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	<title>Hollywoodiano &#187; brad pitt</title>
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		<title>Bastardos Inglórios</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 22:31:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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No Oscar 2002, a Miramax levantou uma polêmica contra seu principal concorrente na categoria de Melhor Filme: Uma Mente Brilhante, da Dreamworks. Segundo os irmãos Harvey e Bob Weinstein, chefões da Miramax, o filme de Ron Howard distorce os tais fatos reais escancarados na campanha de divulgação da cinebiografia de John Nash, interpretado brilhantemente por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/cincoestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1392" title="If you call me Benjamin Button again..." src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2009/10/If-you-call-me-Benjamin-Button-again....jpg" alt="If you call me Benjamin Button again..." width="600" height="300" /><br />
No Oscar 2002, a Miramax levantou uma polêmica contra seu principal concorrente na categoria de <em>Melhor Filme</em>: <em>Uma Mente Brilhante</em>, da Dreamworks. Segundo os irmãos Harvey e Bob Weinstein, chefões da Miramax, o filme de Ron Howard distorce os tais fatos reais escancarados na campanha de divulgação da cinebiografia de John Nash, interpretado brilhantemente por Russell Crowe. Algumas pessoas ficaram do lado da Miramax, outras apoiaram a Academia, que acabou premiando <em>Uma Mente Brilhante</em> mesmo assim. Em resposta, Ron Howard e sua equipe alegaram que trata-se de um filme e não de realidade. Agora, eu fico aqui tentando imaginar o que a The Weinstein Company pensa sobre <em><strong>Bastardos Inglórios</strong></em> (<em>Inglourious Basterds</em>, 2009), produção que leva o selo de garantia da nova casa de Harvey e Bob. Duas coisas que posso tirar disso: Os Weinsteins só entendem de marketing, enquanto Quentin Tarantino é um gênio do cinema.</p>
<p style="text-align: justify;">Já vimos filmes de guerra de todos os tipos e tenho certeza que Tarantino viu muito mais. Há tempos querendo fazer seu próprio exemplar do gênero, Tarantino, que é um dos cineastas mais originais da atualidade, não cairia na tentação de montar seu filme à imagem e semelhança de <em>O Resgate do Soldado Ryan</em>, como todas as outras produções do gênero fazem desde então. E já estava mais do que na hora de alguém injetar um pouco de ânimo no cinema bélico. Como Sergio Leone nos <em>westerns</em>, Tarantino fez de <em>Bastardos Inglórios</em> o seu <em>war spaghetti</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Os conhecimentos gerais de Tarantino o tornam a pessoa certa para esta missão. São conhecimentos não exatamente das regras da cartilha cinematográfica, mas daquilo que se vê em filmes. Falo da magia que leva o cinéfilo a se apaixonar por cenas memoráveis e a decorar inúmeros diálogos. A educação cinéfila é a base de Tarantino. Carregado de humor, vigor, paixão e no total controle de seu ofício, o diretor mostra que seu compromisso não é com a História da humanidade, mas com a história da sétima arte. O diretor de <em>Pulp Fiction</em> e <em>Kill Bill</em> relembra que ir ao cinema é, acima de tudo, um evento. O público compra ingressos para ver o show e, lá no fundo, quer se acabar num grande espetáculo maior que a vida. Se quiséssemos uma aula de história, não iríamos ao cinema, certo? Sei que muitos não concordam comigo neste ponto, mas o cinema não pode se acostumar com a realidade. Claro que também não pode se tornar 100% escapista. Mas, de vez em quando, é muito bom lembrar como nos apaixonamos pelos filmes. E Tarantino é um sujeito que mantém esse sentimento vivo dentro de cada um de nós.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1391" title="Call it, Friendo" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2009/10/Call-it-Friendo.jpg" alt="Call it, Friendo" width="600" height="300" /><br />
