor discreto também está na trilha sonora tipicamente havaiana que surge sem aviso prévio. Payne não quer reproduzir a realidade. O que ele faz é explorar o que há de inesperado na vida. São toques sutis que constroem seu filme mais equilibrado. E por isso mesmo, seu melhor trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">Em suma, mais que a valorização da família, Payne faz um filme sobre o perdão. Ou o ato de perdoar. Manipula o espectador para que ele acredite que ódios devem ser apaziguados para que possamos, enfim, seguir em frente na companhia daqueles que amamos e nos amam na mesma intensidade. Até porque somos uma mistura de nossos pais e passaremos essa dádiva (ou seria “maldição”?) para os nossos filhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Algum poeta cantou mais ou menos isso: “Você me diz que seus pais não te entendem. Mas você não entende seus pais. Você culpa seus pais por tudo. Isso é absurdo. São crianças como você. O que você vai ser quando você crescer?”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Os Descendentes </em></strong>(<em>The Descendants</em>, 2011)<br />
<strong>Direção:</strong> Alexander Payne<br />
<strong>Roteiro:</strong> Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash<br />
<strong>Elenco:</strong> George Clooney, Judy Greer, Shailene Woodley, Matthew Lillard, Beau Bridges e Robert Forster</p>
<p style="text-align: justify;">
<a href="http://www.hollywoodiano.com/2011/05/the-descendants/" target="_blank"><strong>TRAILER</strong></a></p>
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		<title>As Aventuras de Tintim</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 14:01:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<category><![CDATA[spielberg]]></category>

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		<description><![CDATA[Diversão desenfreada]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/quatroestrelas.JPG" alt="" border="0" /></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/01/tintim_1.jpg"><img title="tintim_1" width="600" class="aligncenter size-full wp-image-9281" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/01/tintim_1.jpg" alt="tintim_1" height="300" /></a></p>
<p>Em <strong><em>As Aventuras de Tintim</em></strong> (<em>The Adventures of Tinti</em>n, 2011), Steven Spielberg volta a ser criança. Sem medo de ser feliz. Diferente dos anos 80 e 90, a melhor fase de sua carreira, quando se importava com a crítica ao alternar filmes para o seu público e filmes feitos de Spielberg para Spielberg. Naquela época, era constantemente acusado de ter a síndrome de Peter Pan. Para alguns, ele não conseguia ser adulto nem mesmo em dramas. Como se isso fosse um problema, afinal já havia presenteado os cinéfilos com maravilhas como <em>E.T.</em>, <em>Tubarão</em>, <em>Contatos Imediatos do Terceiro Grau</em> e os três primeiros <em>Indiana Jones</em>. Não precisava ter feito <em>A Lista de Schindler</em> ou <em>O Resgate do Soldado Ry</em>an, que também são extraordinários, para comprovar seu talento. Pois o melhor de Spielberg está em vocação para divertir a plateia. De todas as idades.</p>
<p style="text-align: justify;">Adaptando o universo de Hergé para o seu cinema, Spielberg preserva e honra o espírito aventureiro dos quadrinhos clássicos para transformá-lo em um jovem Indiana Jones. Ora, por que não? Em vez de se agarrar às páginas – como acontece com nove entre dez adaptações para a tela grande –, Spielberg e Peter Jackson (seu produtor de luxo) traduzem livremente para a linguagem cinematográfica não um, mais dois exemplares de <em>As Aventuras de Tintim</em>: <em>O Caranguejo das Tenazes de Ouro</em> e <em>O Segredo do Licorne</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo em nome da diferença de linguagens. A história, o tratamento dado aos personagens, suas motivações, o drama, a comédia, a tensão, tudo é desenvolvido agilmente, sem deixar arestas, fluindo perfeitamente na tela. A ação não atrapalha a trama e vice-versa. Elas se complementam num filme de tirar o fôlego, que é rápido e vai direto ao ponto. Uma delícia de se ver com um sorriso de orelha a orelha.