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	<title>Hollywoodiano &#187; clint eastwood</title>
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		<title>J. Edgar</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Mar 2012 21:52:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<category><![CDATA[clint eastwood]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é uma biografia de Hoover. É uma biografia da América.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/trsestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p><a rel="attachment wp-att-9524" href="http://www.hollywoodiano.com/2012/03/j-edgar-2/clint-1/"><img class="aligncenter size-full wp-image-9524" title="clint 1" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/03/clint-1.jpg" alt="clint 1" width="600" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">No começo de <strong><em>J. Edgar</em></strong> (2011), o lendário diretor do FBI narra sua biografia, quando é questionado sobre o que ele mais ama na vida. Seria o Bureau? O poder? Sua mãe, com quem morou até a morte dela? Ou seria o colega de trabalho Clyde Tolson?</p>
<p style="text-align: justify;">Na visão do diretor Clint Eastwood, todos os amores de John Edgar Hoover  também o levaram a uma morte lenta e dolorosa. O mais interessante na abordagem do cineasta é fazer de seu filme uma biografia da América sob o ponto de vista de Hoover. Vemos apenas o que ele vê – ponto também para o roteiro de Dustin Lance Black (<em>Milk</em>).</p>
<p style="text-align: justify;">O protagonista se baseia no que viu de mais importante nos 48 anos que ficou à frente do FBI para contar o seu lado da história americana de preconceitos, desigualdades e violência como trampolins para se alcançar o poder absoluto. Para o bem ou para o mal.</p>
<p style="text-align: justify;">Guiado por seus próprios medos, Hoover oscila entre o patriota acima de todas as coisas e o sujeito de duas caras que joga com seus superiores para ficar no topo. Ele é o reflexo de uma nação construída com ódio, indiferença e sangue. O Hoover de Clint é o sonho americano convertido numa inevitável tragédia humana.</p>
<p style="text-align: justify;">Com bem costuradas idas e vindas no tempo, o diretor situa o espectador na rotina do personagem interpretado brilhantemente por Leonardo DiCaprio, que compõe um homem notavelmente poderoso, mas extremamente infeliz. Um homem que teve tudo e nada ao mesmo tempo. Sufocado por seu status, pelo peso que ele mesmo colocou em suas costas.</p>
<p style="text-align: justify;"><a rel="attachment wp-att-9525" href="http://www.hollywoodiano.com/2012/03/j-edgar-2/clint-2-2/"><img class="aligncenter size-full wp-image-9525" title="clint 2" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/03/clint-2.jpg" alt="clint 2" width="600" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A direção de Clint alterna olhares elegantes e contundentes, enquanto observa a importância de Hoover, assim como seus exageros e escorregões no comando do FBI, paralelamente à insconsciente abdicação de seus desejos como ser humano. Como sua homossexualidade reprimida, que o motiva a reeditar a sua saga, pelo menos a que ficará registrada eternamente na História. Ou seja, nunca acredite em tudo aquilo que você lê. É como se o diretor dissesse: “É preciso questionar fatos históricos e seus mitos, meninos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo bem que nós sabemos que este não é um dos melhores filmes de Clint Eastwood. Mas seus feitos sempre valem mais que qualquer bobagem que esteja passando na sala de cinema ao lado. Por exemplo, <em>J. Edgar</em> tem duas cenas magníficas. A do beijo libertador, arrancado à força, mas exalando paixão – a reação de Leonardo DiCaprio é sublime ao sussurrar seu verdadeiro sentimento. Há também a cena em que seu personagem se olha no espelho com o vestido da recém-falecida mãe (Judi Dench). Não temos ali um travesti, mas visivelmente o reflexo de todo o amor de Hoover pela mãe.</p>
<p style="text-align: justify;">É verdade que a maquiagem pesada, como recurso para envelhecer os personagens, assusta no início do filme. Mas logo nos acostumamos. Porque é fácil embarcar numa história contada por quem domina o ofício. Clint não erra. Um cineasta simples, que sempre diz muito. Alguém que já chegou a dizer que “Para ser um bom diretor basta ter um bom roteiro e um bom montador. Porque é preciso ser muito burro pra estragar tudo”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>J. Edgar</em></strong> (<em>J. Edgar</em>, 2011)<br />
<strong>Direção:</strong> Clint Eastwood<br />
<strong>Roteiro:</strong> Dustin Lance Black<br />
<strong>Elenco:</strong> Leonardo DiCaprio, Armie Hammer, Naomi Watts, Judi Dench, Jeffrey Donovan, Damon Herriman, Ken Howard, Stephen Root, Josh Lucas, Dermot Mulroney e Ed Westwick</p>
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		<title>Além da Vida</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Jan 2011 01:10:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Clint Eastwood escreve certo por linhas tortas]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/trsestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-6773" title="Hereafter_1" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2011/01/Hereafter_1.jpg" alt="Hereafter_1" width="600" height="257" /><br />
Você já deve ter lido ou escutado pensamentos como &#8220;A morte não é o fim, mas um novo começo&#8221;. Acredito que a maioria interprete isso como um comentário otimista sobre o que acontece com aqueles que partiram, um devaneio sobre a vida após a morte. Mas para Clint Eastwood, em <strong><em>Além da Vida</em></strong> (<em>Hereafter</em>, 2010), o pensamento está direcionado àqueles que ainda estão vivos, mas que acabaram de perder um ente querido. Para o cineasta, este &#8220;novo começo&#8221; é aqui e agora. E é uma dica estimulante, até porque muitos que passam por isso se entregam a um natural e compreensível período de sofrimento e dor.</p>