Se a guerra de <em>Bastardos Inglórios</em> não está nos livros, ela pode ser desvendada ou aprendida na história do cinema. Passe numa locadora e leve com você os DVDs de <em>Rastros de Ódio</em>, de John Ford, <em>Era uma Vez no Oeste</em>, de Sergio Leone, <em>Ser ou Não Ser</em>, de Ernst Lubitsch, <em>Os Doze Condenados</em>, de Robert Aldrich, e <em>Fugindo do Inferno</em>, de John Sturges &#8211; só para citar alguns. Procure também por <em>Fervura Máxima</em>, de John Woo, além de todos os filmes de Quentin Tarantino com seus diálogos longos e inteligentes, tão nervosos e divertidos quanto as cenas orquestradas pelo diretor. Não quero contar onde vi referências a cada um desses filmes em <em>Bastardos Inglórios &#8211; </em>para não estragar sua experiência -, mas repare na bela sequência que abre o filme e tente não lembrar de John Ford e Sergio Leone. Tente não lembrar dos clímaxes de <em>O Poderoso Chefão</em> (partes I e III), de Francis Ford Coppola, e <em>O Homem que Sabia Demais</em>, de Alfred Hitchcock, no final de <em>Bastardos Inglórios</em>, que se passa em um cinema lotado.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando lemos a sinopse de <em>Bastardos Inglórios</em>, entendemos que é a História como ela é: &#8220;Grupo de soldados judeus tenta promover o Holocausto Nazista caçando e executando oficiais do exército de Hitler na Segunda Guerra Mundial.&#8221; Ah, mas Quentin Tarantino começa seu filme escrevendo na tela: &#8220;Era uma vez numa França ocupada por nazistas&#8221;. Pronto. Em sua guerra cinematográfica, o &#8220;era uma vez&#8221; lhe dá liberdade para fazer o que quiser daqui em diante. Dane-se a História. No filme que você vai ver, esqueça tudo o que aprendeu nos livros. Esqueça também que ninguém ouvia David Bowie na Segunda Guerra. Apenas&#8230; aproveite a viagem de Tarantino.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Bastardos Inglórios</em> é um diálogo de cinéfilo para cinéfilo. Não é somente sobre os  tais &#8221;bastardos&#8221;. Também não são três histórias. São três linhas que compõem uma trama. É basicamente um filme sobre um herói caipira, um nazista sádico, engraçado e inteligentíssimo, e uma bela garota.</p>
<p style="text-align: justify;">O herói caipira é o tenente Aldo Raine - Hmm, Aldo Ray? -, interpretado por um divertido Brad Pitt, que sempre se sai melhor em papéis cômicos e bizarros, do que na pele de personagens extremamente dramáticos. Ele lidera os &#8220;Bastardos Inglórios&#8221;, que espalham o terror entre os nazistas. O filme também é sobre Hans Landa, o agente do Führer popularmente conhecido como &#8220;Caçador de Judeus&#8221;. Suas palavras são tão perigosas quanto suas mãos nos pescoços de suas vítimas ou suas armas de fogo guardadas em algum lugar de seu uniforme. O imprevisível e genial Hans Landa é interpretado pelo ator austríaco Christoph Waltz, recém-descoberto por Quentin Tarantino e que ainda vai dar muito o que falar. Waltz só não rouba o filme porque <em>Bastardos Inglórios</em> é uma obra-prima. Ele é uma das partes essenciais de um todo. Finalmente, temos a jovem judia Shosanna (nomezinho saído do bom humor de Tarantino, que é muito mais engraçado quando pronunciado corretamente). Na verdade, ela é o coração do filme. Sua presença remete, entre outros tantos filmes, à Noiva de <em>Kill Bill</em>. Shosanna, que faz a câmera de Tarantino se ajoelhar de paixão em cada <em>frame</em>, arquiteta um plano para se vingar do algoz de sua família, que é ninguém menos que o diabólico Hans Landa.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1388" title="I love you Shosanna" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2009/10/I-love-you-Shosanna.jpg" alt="I love you Shosanna" width="600" height="300" /><br />
E que ninguém jamais acuse Tarantino de ser um imitador. Para chegar até este filme, que é sua obra-prima, ele apresentou seu estilo próprio com, principalmente, <em>Cães de Aluguel</em>, <em>Pulp Fiction</em> e <em>Kill Bill</em>. Já estamos acostumados com Tarantino. Agora, mesmo desbravando terrenos clássicos do cinema, com direção de arte, figurinos e fotografias de deixar qualquer cinéfilo de queixo caído, Tarantino continua sendo Tarantino. Um pouco mais maduro, é verdade. Mas ainda continua sendo &#8220;o cara&#8221;, que tem a audácia de subverter a História em nome do amor pelo cinema, com uma coragem que poucos cineastas antes dele tiveram. É &#8220;o cara&#8221; que termina seu filme com Brad Pitt dizendo (sem a mínima vergonha): &#8220;Acho que fiz a minha obra-prima&#8221;. Assino embaixo, Sr. Tarantino.</p>
