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	<title>Hollywoodiano: Cinema em alta definição &#187; brad pitt</title>
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		<title>Bastardos Inglórios</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 22:31:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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No Oscar 2002, a Miramax levantou uma polêmica contra seu principal concorrente na categoria de Melhor Filme: Uma Mente Brilhante, da Dreamworks. Segundo os irmãos Harvey e Bob Weinstein, chefões da Miramax, o filme de Ron Howard distorce os tais fatos reais escancarados na campanha de divulgação da cinebiografia de John Nash, interpretado brilhantemente por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/cincoestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1392" title="If you call me Benjamin Button again..." src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2009/10/If-you-call-me-Benjamin-Button-again....jpg" alt="If you call me Benjamin Button again..." width="600" height="300" /><br />
No Oscar 2002, a Miramax levantou uma polêmica contra seu principal concorrente na categoria de <em>Melhor Filme</em>: <em>Uma Mente Brilhante</em>, da Dreamworks. Segundo os irmãos Harvey e Bob Weinstein, chefões da Miramax, o filme de Ron Howard distorce os tais fatos reais escancarados na campanha de divulgação da cinebiografia de John Nash, interpretado brilhantemente por Russell Crowe. Algumas pessoas ficaram do lado da Miramax, outras apoiaram a Academia, que acabou premiando <em>Uma Mente Brilhante</em> mesmo assim. Em resposta, Ron Howard e sua equipe alegaram que trata-se de um filme e não de realidade. Agora, eu fico aqui tentando imaginar o que a The Weinstein Company pensa sobre <em><strong>Bastardos Inglórios</strong></em> (<em>Inglourious Basterds</em>, 2009), produção que leva o selo de garantia da nova casa de Harvey e Bob. Duas coisas que posso tirar disso: Os Weinsteins só entendem de marketing, enquanto Quentin Tarantino é um gênio do cinema.</p>
<p style="text-align: justify;">Já vimos filmes de guerra de todos os tipos e tenho certeza que Tarantino viu muito mais. Há tempos querendo fazer seu próprio exemplar do gênero, Tarantino, que é um dos cineastas mais originais da atualidade, não cairia na tentação de montar seu filme à imagem e semelhança de <em>O Resgate do Soldado Ryan</em>, como todas as outras produções do gênero fazem desde então. E já estava mais do que na hora de alguém injetar um pouco de ânimo no cinema bélico. Como Sergio Leone nos <em>westerns</em>, Tarantino fez de <em>Bastardos Inglórios</em> o seu <em>war spaghetti</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Os conhecimentos gerais de Tarantino o tornam a pessoa certa para esta missão. São conhecimentos não exatamente das regras da cartilha cinematográfica, mas daquilo que se vê em filmes. Falo da magia que leva o cinéfilo a se apaixonar por cenas memoráveis e a decorar inúmeros diálogos. A educação cinéfila é a base de Tarantino. Carregado de humor, vigor, paixão e no total controle de seu ofício, o diretor mostra que seu compromisso não é com a História da humanidade, mas com a história da sétima arte. O diretor de <em>Pulp Fiction</em> e <em>Kill Bill</em> relembra que ir ao cinema é, acima de tudo, um evento. O público compra ingressos para ver o show e, lá no fundo, quer se acabar num grande espetáculo maior que a vida. Se quiséssemos uma aula de história, não iríamos ao cinema, certo? Sei que muitos não concordam comigo neste ponto, mas o cinema não pode se acostumar com a realidade. Claro que também não pode se tornar 100% escapista. Mas, de vez em quando, é muito bom lembrar como nos apaixonamos pelos filmes. E Tarantino é um sujeito que mantém esse sentimento vivo dentro de cada um de nós.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1391" title="Call it, Friendo" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2009/10/Call-it-Friendo.jpg" alt="Call it, Friendo" width="600" height="300" /><br />
