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	<title>Hollywoodiano &#187; david fincher</title>
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		<title>Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Feb 2012 16:42:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<category><![CDATA[david fincher]]></category>

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		<description><![CDATA[A heroína que se expressa com sexo e violência]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/quatroestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/02/millennium_2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9326" title="millennium_2" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/02/millennium_2.jpg" alt="millennium_2" width="600" height="300" /></a><br />
A jovem Lisbeth Salander (Rooney Mara) vive num universo de homens. Homens que não prestam. Ou, melhor, eles sempre a machucam de alguma forma. Psicologicamente ou fisicamente. Homens, que, de fato, não amam as suas mulheres. E Lisbeth não é a única representante do sexo feminino a sofrer neste filme de David Fincher. Mas é ela quem representa a plateia na tela.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim cresceu Lisbeth. Violentada, enganada, traída, sempre a vítima. Uma cyber punk, investigadora, inteligentíssima. Quem vê apenas cara, não vê coração. E é bom olhar a atuação de Rooney Mara com muita atenção. Ela deixa pouco para a plateia. Seus olhos, no entanto, dizem mais. Há uma menina ali dentro, em algum lugar. Por sua história sofrida e consequente visão de mundo, ela tem no sexo e na violência as suas principais formas de expressão.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando ela conhece Mikael Blomkvist (Daniel Craig), o jornalista investigativo que está com a corda no pescoço, sua vida ganha um novo horizonte. Lentamente, passa a se abrir mais com o parceiro. Começa (ou recomeça) a se tornar mais humana e, naturalmente, a expressar seus sentimentos com, quem diria, palavras. E não apenas com sexo e sangue. Mas a dedicação de Lisbeth, à investigação – que serve como pano de fundo para o fascinante estudo que David Fincher faz de sua personagem – é também a sua ruína. Lembre-se: em <strong><em>Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres</em></strong> (<em>The Girl With The Dragon Tattoo</em>, 2011), os representantes do sexo masculino são desprezíveis. Exceto um: o personagem de Christopher Plummer. Ao menos, nesta fase final de sua vida. Ainda respira por ter a esperança de entender o que aconteceu com a sua sobrinha, desaparecida sem deixar rastros há muito, muito tempo. O canto do cisne deste personagem masculino é, de certa forma, se reconciliar com a mulher da sua vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/02/millennium_1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9327" title="millennium_1" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2012/02/millennium_1.jpg" alt="millennium_1" width="600" height="300" /></a><br />
Mas é fácil se perder na velocidade da investigação de Mikael Blomkvist/Lisbeth Salander. Não que seja um erro do filme, afinal o foco é a construção desse mundo em que vive Lisbeth. E como seu caminho se cruza com o de Mikael. Como eles se complementam. E para onde vai a relação entre eles.</p>
<p style="text-align: justify;">O roteiro de Steven Zaillian, adaptado do primeiro livro da trilogia de Stieg Larsson, podia render ao mistério uma atenção maior nas mãos de outro diretor. Mas o filme é de David Fincher, que olha primeiro para Lisbeth. E está aí o seu maior acerto para fugir da versão sueca, que tem Noomi Rapace no papel principal. Noomi é ótima, mas Rooney é ainda mais espetacular, ousada e intrigante. Concordo que talvez seja mais fácil para a menina reconstruir uma personagem já existente. Mas sua Lisbeth é humanizada. O máximo possível. Até onde os homens de seu universo permitem. Tornando assim a missão de desvendar a menina frágil por trás do “monstro” uma tarefa muito mais interessante.</p>
<p style="text-align: justify;">O que dizer mais sobre Fincher? Grande Fincher. Gostam de dizer que ele é um dos melhores diretores americanos da atualidade. E é. Mas prefiro dizer que é bom tê-lo de volta à escuridão, às trevas, onde reina como poucos antes dele. O cineasta de <em>Seven</em>, <em>Clube da Luta </em>e <em>Zodíaco </em>deu um tempo em sua fase <em>Mr. Nice Guy</em> para voltar a dar porrada em quem parou de mente e espírito no século passado. Suas aberturas visualmente provocantes estão de volta, com um filme não menos explosivo. Nada contra se o diretor quiser se arriscar em outros territórios de tempos em tempos. Ele tem esse direito, o que faz bem para a sua evolução como cineasta. Mas é explorando o lado negro do ser humano que ele se sai melhor. Como Scorsese nas ruas.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma prova está na cena do estupro, que Fincher filma como um <em>voyeur</em>. Sua solução é doentia. O fato do agressor parar pra pensar em colocar camisinha num ato tão violento, nojento, repugnante, é um atestado da “maldade” do diretor. Só torna a cena mais perturbadora – e a torcida pela vingança justificada de Lisbeth ainda maior. Mas a maldade mais intensa feita pelo diretor não é física nem moral. Está na última cena, aquela que despedaça o coração de Lisbeth em vários pedaços. Grande Fincher.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres</em></strong> (<em>The Girl With The Dragon Tattoo</em>, 2011)<br />