<p><strong><em>Bastardos Inglórios</em></strong> (<em>Inglourious Basterds</em>, 2009)<br />
<strong>Direção e roteiro:</strong> Quentin Tarantino<br />
<strong>Elenco:</strong> Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz, Eli Roth, Michael Fassbender, Diane Kruger, Daniel Brühl, Til Schweiger, Gedeon Burkhard, Jacky Ido, B.J. Novak, Omar Doom, August Diehl e Denis Menochet</p>
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		<title>O Curioso Caso de Benjamin Button</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jan 2009 13:04:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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Lindo, poético, lírico, épico, romântico, mas ao mesmo tempo triste, melancólico, frio e minimalista. Assim é O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, 2008), o filme mais ambicioso do genial cineasta David Fincher (Seven, Clube da Luta, Zodíaco). Mas olhando para trás e sabendo o que ele já aprontou, Fincher [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/duasestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<div><a href="http://2.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/SXce7vEqbfI/AAAAAAAAEY8/OsZakbEh-ew/s1600-h/Benjamin+Button.JPG" onclick="urchinTracker('/outgoing/2.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/SXce7vEqbfI/AAAAAAAAEY8/OsZakbEh-ew/s1600-h/Benjamin+Button.JPG?referer=');"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293733898594446834" style="text-align: center; margin: 0px auto 10px; width: 400px; display: block; height: 164px; cursor: hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/SXce7vEqbfI/AAAAAAAAEY8/OsZakbEh-ew/s400/Benjamin+Button.JPG" border="0" alt="" /></a></div>
<p style="text-align: justify;">Lindo, poético, lírico, épico, romântico, mas ao mesmo tempo triste, melancólico, frio e minimalista. Assim é <strong><em>O Curioso Caso de Benjamin Button</em></strong> (<em>The Curious Case of Benjamin Button</em>, 2008), o filme mais ambicioso do genial cineasta David Fincher (<em>Seven</em>, <em>Clube da Luta</em>, <em>Zodíaco</em>). Mas olhando para trás e sabendo o que ele já aprontou, Fincher imita seu protagonista: Começou praticamente no auge de seu talento ousado, extremamente criativo e influente para, agora, regredir ao cinema acadêmico e convencional.</p>
<p style="text-align: justify;">Em certos casos, claro, não há mal algum em ser &#8220;acadêmico&#8221;. Mas Fincher me parece um cineasta marginal; um cara das ruas. Feio, sujo e malvado. Bad motherfucker. <em>O Curioso Caso de Benjamin Button</em>, livremente inspirado no clássico conto de F. Scott Fitzgerald, de 1922, carrega uma história grandiosa e equilibrada em beleza e tristeza.</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, quem conta a saga de Benjamin Button a alguém, sabe que se trata de uma história de emoção genuína, certo? Mas assistir ao filme, sentir e esperar por essa emoção, aí, hollywoodianos, isso é algo completamente diferente. Veja só: Se você diz (ou resume) a uma pessoa que <em>E.T. &#8211; O Extraterrestre</em> é sobre um alienígena abandonado em nosso planeta, isso está correto. Em termos, ok? Mas correto. Porém, essa breve descrição de <em>E.T.</em> seria capaz de gerar imediatamente a emoção nesta pessoa? Acho que não. Mas, então, assista ao inesquecível filme de Steven Spielberg. A experiência será completamente diferente. Duvido que um ser humano em sã consciência não tenha a mínima vontade de chorar.