Se a guerra de <em>Bastardos Inglórios</em> não está nos livros, ela pode ser desvendada ou aprendida na história do cinema. Passe numa locadora e leve com você os DVDs de <em>Rastros de Ódio</em>, de John Ford, <em>Era uma Vez no Oeste</em>, de Sergio Leone, <em>Ser ou Não Ser</em>, de Ernst Lubitsch, <em>Os Doze Condenados</em>, de Robert Aldrich, e <em>Fugindo do Inferno</em>, de John Sturges &#8211; só para citar alguns. Procure também por <em>Fervura Máxima</em>, de John Woo, além de todos os filmes de Quentin Tarantino com seus diálogos longos e inteligentes, tão nervosos e divertidos quanto as cenas orquestradas pelo diretor. Não quero contar onde vi referências a cada um desses filmes em <em>Bastardos Inglórios &#8211; </em>para não estragar sua experiência -, mas repare na bela sequência que abre o filme e tente não lembrar de John Ford e Sergio Leone. Tente não lembrar dos clímaxes de <em>O Poderoso Chefão</em> (partes I e III), de Francis Ford Coppola, e <em>O Homem que Sabia Demais</em>, de Alfred Hitchcock, no final de <em>Bastardos Inglórios</em>, que se passa em um cinema lotado.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando lemos a sinopse de <em>Bastardos Inglórios</em>, entendemos que é a História como ela é: &#8220;Grupo de soldados judeus tenta promover o Holocausto Nazista caçando e executando oficiais do exército de Hitler na Segunda Guerra Mundial.&#8221; Ah, mas Quentin Tarantino começa seu filme escrevendo na tela: &#8220;Era uma vez numa França ocupada por nazistas&#8221;. Pronto. Em sua guerra cinematográfica, o &#8220;era uma vez&#8221; lhe dá liberdade para fazer o que quiser daqui em diante. Dane-se a História. No filme que você vai ver, esqueça tudo o que aprendeu nos livros. Esqueça também que ninguém ouvia David Bowie na Segunda Guerra. Apenas&#8230; aproveite a viagem de Tarantino.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Bastardos Inglórios</em> é um diálogo de cinéfilo para cinéfilo. Não é somente sobre os  tais &#8221;bastardos&#8221;. Também não são três histórias. São três linhas que compõem uma trama. É basicamente um filme sobre um herói caipira, um nazista sádico, engraçado e inteligentíssimo, e uma bela garota.</p>
<p style="text-align: justify;">O herói caipira é o tenente Aldo Raine - Hmm, Aldo Ray? -, interpretado por um divertido Brad Pitt, que sempre se sai melhor em papéis cômicos e bizarros, do que na pele de personagens extremamente dramáticos. Ele lidera os &#8220;Bastardos Inglórios&#8221;, que espalham o terror entre os nazistas. O filme também é sobre Hans Landa, o agente do Führer popularmente conhecido como &#8220;Caçador de Judeus&#8221;. Suas palavras são tão perigosas quanto suas mãos nos pescoços de suas vítimas ou suas armas de fogo guardadas em algum lugar de seu uniforme. O imprevisível e genial Hans Landa é interpretado pelo ator austríaco Christoph Waltz, recém-descoberto por Quentin Tarantino e que ainda vai dar muito o que falar. Waltz só não rouba o filme porque <em>Bastardos Inglórios</em> é uma obra-prima. Ele é uma das partes essenciais de um todo. Finalmente, temos a jovem judia Shosanna (nomezinho saído do bom humor de Tarantino, que é muito mais engraçado quando pronunciado corretamente). Na verdade, ela é o coração do filme. Sua presença remete, entre outros tantos filmes, à Noiva de <em>Kill Bill</em>. Shosanna, que faz a câmera de Tarantino se ajoelhar de paixão em cada <em>frame</em>, arquiteta um plano para se vingar do algoz de sua família, que é ninguém menos que o diabólico Hans Landa.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1388" title="I love you Shosanna" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2009/10/I-love-you-Shosanna.jpg" alt="I love you Shosanna" width="600" height="300" /><br />
E que ninguém jamais acuse Tarantino de ser um imitador. Para chegar até este filme, que é sua obra-prima, ele apresentou seu estilo próprio com, principalmente, <em>Cães de Aluguel</em>, <em>Pulp Fiction</em> e <em>Kill Bill</em>. Já estamos acostumados com Tarantino. Agora, mesmo desbravando terrenos clássicos do cinema, com direção de arte, figurinos e fotografias de deixar qualquer cinéfilo de queixo caído, Tarantino continua sendo Tarantino. Um pouco mais maduro, é verdade. Mas ainda continua sendo &#8220;o cara&#8221;, que tem a audácia de subverter a História em nome do amor pelo cinema, com uma coragem que poucos cineastas antes dele tiveram. É &#8220;o cara&#8221; que termina seu filme com Brad Pitt dizendo (sem a mínima vergonha): &#8220;Acho que fiz a minha obra-prima&#8221;. Assino embaixo, Sr. Tarantino.</p>
<p><strong><em>Bastardos Inglórios</em></strong> (<em>Inglourious Basterds</em>, 2009)<br />
<strong>Direção e roteiro:</strong> Quentin Tarantino<br />
<strong>Elenco:</strong> Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz, Eli Roth, Michael Fassbender, Diane Kruger, Daniel Brühl, Til Schweiger, Gedeon Burkhard, Jacky Ido, B.J. Novak, Omar Doom, August Diehl e Denis Menochet</p>
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