<p style="text-align: justify;">Stanley Kubrick disse certa vez que filmes de terror são otimistas, afinal comprovam que há vida após a morte. O longa de Clint Eastwood está longe de se encaixar no gênero, mas mantém essa aura otimista. Por mais que flerte com o sobrenatural, ele está interessado nos vivos. Mas sua habilidade como contador de histórias é inegável ao ponto que consegue manter interessado tanto o espectador cético quanto os que acreditam no Céu e no Inferno.</p>
<p style="text-align: justify;">Clint olha para três situações diferentes, guiadas por Marie LeLay (Cécile De France), uma jornalista francesa que escapa da morte durante o massacre do tsunami de 2004, que não consegue se desprender de tal experiência traumática; além do americano George Lonegan (Matt Damon), um médium que acredita ter uma maldição e não um dom, e o menino inglês Marcus (Frankie McLaren e George McLaren), que perde seu irmão gêmeo – e único companheiro – em um acidente estúpido.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-6775" title="Hereafter_2" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2011/01/Hereafter_2.jpg" alt="Hereafter_2" width="600" height="300" /><br />
Tanto o tsunami quanto a tragédia envolvendo o menino são fatalidades que acontecem sem aviso prévio em nossas vidas. Estamos tão vivos, quando somos jovens, que esquecemos que podemos morrer a qualquer segundo. E escapar da morte é uma experiência que costuma deixar feridas que jamais cicatrizam. É o que acontece com Marie e Marcus. No caso de George, ele se recusa a ganhar dinheiro com seus “poderes”, porque passou tanto tempo fazendo isso, em contato com o mundo dos mortos, que esqueceu o que é estar vivo. Numa cena fantástica, ao lado de uma nova amiga, Melanie (Bryce Dallas Howard), que pode levá-lo a viver um relacionamento normal após muito tempo, George degusta diversos sabores durante uma aula de culinária com os olhos vendados. Mesmo sem ver o que está provando, ele vivencia sensações extraordinárias com a força do paladar. E tenta fazer com que Melanie sinta o mesmo. De certa forma, há um certo erotismo nesta cena – Clint ilustra sensações que comprovam que estamos vivos.</p>
<p style="text-align: justify;">O filme tem outras três sequências soberbas e o destaque vai para a assustadora tsunami. A sensação de horror, desespero, a grandiosidade da situação, com a morte chegando para roubar a nossa vida, toda a sequência destroi qualquer filme da série <em>Premonição</em>. E é melhor que o <em>2012</em> de Roland Emmerich inteiro. Há também a cena do metrô, protagonizado pelo garoto, que é de arrepiar, você vai ver. São duas sequências que não deixam dúvidas de que Clint Eastwood sabe dirigir qualquer coisa. É um cineasta que acredita no cinema como uma viagem ao lado de lá da tela. Mas a melhor das cenas de <em>Além da Vida</em> não tem sustos nem efeitos visuais e mostra o quanto Clint está focado na história e em seus atores – e o quanto roteiro e elenco são importantes na realização de um filme. É simples: George finalmente encontra Marcus, que quer se comunicar com o irmão falecido. Ao perder contato com a alma do menino, George vê nos olhos de Marcus a decepção. Imediatamente, ele inventa uma história para o garoto, para que este encontre a paz em vida. É tocante como Clint arranca essa emoção da sutileza. Um gesto que aproxima os dois personagens da vida. Mais tarde, você vai ver, o menino retribui o carinho que resulta numa cena final que beira o sublime.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-6774" title="Hereafter_3" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2011/01/Hereafter_3.jpg" alt="Hereafter_3" width="600" height="256" /><br />
Mesmo assim, <em>Além da Vida</em> está longe da perfeição. Um filme não se sustenta somente com cenas muito bem dirigidas. É o roteiro de Peter Morgan (<em>A Rainha</em>, <em>Frost/Nixon</em>, <em>O Último Rei da Escócia</em>) que atrapalha, com problemas evidentes no desenvolvimento das situações e até mesmo nos diálogos pobres fora do segmento conduzido por Matt Damon. Apoiado em clichês, o politizado roteirista, inclusive, admitiu não acreditar na vida após a morte. Talvez não tenha se inspirado fora de seu habitat, o que é compreensível.  Mas faz o filme perder pontos.</p>
<p style="text-align: justify;">Também acho que Clint não acredite no além da vida. Mas, como diretor, ele se esforça para conduzir as três histórias até seus inevitáveis encontros. E eles acontecem de forma plausível, suave, sem exageros. Mas até chegar lá, fica difícil conduzir a trama de Marie exigindo total atenção do público. Somente a cena do tsunami vale essa passagem do filme. A trama do menino é menos desinteressante que a da jornalista francesa, mas não tem a força da situação vivida pelo personagem de Matt Damon, que está ótimo.</p>
<p style="text-align: justify;">Bravamente, Clint faz o que pode para segurar o filme, que, no fim, parece até uma produção europeia no que diz respeito ao ritmo. Mesmo com a falta de paixão no texto preguiçoso de Peter Morgan, o diretor acaba escrevendo certo por linhas tortas. Afinal, Clint não erra.</p>
<p><em>(Otavio Almeida)</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Além da Vida</em></strong> (<em>Hereafter</em>, 2010)<br />
<strong>Direção:</strong> Clint Eastwood<br />
<strong>Roteiro:</strong> Peter Morgan<br />
<strong>Elenco:</strong> Matt Damon, Cécile de France, Bryce Dallas Howard, Frankie McLaren e George McLaren</p>