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas antes que você me acuse de querer pieguice em <em>O Curioso Caso de Benjamin Button</em>, eu preciso explicar minha visão de &#8220;emoção&#8221; no cinema. Cito <em>Sangue Negro</em>, de Paul Thomas Anderson, então. Uma obra-prima para o nosso tempo, ok? Daniel Day-Lewis interpreta um sujeito carrancudo querendo o sangue de seus concorrentes. Aos nossos olhos, ele é mau até o último fio de cabelo. Mas admiramos essa característica em seu personagem. Ou vai me dizer que não? Em <em>Sangue Negro</em>, eu torço por Daniel Day-Lewis; vibro com as terríveis manobras de seu personagem. Isso também é emoção. <em>Sangue Negro</em> é pesado, incomoda, mas não é um filme frio. Longe disso. Paul Thomas Anderson é apaixonado por sua história e jamais se deslumbra com a grandiosidade do material em mãos. Agora, vamos para o oposto. Pegue a ternura de <em>Forrest Gump</em>, de Robert Zemeckis. Você torce pelo herói tapado até o final, não é? Chorando ou não, você entra neste filme e viaja ao lado do personagem. Para mim, isso é importantíssimo. Chamo isso de vínculo com a platéia. São filmes que, como <em>Benjamin Button</em>, também fazem uma leitura da América de acordo com os olhos de seu protagonista. E, até mesmo, de nossa situação no mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">A diferença é que a leitura de David Fincher é fria, distante. Talvez pelo medo de cair na &#8220;pieguice&#8221; óbvia que muita gente reclama. E cair nessa tentação parecia fácil demais, afinal o conto original fala de um cara que nasce velho e rejuvenesce durante sua vida. Entenda: Não quero um <em>Laços de Ternura</em> ou sua versão canina, que é <em>Marley &amp; Eu</em>. Aí já seria palhaçada minha. Mas apesar de reconhecer toda a beleza plástica deste filme, eu admito que não me importei nem um pouco com a felicidade e a vida de Benjamin Button. Acho que faltou&#8230; emoção, envolvimento e cumplicidade de David Fincher nas entrelinhas. O filme é muito fraco dramaticamente. Miserável, eu diria. E é claro que Fincher tem todo o direito de trilhar outros caminhos, mas acho que isso era filme para Steven Spielberg. Ou para outro cineasta acostumado com o fantástico como Tim Burton. Aliás, Burton poderia ter Johnny Depp, que daria um Benjamin Button inesquecível. O que me leva ao problema Brad Pitt.</p>
<p style="text-align: justify;">O astro realmente funciona (e muito) em papéis bizarros e cômicos. Vide <em>Seven</em>, <em>Doze Macacos</em>, <em>Clube da Luta</em>, <em>Snatch</em> e <em>Queime Depois de Ler</em>. Ele está ótimo. Mas é contra as leis da natureza pedir para que Brad Pitt seja um bom ator dramático. Em <em>O Curioso Caso de Benjamin Button</em>, ele tem a mesma cara e as mesmas reações de seus tenebrosos personagens de <em>Lendas da Paixão</em> e <em>Encontro Marcado</em>. O filme de David Fincher depende sim, senhor, da atuação de Brad Pitt. No início, enquanto Button ainda é um &#8220;jovem idoso&#8221;, os efeitos digitais e a maravilhosa maquiagem até ajudam o astro. Depois, quando o velhinho vira o marido de Angelina Jolie, o filme cai junto com o ator. Colocar Steven Seagal ali daria na mesma. Ou seja, pede pra sair!</p>
<p style="text-align: justify;">O problema é Brad Pitt, pois o elenco de apoio está sensacional. Começo por Taraji P. Henson, a mãe de criação de Benjamin Button. Que atriz, senhoras e senhores! Cate Blanchett, como sempre, é magistral. Tilda Swinton, a mulher feia mais talentosa do cinema atual também tem seu momento para brilhar. É um belíssimo elenco.</p>
<p style="text-align: justify;">Analisando outro tópico, muita gente compara a estrutura do roteiro com <em>Forrest Gump</em>, mas acho que isso se deve apenas ao tipo de história que o roteirista Eric Roth gosta de contar. <em>Benjamin Button</em> tem até a sua dose de drama, aventura, humor e&#8230; &#8220;Faz de conta&#8221;. Mas o clássico moderno de Robert Zemeckis dá de 10 a 0 no pior filme de David Fincher desde sua estréia em <em>Alien 3</em>. Aliás, acho que o roteiro de Eric Roth é bem rico. Detesto dizer isso, mas é o próprio diretor que parece distante emocionalmente. Se o restante do filme, no entanto, tivesse a mesma energia e criatividade da abertura sobre o &#8220;relógio ao contrário&#8221; e a melhor seqüência de todas, que ilustra uma narração de Benjamin Button sobre todos nós estarmos numa &#8220;rota de colisão&#8221;, aí sim o filme seria merecedor de elogios eufóricos.</p>