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/01/tintim_2.jpg"><img title="tintim_2" width="600" class="aligncenter size-full wp-image-9282" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/01/tintim_2.jpg" alt="tintim_2" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Sabemos que, para Hollywood, é muito mais fácil e seguro copiar o livro ou a HQ de sucesso,  mudando somente uma coisa aqui e outra ali. Assim os fãs não reclamam muito e o retorno nas bilheterias é garantido, afinal o jogo já estava ganho na assinatura do contrato. Mas quando Spielberg e Jackson estão no comando, com a ajuda de um time invejável de roteiristas como Steven Moffat, Edgar Wright e Joe Cornish, tudo o que podemos esperar é cinema. E não xerox da mídia original. Se um diretor não tão poderoso quanto os envolvidos estivesse à frente de <em>As Aventuras de Tintim</em>, provavelmente o estúdio optaria pela adaptação de um único livro. O que Spielberg e Jackson fazem não é desrespeito à obra. Mas, novamente, uma adaptação em nome da diferença de linguagens.</p>
<p>Ainda sobre o roteiro, repare como acompanhamos de perto o mistério e suas resoluções. Do ponto de vista de Tintim. Ele descobre, nós descobrimos. É o básico.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns podem reclamar do desenvolvimento dos personagens, mas basta saber que Tintim (Jamie Bell) é um repórter que prefere viver sem destino. Um herói que faz acontecer ao romper as barreiras impostas pela sua condição profissional. Ele deixa a redação e persegue a história e suas fontes. Assim como Indiana Jones, o professor de arqueologia que sai da teoria da sala de aula para viver a história na prática. Neste filme, não importa se Tintim é hetero, gay, solteiro, casado. Ou se foi abandonado pela mulher ou pelos pais. Se apanhava quando criança ou mesmo quantos anos ele tem. Importa muito mais conhecer seu aliado Haddock (Andy Serkis) e o vilão Sakharine (Daniel Craig), que realmente recebem um tratamento mais visível do roteiro. Já a personalidade de Tintim está nas entrelinhas, na correria, na ação, na impetuosidade de seus atos. A mesma coisa serve para o seu fiel cãozinho, Milu.</p>
<p style="text-align: justify;">Ah, sim. <em>As Aventuras de Tintim</em> é uma animação. Ou não. Isso gera uma longa discussão. Mas provavelmente você esquecerá disso de cinco a dez minutos de filme. Animação ou não, você vai concordar que há um certo humor de desenho animado de 30 ou 40 anos atrás em alguns bons momentos de <em>Tintim</em>. E Spielberg está muito a vontade nesse território.</p>
<p style="text-align: justify;">Animação ou não, <em>Tintim</em> foi feito com a impressionante técnica de captura de performance, algo que foi incessantemente testado por Robert Zemeckis nos últimos anos em produções como <em>O Expresso Polar</em> e <em>Beowulf</em>. Mas ao contrário do colega de profissão, Spielberg e Jackson provam que uma boa história sempre vem em primeiro lugar. Assim fica fácil embarcar na diversão. E ela corre solta em <em>Tintim</em>. Preste atenção na sequência sem cortes em que o herói, Haddock e Milu fogem em disparada pelo porto tentando pegar os pergaminhos antes do vilão. É ou não é o jovem Indiana Jones? Ainda assim, prefiro me prender a outro ponto. Essa fantástica sequência é um momento que faz o cinéfilo pensar em questões como “o que é direção?” ou “existe direção em longas de animação?”. Outras perguntas: “o que é montagem?” ou “o que é o trabalho de montagem numa animação?”. Pois repare na edição do veterano Michael Kahn, que parace um jovem talento, moderno, unindo cenas de um barquinho no mar virando uma poça d’água na calçada. Toque de gênio, não? Enfim, uma animação (ou não) que te faz pensar sobre o que é o cinema. E para onde ele vai.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>As Aventuras de Tintim</em></strong> (<em>The Adventures of Tintin</em>, 2011)</p>
<p><strong>Direção: </strong>Steven Spielberg<br />
<strong>Roteiro: </strong>Steven Moffat, Edgar Wright e Joe Cornish<br />
<strong>Elenco:</strong> Jamie Bell, Andy Serkis, Daniel Craig, Nick Frost, Simon Pegg, Daniel Mays, Gad Elmaleh, Toby Jones, Joe Starr, Enn Reitel, Mackenzie Crook, Tony Curran, Sonje Fortag e Cary Elwes</p>
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