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		<title>Invictus</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 01:25:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mais um belo filme de Clint Eastwood]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/quatroestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2596" title="Invictus 3" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/01/Invictus-3.jpg" alt="Invictus 3" width="600" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">Ao analisar o pensamento &#8220;triste do povo que precisa de heróis&#8221;, de Bertold Brecht, você precisa entender o referencial para julgar se o ditado é certo ou errado. No caso do estado de oposição entre brancos e negros na África do Sul, quando Nelson Mandela deixou a prisão em 1990, o país realmente precisava de heróis ou mitos, e que sua história fosse reescrita por feitos extraordinários de grandes homens, capazes de darem ao povo a esperança e a força necessárias para levantar da cama todos os dias. Que ninguém pense que <strong><em>Invictus</em></strong> (<em>Invictus</em>, 2009) é a cinebiografia de Nelson Mandela. Trata-se da visão de mundo do Clint Eastwood da Era Obama, que continua o grande diretor-autor que sempre tem algo a dizer, mas que cultiva a esperança na humanidade desde que realizou <em>A Troca</em>, em plena mudança de governo nos EUA.</p>
<p style="text-align: justify;">E falar desta parte da vida de Nelson Mandela inspirou Clint Eastwood a seguir em frente com o cinema que gosta de fazer. Menos amargo, é verdade, dos tempos de <em>Os Imperdoáveis</em>, <em>Sobre Meninos e Lobos</em> e <em>Menina de Ouro</em>. Mais otimista, como em seus últimos filmes (<em>A Troca</em> e <em>Gran Torino</em>). Mais uma vez, pensando na América moderna, mesmo que esteja usando outro território (a África do Sul). Mais uma vez falando de intolerância racial e da relação problemática entre pais e filhos, que jamais se reconciliam, em um mundo dominado pela raiva e a violência. Todos esses elementos estão nos filmes de Clint Eastwood. Agora, ele só mostra mais otimismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, é curioso ver como Clint é um diretor diferenciado. Quando faz filmes de guerra, como <em>A Conquista da Honra</em>, foge do óbvio e se concentra em um símbolo, como a foto clássica dos soldados americanos erguendo a bandeira na batalha de Iwo Jima. Em <em>Invictus</em>, diferente da maioria dos diretores que tocam no delicado tema do racismo, Clint não fala diretamente sobre injustiças, crimes ou atos de violência, mas olha para a união das raças e imagina o fim da intolerância, usando o esporte como símbolo. Comento isso porque muitos acham o cinema de Clint Eastwood demasiadamente trivial. Mas, na verdade, ele é um dos poucos diretores na atualidade que tem algo a dizer.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2597" title="Invictus 2" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/01/Invictus-2.jpg" alt="Invictus 2" width="600" height="229" /></p>
<p style="text-align: justify;">É natural que a trama de <em>Invictus </em>seja carregada de emoção. E ela pode vir de momentos tensos, mas que sempre são aliviados pela verdadeira intenção de Clint: Não há mortes ou violência em <em>Invictus</em>. É um filme situado na África sem matança generalizada, como acostumamos a ver nos últimos anos em produções como <em>Diamante de Sangue</em>, <em>Hotel Ruanda</em> e <em>O Jardineiro Fiel</em>. Sempre achei que veria, pelo menos, uma morte até o fim do filme. Mas não, Clint quer falar do lado bom do ser humano. Ele, agora, tem esperança. É como a sensação que causa a conclusão da fantástica cena do avião, mostrando que o diretor tem o público nas mãos, controlando as emoções que vão do medo ao alívio . Essa cena é a síntese da mensagem de <em>Invictus</em>, que é um dos maiores libelos contra o racismo já feito pelo cinema. É um filme, que como <em>Gran Torino</em>, segue a ideia de que o combate à violência pela violência é inútil. A violência destroi a si própria.</p>
<p style="text-align: justify;">Clint fala de temas atuais como poucos. Consegue ser moderno sem precisar colocar a câmera na bola para mostrar sua trajetória em primeira pessoa, ou fazer gracinhas com pausas e acelerações na montagem. Nem balança sua câmera na hora do jogo de rugby para alcançar mais &#8220;realidade&#8221;, como fazem nove em cada dez diretores hoje em dia. Clint é Clint. Elegante, preciso, econômico na montagem final. Filma o necessário. Nem mais, nem menos. Clint é Clint. Repare na cena de abertura, em que o diretor, em apenas um plano, situa o espectador no problema do Apartheid: Brancos jogam rugby de um lado da rua. Sem cortar a cena, a câmera vira para o outro lado da rua e mostra negros jogando futebol. Clint é Clint.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a primeira grande produção hollywoodiana sobre Nelson Mandela saiu graças a Morgan Freeman, que queria fazer este filme há muito tempo e o entregou ao amigo, que já o dirigiu em <em>Os Imperdoáveis</em> e <em>Menina de Ouro</em>. Freeman assina <em>Invictus</em> como produtor executivo e apresenta uma atuação que transmite aquilo tudo que esperamos de Nelson Mandela. Acho que o melhor elogio à atuação de Morgan Freeman é que o ator desaparece dentro do personagem.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2598" title="Invictus 1" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/01/Invictus-1.jpg" alt="Invictus 1" width="600" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">O Mandela de Morgan Freeman e Clint Eastwood esbanja carisma e liderança naturais, dando aula de humanidade, cidadania e, sobretudo política. É como um bom político deveria ser, colocando sua autoridade à serviço do povo, que é a verdadeira família do governante. <em></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Invictus</em> é um dos melhores filmes já feitos contra o racismo e, ao mesmo tempo, sobre política. Também é um dos maiores exemplares do cinema sobre esportes. Não exatamente sobre o jogo de rugby, mas especialmente sobre o espírito de união do esporte, que fingimos lembrar na época de copas e olimpíadas. Não importa quem ganhe ou perca o jogo. O que vale é o espetáculo para o povo, que paga pra ver, como no cinema. No caso de Mandela, trata-se do &#8220;pão e circo&#8221; no bom sentido. Assim que sai da prisão, vê a oportunidade de unir brancos e negros pelo esporte. É o seu primeiro passo para uma África (ou um mundo) melhor.</p>