<p style="text-align: justify;">Direção de arte refinada? Confere. A melhor maquiagem de 2008? Confere. Figurinos impecáveis? Confere. Fotografia deslumbrante? Confere. Uma bela trilha sonora? Confere. Tecnicamente, <em>O Curioso Caso de Benjamin Button</em> é perfeito. Um filme fácil de admirar, mas difícil de amar. Acaba sendo curioso mesmo, como diz o título. Mas, infelizmente, não é a obra-prima que poderia ter sido. Tampouco é um grande filme, mas um filme grande com seus imensos 166 minutos. Você pode dizer: &#8220;Ah, mas a vida é longa.&#8221; Ok, mas ao que parece, de trás pra frente, a vida não é uma caixa de bombom.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>O Curioso Caso de Benjamin Button</em></strong> (<em>The Curious Case of Benjamin Button</em>, 2008)<br />
<strong>Direção:</strong> David Fincher<br />
<strong>Roteiro:</strong> Eric Roth (Baseado no conto de F. Scott Fitzgerald)<br />
<strong>Elenco:</strong> Brad Pitt, Cate Blanchett, Tilda Swinton, Julia Ormond, Taraji P. Henson, Elias Koteas, Jason Flemyng e Joeanna Sayler</p>
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		<title>Queime Depois de Ler</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Oct 2008 14:54:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<category><![CDATA[irmãos coen]]></category>

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32ª Mostra Internacional de Cinema
Demorou um pouco, mas eu não levo mais o cinema dos Irmãos Coen a sério. Deixe-me explicar melhor: Eles dominam a linguagem cinematográfica e são abastados intelectualmente, mas não chamo a filmografia dos Coen de &#8220;cinema sério&#8221;. Também não sou da turma que considera Onde os Fracos Não Têm Vez, Fargo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/trsestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<div style="text-align: justify;"><a href="http://4.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/SQcoMu-IThI/AAAAAAAAEHQ/YrCAt_4GRZU/s1600-h/Burn+After+Reading.jpg" onclick="urchinTracker('/outgoing/4.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/SQcoMu-IThI/AAAAAAAAEHQ/YrCAt_4GRZU/s1600-h/Burn+After+Reading.jpg?referer=');"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262218888837877266" style="text-align: center; margin: 0px auto 10px; width: 400px; display: block; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/SQcoMu-IThI/AAAAAAAAEHQ/YrCAt_4GRZU/s400/Burn+After+Reading.jpg" border="0" alt="" /></a></div>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>32ª Mostra Internacional de Cinema</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Demorou um pouco, mas eu não levo mais o cinema dos Irmãos Coen a sério. Deixe-me explicar melhor: Eles dominam a linguagem cinematográfica e são abastados intelectualmente, mas não chamo a filmografia dos Coen de &#8220;cinema sério&#8221;. Também não sou da turma que considera <em>Onde os Fracos Não Têm Vez</em>, <em>Fargo</em> e <em>Gosto de Sangue</em> como trabalhos maduros dos irmãos cineastas mais loucos da História. Para mim, os sensacionais Joel e Ethan Coen desafiam o público que se acha esperto acima da média com um humor negro inteligente, irônico, imprevisível. E pelo jeito desencanado de Joel e Ethan no último Oscar, e por <strong><em>Queime Depois de Ler</em></strong> (<em>Burn After Reading</em>, 2008), o filme seguinte da dupla ao prêmio da Academia, eles querem mesmo é rir da nossa cara.</p>
<p style="text-align: justify;">Tem gente que não vê isso, mas os Coen também querem avacalhar o cinemão. As homenagens aos gêneros favoritos de Joel e Ethan jamais são deixadas de lado. Mas o importante na filmografia dos irmãos é mostrar que Hollywood e os próprios cinéfilos se levam a sério demais &#8211; como os filmes de espionagem, por exemplo, que são o alvo dos Coen em <em>Queime Depois de Ler</em>. Não sei se isso é bem uma sátira. Eles simplesmente não encaram o gênero sem dar risada.</p>
<p style="text-align: justify;">Enfim, qual é o problema com filmes que não se levam a sério? Não vejo um sequer. Ainda mais quando o cinema em questão é feito com extrema inteligência e muita classe. E no caso de <em>Queime Depois de Ler</em>, a força do texto e a entrega do elenco fazem da comédia dos Coen um programão engraçadíssimo, obrigatório e de fácil aceitação. Só que muitos dirão: &#8220;Nossa, isso que é humor inteligente!&#8221; Bom, de fato é. Mas os Coen estão é tirando uma com a nossa cara. Você pode até encontrar paralelos com a paranóia norte-americana pós-11 de setembro e o conseqüente pessimismo generalizado, que viraram temas do atual cinema hollywoodiano. Só que o importante aqui é a diversão. Somos enganados o tempo todo pelos irmãos e adoramos isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao contrário do humor implícito na trama de <em>Onde os Fracos Não Têm Vez</em>, filme que consagrou Joel e Ethan em Hollywood, <em>Queime Depois de Ler</em> é muito escrachado, explícito, descarado. A risada rola solta do início ao fim com os mesmos absurdos que já vimos antes nos melhores filmes dos Coen. Por isso, alguns dirão que é um filme menor da dupla, afinal é uma comédia assumida e <em>blá blá blá</em>. Também não é pesado como <em>Onde os Fracos Não Têm Vez</em>, <em>Fargo, Gosto de Sangue </em>e <em>blá blá blá</em>. Mas eu já digo que é o mesmo tipo de filme de novo e de novo.</p>
<p style="text-align: justify;">Comparando os dois últimos longas dos Coen, como <em>Onde os Fracos Não Têm Vez</em>, a trama de <em>Queime Depois de Ler</em> vai do nada a lugar nenhum. Tudo gira em torno de um grande mal-entendido protagonizado por pessoas estúpidas, que se empolgam com uma oportunidade que parece ter caído do céu para dar significado a suas vidinhas patéticas. E a ação envolve mais e mais personagens até descambar para uma conclusão sangrenta, onde ninguém aprende nada além do que já se sabia no início do filme. Ou seja, no fim, não quer dizer coisa alguma. Vai do nada a lugar nenhum. A principal diferença entre os dois filmes é: <em>Queime Depois de Ler</em> é assumidamente ridículo, o que deixa essa viagem muito mais divertida.</p>
<p style="text-align: justify;">Se é para avacalhar com o mundo certinho e os valores de uma sociedade triste e hipócrita, eu prefiro os Coen palhaços de <em>Queime Depois de Ler</em>. É a melhor comédia da dupla desde <em>O Grande Lebowski</em> e, talvez, a mais engraçada do ano. Mais do que <em>Trovão Tropical</em>, de Ben Stiller. Mas os Coen advertem: Só os inteligentes conseguirão rir. Outros, desculpem-me, acharão tudo muito estúpido no pior sentido da palavra.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, uma atenção especial ao elenco de <em>Queime Depois de Ler</em>, um dos mais afinados do ano. Todos estão bem a vontade e hilariantes &#8211; George Clooney, Tilda Swinton e John Malkovich. Mas destaco J.K. Simmons, Richard Jenkins, equilibrado no papel do sujeito mais &#8220;normal&#8221; do filme e, principalmente, Frances McDormand e Brad Pitt, que estão insanos. Pitt, aliás, talvez esteja no maior momento de sua carreira. Todas as suas cenas são de rachar o bico de tanto rir. E fique ligado na cena inesquecível de <em>Queime Depois de Ler</em>, que envolve Brad Pitt, George Clooney e um armário. Chorei de rir. É bobagem da grossa, mas também é a síntese do cinema dos Coen.</p>
<p>O recado é o seguinte: O cinema não tem a obrigação de ser sempre, mas também pode ser divertido. Para quem compreende esta mensagem (aliás, inserida no título do filme), <em>Queime Depois de Ler</em> é um dos melhores e mais empolgantes filmes de 2008.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Queime Depois de Ler</em></strong> (<em>Burn After Reading</em>, 2008)<br />
<strong>Direção:</strong> Joel Coen e Ethan Coen<br />
<strong>Roteiro:</strong> Joel Coen e Ethan Coen<br />
<strong>Elenco:</strong> George Clooney, Frances McDormand, John Malkovich, Brad Pitt, Tilda Swinton, J.K. Simmons, Richard Jenkins, David Rasche e Olek Krupa</p>
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