<p style="text-align: justify;">Emocionante e inspirador à moda antiga, com música eufórica e alta em momentos de glória, e trilha melosa em cenas tristes &#8211; algumas beiram o sublime, como a visita do capitão do time de rugby, François (Matt Damon), à prisão de Mandela, <em>Invictus</em> é o tipo de filme que poderia ter sido dirigido por John Ford, que também colocaria sua câmera &#8211; no mesmo ângulo que Clint na saída do túnel que liga o vestiário aos gramados &#8211; posicionada atrás dos seguranças de Mandela, tomados pela sombra, vislumbrando o campo sendo irrigado para a partida final. Como John Wayne, na cena da porta, em <em>Rastros de Ódio</em>. Clint é Clint.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Invictus</strong></em> (<em>Invictus</em>, 2009)<br />
<strong>Direção:</strong> Clint Eastwood<br />
<strong>Roteiro: </strong>Anthony Peckham (Baseado no livro de John Carlin)<br />
<strong>Elenco:</strong> <span id="Conteudo1_lblElenco">Morgan Freeman, Matt Damon, Tony Kgoroge, Patrick Mofokeng, Matt Stern, Patrick Lyster, Penny Downie e Shakes Myeko</span></p>
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		<title>Gran Torino</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Mar 2009 18:02:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Posts]]></category>
		<category><![CDATA[clint eastwood]]></category>

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		<description><![CDATA[Um "momento John Ford" de Clint Eastwood]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/quatroestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<div style="text-align: justify;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/ScPgdkVVPwI/AAAAAAAAEnI/rG1TS8_LmxM/s1600-h/Gran+Torino+review.jpg" onclick="urchinTracker('/outgoing/1.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/ScPgdkVVPwI/AAAAAAAAEnI/rG1TS8_LmxM/s1600-h/Gran+Torino+review.jpg?referer=');"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5315338783801294594" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; height: 209px; text-align: center;" src="http://1.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/ScPgdkVVPwI/AAAAAAAAEnI/rG1TS8_LmxM/s400/Gran+Torino+review.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
Na crítica de <em>A Troca</em>, eu disse que Clint Eastwood continuava seu estudo sobre uma América intolerante, racista e acima de tudo e de todos. Disse também que a ideia de conviver em paz e de forma civilizada num país assim, só pode ser algo próximo à utopia. Mas, em <em>A Troca</em>, em plena transição da Era Bush para a Era Obama, Clint apresentou uma fagulha de esperança. Só que, para isso, faltava uma coisa: Deixar o conceito de Dirty Harry de vez no passado. Comportando-se como uma espécie de filme-testamento, <strong><em>Gran Torino</em></strong> (<em>Gran Torino</em>, 2008) traz todos os elementos vistos no cinema de Clint Eastwood pós-<em>Os Imperdoáveis</em>, obra que marcou seu amadurecimento e reconhecimento como diretor. Mas, ao mesmo tempo, parece exorcizar o que ficou de sua imagem mais popular como ator para seguir com sua fase de cineasta.Com o tom fúnebre habitual do velho Clint &#8211; desta vez o filme até abre e fecha com um velório -, <em>Gran Torino</em> fala de preconceito, fé, terceira idade, família e violência. É tudo o que você já viu muito bem distribuído entre <em>Os Imperdoáveis, Sobre Meninos e Lobos, Menina de Ouro, A Conquista da Honra, Cartas de Iwo Jima</em> e <em>A Troca</em>. Dito isso, não posso esconder que considero Clint um autor. Seus temas favoritos estão lá, mas ele jamais faz um filme igual ao outro.</p>
<p>Estranhamente, se <em>Gran Torino</em> fosse seu último trabalho (como ator e diretor), Clint teria fechado com chave de ouro seu estudo sobre a América. Sabemos que ele já está rodando <em>The Human Factor</em>, com Matt Damon e Morgan Freeman, mas <em>Gran Torino</em> tem cara de o &#8220;último filme de Clint Eastwood&#8221;. Ou é como se ele tivesse a intenção de virar uma página. Mas o próprio diretor afirmou em entrevistas que não pensou em Dirty Harry ao filmar <em>Gran Torino</em>. Até acredito nele, mas que Clint entende que o estilo de seu anti-herói grosseiro, racista e fascista já tem cheiro de mofo, ah, entende. É como se Walt Kowalski, seu personagem em <em>Gran Torino</em>, entendesse que seu tempo passou e que não adianta viver o resto de seus dias resmungando. O que ele pode fazer para essa nova geração é dar o bom exemplo.Mas antes de voltar a isso, quero ressaltar Clint Eastwood como profundo conhecedor do cinema. Ele disse que aprendeu a ser diretor observando Don Siegel e Sergio Leone. Já revelou, inclusive, que um filme bom precisa de um bom roteiro e um bom montador. Com tudo isso nas mãos, Clint acha que o diretor não tem muito a fazer ou que ele precisa ser muito ruim para estragar o que já está bem encaminhado. Em <em>Gran Torino</em>, mais do que achar que Clint Eastwood quer acabar com Dirty Harry, penso que ele tenta deixar certos valores no passado, tendo a consciência de que pode passar o bastão para uma nova era de atores e diretores.</p>
<p>Para mim, mais do que ser um filme 100% Clint, <em>Gran Torino</em> é mais uma viagem do mestre por um de seus filmes prediletos: <em>Os Brutos Também Amam</em>, de George Stevens. Aliás, o título cairia muito bem. É verdade que Clint já fez sua versão de</p>
<p><em>Os Brutos Também Amam</em> (ou homenagem) em <em>O Cavaleiro Solitário</em>, de 1985. <em>O Estranho Sem Nome</em>, filme dirigido por Clint em 1972, também tem um quê do clássico de Stevens, assim como <em>Gran Torino</em>. É basicamente a mesma trama &#8211; a diferença é que se passa nos dias de hoje e Shane (Alan Ladd) , o protagonista de <em>Os Brutos Também Amam </em>não era preconceituoso. Além disso, Shane era apaixonado por Marian (Jean Arthur) e cuidou de sua família &#8211; um sentimento substituído, em <em>Gran Torino</em>, por seus vizinhos asiáticos, que representam a aproximação e a compreensão do &#8220;outro&#8221;, algo que Clint já fez em <em>Cartas de Iwo Jima</em>. O filme tem um final completamente diferente de <em>Os Brutos Também Amam</em>, mas sua construção é idêntica.<em> </em></p>
<p>E<em> Gran Torino</em> pode ser chamado de <em>western</em> moderno. É só substituir a época atual e as gangues pelo Velho Oeste e fazendeiros inescrupulosos ou foras-da-lei. Mas, hoje, todo mundo acha que qualquer filme com trama atual envolvendo cowboys de rodeio é um faroeste contemporâneo. Enfim, o conceito de <em>western</em> está em <em>Gran Torino</em>. Não o cenário.</p>
<p>Sem medo de ser imperfeito, sem câmera de mão tremendo, nem a moderninha montagem frenética que move nove entre dez filmes atuais, <em>Gran Torino</em> pode olhar para o futuro do cinema, mas ainda é um exemplar à moda antiga. Clint é um habilidoso contador de histórias e, para isso, sabe que é preciso um pouco de paciência para se contruir trama, personagens, conflitos. Hoje em dia, é incrível constatar como Clint é capaz de deixar a platéia rindo e chorando numa montanha russa de emoções. Como ele consegue fazer com que o público se importe com um homem tão desprezível quando Walt Kowalski? Aí acho melhor estudar um pouco de John Ford, que apresentava protagonistas de aparência simples, mas de corações extremamente complexos. <em>Gran Torino</em> é o &#8220;momento John Ford&#8221; de Clint Eastwood. E esse é um dos melhores filmes do maior diretor da década.</p>
<p><strong><em>Gran Torino</em></strong> (<em>Gran Torino</em>, 2008) <strong><br />
Direção:</strong> Clint Eastwood <strong><br />
Roteiro:</strong> Nick Schenk e Dave Johannson<br />
<strong>Elenco:</strong> Clint Eastwood, Christopher Carley, Bee Vang, Ahney Her, Brian Haley, Geraldine Hughes e Chee Thao</div>
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		<title>A Troca</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jan 2009 17:14:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<category><![CDATA[angelina jolie]]></category>
		<category><![CDATA[clint eastwood]]></category>

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		<description><![CDATA[
 Angelina é a Eva de Clint Eastwood, que atordoa o paraíso dos homens


Clint Eastwood já dirigia filmes antes de Bird, de 1988, que lhe rendeu o Globo de Ouro. Mas foi em 1992, com Os Imperdoáveis, que ele comprovou sua maturidade e foi recompensado com o Oscar de Melhor Filme e Melhor Diretor. Depois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/trsestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<div style="text-align: center;"><a href="http://4.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/SWzMLkCnlLI/AAAAAAAAEWU/Bfj-tt5RLD8/s1600-h/A+TROCA.jpg" onclick="urchinTracker('/outgoing/4.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/SWzMLkCnlLI/AAAAAAAAEWU/Bfj-tt5RLD8/s1600-h/A+TROCA.jpg?referer=');"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290828161278776498" style="border: 0pt none; margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; height: 239px; text-align: center;" title="Angelina é a Eva de Clint Eastwood, que atordoa o paraíso dos homens" src="http://4.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/SWzMLkCnlLI/AAAAAAAAEWU/Bfj-tt5RLD8/s400/A+TROCA.jpg" border="0" alt="" width="400" height="239" /></a><span style="font-family:verdana;"><em> </em></span><em>Angelina é a Eva de Clint Eastwood, que atordoa o paraíso dos homens</em></div>
<p><em><br />
</em></p>
<p style="text-align: justify;">Clint Eastwood já dirigia filmes antes de <em>Bird</em>, de 1988, que lhe rendeu o Globo de Ouro. Mas foi em 1992, com <em>Os Imperdoáveis</em>, que ele comprovou sua maturidade e foi recompensado com o Oscar de <em>Melhor Filme</em> e <em>Melhor Diretor</em>. Depois disso, tirando um ou outro filmão (<em>Um Mundo Perfeito</em>, <em>As Pontes de Madison</em>), o grande Clint ainda se preocupava em explorar seu potencial como ator e entregou diversas produções comerciais. Algumas bacanas. Outras nem tanto.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, em 2003, com <em>Sobre Meninos e Lobos</em>, Clint assumiu de vez seu talento como cineasta. E abraçou de vez o pessimismo na América já visto em <em>Os Imperdoáveis</em>. No ano seguinte, faturou mais uma vez os Oscar de filme e direção, por <em>Menina de Ouro</em>. Em 2006, filmou duas excepcionais análises sobre a Segunda Guerra Mundial: <em>A Conquista da Honra</em> e <em>Cartas de Iwo Jima</em>. Agora, ele lança <strong><em>A Troca</em></strong> (<em>Changeling</em>, 2008), que mantém a qualidade e a marca de Clint Eastwood em cada cena, mas que também, em relação ao período pós-<em>Sobre Meninos e Lobos</em>, representa seu filme mais fraco. Se é que podemos dizer assim, afinal é um trabalho de primeira.</p>
<p style="text-align: justify;">Para mim, pela filmografia apresentada de 2000 até aqui, Clint Eastwood é o diretor da década. E incluo <em>A Troca</em> nesta seleção. Não acho que ele errou desta vez. Só&#8230; não foi tão econômico como costuma ser. Explico: Em seus melhores filmes, Clint é mestre ao supervisionar a edição. Não temos cenas em excesso, nem algo que poderia entrar para explicar melhor o filme. Nem mais, nem menos. Somente o necessário. Ou seja, ele é econômico. Já em <em>A Troca</em>, Clint se empolga e entrega um filme de 2h20, que parece ter 3h de duração.</p>
<p style="text-align: justify;">Preciosismo? Talvez não. Isso é normal na carreira de qualquer grande cineasta e outros artistas. Um amigo meu, que odeia o Clint, já me disse: &#8220;Você aconselharia Leonardo Da Vinci a dar uma pincelada a mais ou a menos numa obra como a Mona Lisa?&#8221; Quem sou eu, enfim, para ousar dizer uma coisa dessas a Clint Eastwood? De qualquer forma, fiquei com essa sensação em <em>A Troca</em>. Por isso que digo que não há verdades absolutas na arte. Apenas opiniões. É gosto pessoal.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda assim, <em>A Troca</em> é um trabalho acima da média, competente até a última cena. A reconstituição de época, que passa da década de 20 para os anos 30 da depressão americana, é um primor em detalhes registrados em cenários, figurinos, maquiagem e a fotografia de Tom Stern &#8211; aliás, a habitual escuridão das lentes deste diretor de fotografia nos filmes de Clint é equilibrada aqui com uma curiosa, rara e muito bem-vinda superexposição de luzes. Trata-se de um sinal de esperança na filmografia do diretor? Ou simples capricho visual? Eu acho que se trata de esperança, mas volto nisso mais tarde.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isso a favor de um Clint Eastwood que retorna a um tema doloroso, mas que marca sua filmografia: Pais desesperados em um mundo violento convivendo com a dor (ou a possibilidade) da perda de um filho. Isso é bem claro em <em>Sobre Meninos e Lobos</em> e <em>Menina de Ouro</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>Os Imperdoáveis</em> e <em>Sobre Meninos e Lobos</em>, por exemplo, os respectivos personagens de Clint Eastwood e Sean Penn deixam uma vida de crimes para trás graças aos filhos, à família. Abandoná-los é como retornar a um caminho de trevas, solidão e violência. O tema &#8220;pais &amp; filhos&#8221; também está em <em>A Conquista da Honra</em> e <em>Cartas de Iwo Jima</em> &#8211; neste último, o personagem de Ken Watanabe, prefere partir ao lado dos &#8220;filhos&#8221; a viver nas sombras. E em todos esses filmes, Clint segue com seu pessimismo não somente na América, mas na Humanidade que se espelha nos EUA, já que citei o &#8220;japonês&#8221; <em>Cartas de Iwo Jima</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, em <em>A Troca</em>, Clint parte do mesmo princípio, só que explorando um lado até então inexistente em seus filmes: a esperança. E simbolizada aqui pela pura, doce e inocente figura da mãe, interpretada por Angelina Jolie, que passa pelos mesmos medos e inseguranças de Sean Penn, em <em>Sobre Meninos e Lobos</em>. Mas enquanto Penn utiliza a força bruta masculina, Angelina jamais abdica de sua feminilidade para combater a injustiça e encontrar sua merecida paz de espírito.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela está ótima sob a direção de Clint, mas dizer que o filme vale somente pela atriz é um equívoco. <em>A Troca</em> é 100% Clint Eastwood, mas apresenta uma Angelina Jolie surpreendente em sua atuação. A trama não depende exclusivamente de sua Christine Collins, que luta contra a corrupção e o descaso da polícia de Los Angeles para encontrar seu filho desaparecido. <em>A Troca</em> depende (e muito) de diversos personagens com falas e cenas importantes &#8211; não em histórias paralelas, mas em camadas que formam um todo, incluindo Christine Collins. Claro que Angelina é o centro das atenções, mas ela não está para o filme como Tom Hanks está para <em>Náufrago</em> ou Philip Seymour Hoffman está para <em>Capote</em>. Também não é certo dizer que o diretor fez um <em>noir</em>. Ele pode flertar com o gênero favorito de James Ellroy, mas, antes de qualquer associação, precisamos reconhecer aqui um cinema de autor. É puro Clint Eastwood.</p>
<p style="text-align: justify;">Um autor que também trabalha a imagem forte que a mulher pode ter num mundo dominado por homens desde os primórdios. Clint costuma fazer &#8220;filmes de macho&#8221;, mas quando as mulheres tomam o controle da situação, o universo masculino é reinventado. É só rever e analisar as conseqüências causadas por Meryl Streep, em <em>As Pontes de Madison</em>, Hilary Swank, em <em>Menina de Ouro</em>, e, agora, Angelina Jolie, em <em>A Troca</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">O filme dá seqüência ao estudo do cineasta sobre uma América intolerante, racista e acima de tudo e de todos. Conviver em paz e de forma civilizada num país assim, só pode ser uma utopia. Mas, desta vez, na transição da Era Bush para a Era Obama, Clint tem esperança.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>A Troca</em></strong> (<em>Changeling</em>, 2008)<br />
<strong>Direção:</strong> Clint Eastwood<br />
<strong>Roteiro:</strong> J. Michael Straczynski<br />
<strong>Elenco:</strong> Angelina Jolie, Jeffrey Donovan, John Malkovich, Michael Kelly, Jason Butler Harner, Gattlin Griffith, Eddie Alderson, Devon Conti e Colm Feore</p>
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		<title>Cartas de Iwo Jima</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Feb 2007 19:04:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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A Conquista da Honra é um filmaço, mas Cartas de Iwo Jima (Letters From Iwo Jima, 2006) é uma obra-prima profunda e verdadeira.
Há uma tristeza amarga em Cartas de Iwo Jima, mas nunca evidente. É a história do lado derrotado em uma das batalhas mais sangrentas da Segunda Guerra Mundial. Cerca de 22 mil japoneses [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/cincoestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5032210158564632946" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" src="http://bp1.blogger.com/_NGcFvkK2OTo/RdYAejhbaXI/AAAAAAAAAGI/5Em5BXBarnY/s320/iwo_jima%2520(38).jpg" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A Conquista da Honra</em> é um filmaço, mas <strong><em>Cartas de Iwo Jima</em></strong> (<em>Letters From Iwo Jima</em>, 2006) é uma obra-prima profunda e verdadeira.</p>
<p style="text-align: justify;">Há uma tristeza amarga em <em>Cartas de Iwo Jima</em>, mas nunca evidente. É a história do lado derrotado em uma das batalhas mais sangrentas da Segunda Guerra Mundial. Cerca de 22 mil japoneses resistiram ao ataque de aproximadamente 100 mil americanos. A salvação dos soldados pode estar na figura paterna do General Kuribayashi (o extraordinário Ken Watanabe). Mais uma vez, Clint aposta na importância dos filhos para cessar a violência. Quando não há mais saída, a cultura de guerra japonesa solicita o harakiri – um ritual de suicídio e código de honra entre os samurais. Kuribayashi viveu um período de sua vida nos EUA. Ele conhece e admira os americanos, o que gera a antipatia de alguns oficiais japoneses. Por ter uma noção do inimigo, Kuribayashi respeita o harakiri, mas pede para que seus homens lutem até a morte para que o sacrifício não seja em vão. Acredite: você pode não aprovar o harakiri, mas vai respeitar a atitude dos japoneses no filme. É o conflito da honra. Como ótimo contador de histórias, Clint fez a mesma coisa em <em>Menina de Ouro</em> (2004), quando tocou de forma delicada no polêmico tema da eutanásia.</p>
<p style="text-align: justify;">Pode-se dizer também que <em>Cartas de Iwo Jima</em> é uma homenagem de Clint ao cinema japonês, principalmente a Akira Kurosawa. Mas antes de tudo é uma leitura sobre a compreensão do inimigo, algo presente na segunda fase do cinema de John Ford. A coragem do diretor reside na câmera atuando como os olhos do exército japonês. Sempre vistos como inimigos impiedosos e sem alma, eles têm a mesma opinião sobre os americanos. A guerra em <em>Cartas de Iwo Jima</em> não é espetacular. Ela é íntima. Os túneis de Clint Eastwood simbolizam o interior humano. O pior medo está na cabeça e no coração dos homens. Talvez, o que aconteça neste reino (os túneis) seja pior do que ocorre lá fora, ou seja, a guerra propriamente dita contra o inimigo. A violência contra o lado desconhecido surge, primeiramente, do ponto em que o ser humano não se conhece inteiramente. Então, como pode compreender o outro? Há algo dessa idéia no personagem Ethan Edwards (John Wayne), de <em>Rastros de Ódio</em> (1956), o clássico de John Ford – ídolo de incontáveis diretores, inclusive de Akira Kurosawa.</p>
<p style="text-align: justify;">Em uma cena particularmente tocante, um oficial japonês lê uma carta que estava no bolso de um prisioneiro ianque. É de sua mãe. Todos os soldados japoneses ficam comovidos e um deles diz algo assim: “Pensei que eles eram selvagens. Mas a mãe dele não pode ser tão diferente da minha”. Mais tarde, esse soldado japonês é capturado por um pelotão americano e assassinado a sangue frio. Como segmento de <em>A Conquista da Honra</em>, essa parte de <em>Cartas de Iwo Jima</em> se torna ainda mais poderosa. É o reconhecimento de cada um dos lados mostrado de forma sublime e a conclusão definitiva do cinema de que todos saem derrotados em uma guerra.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Cartas de Iwo Jima</em></strong> (<em>Letters From Iwo Jima</em>, 2006)<br />
<strong>Direção:</strong> Clint Eastwood<br />
<strong>Elenco:</strong> Ken Watanabe, Kazunari Ninomiya, Tsuyoshi Ihara, Ryo Kase e Shido Nakamura</p>
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		<title>A Conquista da Honra</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Feb 2007 19:17:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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Na primeira cena de A Conquista da Honra (Flags of our Fathers, 2006), um soldado corre pelo campo de batalha devastado e procura desesperadamente por alguém. Mas quem é essa pessoa? A questão respondida somente no final transforma A Conquista da Honra em mais do que uma homenagem aos soldados que ergueram a bandeira americana [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/quatroestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p><a href="http://bp3.blogger.com/_NGcFvkK2OTo/RcI9fZhiQ3I/AAAAAAAAADE/MSXjaOfoUM4/s1600-h/flags2.jpg" onclick="urchinTracker('/outgoing/bp3.blogger.com/_NGcFvkK2OTo/RcI9fZhiQ3I/AAAAAAAAADE/MSXjaOfoUM4/s1600-h/flags2.jpg?referer=');"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5026647743735677810" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" src="http://bp3.blogger.com/_NGcFvkK2OTo/RcI9fZhiQ3I/AAAAAAAAADE/MSXjaOfoUM4/s320/flags2.jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Na primeira cena de <strong><em>A Conquista da Honra</em></strong> (<em>Flags of our Fathers</em>, 2006), um soldado corre pelo campo de batalha devastado e procura desesperadamente por alguém. Mas quem é essa pessoa? A questão respondida somente no final transforma <em>A Conquista da Honra</em> em mais do que uma homenagem aos soldados que ergueram a bandeira americana em Iwo Jima durante a Segunda Guerra Mundial. É um toque metalingüístico e sublime (não posso revelar) que dá outro sentido ao filme em uma revisão.</p>
<p style="text-align: justify;">Inicialmente, Eastwood narra as conseqüências nas vidas de três soldados que estavam na famosa foto de Joe Rosenthal – eram seis, mas três deles morreram logo depois do registro da imagem. O cineasta parte de um ponto intrigante: não dá para ver os rostos dos soldados na foto. John Bradley (Ryan Phillippe), Ira Hayes (Adam Beach) e Rene Gagnon (Jesse Bradford) retornam aos EUA transformados em heróis pelo governo. Para o trio, trata-se de uma farsa e cada um sofre o peso de forma distinta. Para o presidente Harry Truman, essa é a oportunidade certa para comover o público e arrecadar fundos para a guerra. O filme se concentra mais nestes conflitos internos dos soldados do que na ilha de Iwo Jima.</p>
<p style="text-align: justify;">A partir do roteiro de Paul Haggis e William Broyles Jr., Eastwood consegue ligar idas e vindas no tempo com maestria – sem nenhum exagero ou mecanismo para juntar as histórias (como já virou moda). Além de produzir e dirigir <em>A Conquista da Honra</em>, Clint compõe a trilha. É uma música belíssima, emocionante e que fica na cabeça por um bom tempo. Aos 76 anos, sua determinação é invejável. Sempre econômico, Clint não se deixa seduzir pela grandiosidade do tema, mas não decepciona nas ferozes cenas de batalha. O que é aquela visão do piloto de dentro do avião? Que detalhe magnífico! Mas é nas cenas mais intimistas, que Clint emociona de verdade e sem esbarrar em pieguices. Nenhuma lágrima é calculada em <em>A Conquista da Honra</em>. Mas é quase inevitável segurá-las. Seguindo a ordem dos mestres da Hollywood clássica, Clint sabe que não precisa mostrar muito para deixar o público perplexo – como na cena do soldado, que descobre o corpo do amigo dentro de uma caverna escura. Com seu rosto coberto de sombras, não sabemos se sua expressão é de raiva ou se ele chora.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>A Conquista da Honra</em>, Eastwood expõe as influências de seus mestres Sergio Leone e Don Siegel como não vemos desde <em>Os Imperdoáveis</em>. O conceito dos “heróis” idolatrados pela nação carrega uma ironia também vista em <em>Os Eleitos</em>, de Philip Kaufman. Talvez tenha até algo de John Ford na amargura e dor do soldado Ira Hayes (Adam Beach) – o índio não suporta ser chamado de herói quando não há o que celebrar. Há um significado trágico nessa vergonha dentro de sua alma. Adam Beach tem dois momentos gloriosos – a cena em que ele está sentado na cama e desabafa com um oficial é de cortar o coração. A outra é aquela em que ele anda sem rumo pela estrada. Beach pode não ser extraordinário, mas Clint tira dele o que bem entende e seu esforço é admirável. Alguns podem reclamar do elenco, mas a escolha se justifica pela inocência dos soldados diante do horror do conflito e, principalmente, da vida após a guerra. Ou seja, gente aparentemente despreparada para lidar com as emoções.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A Conquista da Honra</em> fica ainda melhor quando vemos <em>Cartas de Iwo Jima </em>na sequência. O primeiro é o conflito sob o ponto de vista dos americanos, enquanto o segundo tenta conhecer o lado inimigo, o japonês. O respeito é tanto, que Eastwood quase não mostra o exército japonês em <em>A Conquista da Honra</em>. O inimigo aqui é a guerra em si. O diretor mostra que não há vencedores, apenas um sofrimento para o resto da vida. Se há um inimigo de carne e osso em <em>A Conquista da Honra</em>, ele é o governo americano. Eastwood olha para o passado para analisar o presente. É uma paulada na política de George W. Bush – ele não deve ter gostado do filme.</p>
<p style="text-align: justify;">Há essa crítica política, mas é a arte que impera. A cena final é Clint Eastwood provando que homem chora em filme de guerra. E <em>Cartas de Iwo Jima</em> é ainda melhor. Mas é como <em>Os Imperdoáveis</em>, <em>Sobre Meninos e Lobos</em> e <em>Menina de Ouro</em>. Difícil dizer qual é o melhor. Vai do gosto de cada um. No momento, só posso dizer que <em>A Conquista da Honra</em> é o primeiro grande filme do ano.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>A Conquista da Honra</em></strong> (<em>Flags of our Fathers</em>, 2006)<br />
<strong>Direção:</strong> Clint Eastwood<br />
<strong>Elenco:</strong> Ryan Phillippe, Jesse Bradford, Adam Beach, Barry Pepper, John Benjamin Hickey, John Slattery, Paul Walker e Jamie Bell</p>
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