<strong>Direção:</strong> David Fincher<br />
<strong>Roteiro: </strong>Steven Zaillian<br />
<strong>Elenco: </strong>Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Stellan Skarsgård, Robin Wright, Steven Berkoff e Joely Richardson</p>
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		<title>A Rede Social</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Dec 2010 18:20:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[david fincher]]></category>

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		<description><![CDATA[Aula de capitalismo e empreendedorismo para leigos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/trsestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong><img class="aligncenter size-full wp-image-6133" title="The Social Network_2" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/12/The-Social-Network_2.jpg" alt="The Social Network_2" width="600" height="300" /><br />
A Rede Social</strong></em> (<em>The Social Network</em>, 2010) tem ambições maiores do que ser um filme sobre a criação do Facebook. Seria idiotice pensar que é só isso. E é muito mais que a história de seu responsável rumo ao posto de mais jovem bilionário do mundo. Vejo <em>A Rede Social</em> ilustrando muito mais um grupo que uma geração necessariamente: os filhos de uma classe média (bem) alta pra cima.</p>
<p style="text-align: justify;">Prefiro analisar o filme por dois pontos:</p>
<p style="text-align: justify;">1) Dentro do mundo que nós vemos, <em>A Rede Social</em> é uma aula sobre capitalismo e empreendedorismo para leigos, especialmente os jovens que estudam para entrar (ou sair) da faculdade, sonhando com um futuro promissor. Também serve para exibição em grandes empresas, com seus cursos, palestras e atividades extracurriculares. Portanto, não chore por Eduardo Saverin (Andrew Garfield), o brasileiro cheio da grana, que investe seu dinheiro, sua amizade e sua confiança em Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) e a criação do hoje tão famoso Facebook. Somente para ser traído pelo melhor amigo e sair da brincadeira com o rabo entre as pernas, enquanto indivíduos enraizados no sistema capitalista, como Sean Parker (Justin Timberlake), capturam novos produtos (o Facebook) e conduzem sutilmente seus verdadeiros (e ingênuos) criadores ao lucro imediato e à rede de grandes corporações que sustenta os EUA e o mundo. O que acontece com Eduardo é até curioso se lembrarmos da evolução do próprio Brasil nas últimas décadas, afinal ele deveria se vender e ajustar ao sistema se quisesse progredir. Como os EUA ensinaram ao mundo moderno, todos precisam de sua intervenção. Portanto, o que acontece com Eduardo neste filme não é nada pessoal. São apenas negócios. A fila anda. Já Mark Zuckerberg é o sonho desse sistema transformado em realidade: Ele é o gênio que cria e é absorvido pelos magnatas que só lucram e não se esforçam. Não importa se o Facebook é a melhor ou a pior invenção da História. O importante é lucrar, afinal existem consumidores para isso. E se Mark tinha 19 anos quando tudo isso aconteceu, a América precisa mesmo celebrar. É o império crescendo e se renovando rápido e cedo demais. Esqueça a discussão de que o garoto é apenas um garoto e deveria pensar em outras coisas. São apenas negócios.</p>
<p style="text-align: justify;">2) Mark Zuckerberg se vê como um gênio. E ele é. Mas seu ego é tão grande que mais parece uma espécie de Deus moderno, que está acima dos outros em corpo e mente. E como ele resolve isso? Criando o Facebook à sua imagem e semelhança: No mundo real, Mark é anti-social, não consegue se relacionar com amigos e muito menos pode ter uma namorada. Sua cabeça está a mil por hora. Enquanto a pessoa à sua frente raciocina sobre o que acabou de ouvir, Mark já está em outro assunto. Como então ele pode se relacionar com as pessoas sem mudar seu jeito? Criando algo como o Facebook, que como o próprio diz em certo momento do filme, não sabe ainda para o que serve. Se Mark Zuckerberg é um Deus, o Facebook é o seu reino e todos nós somos seus filhos.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-6132" title="The Social Network_3" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/12/The-Social-Network_3.jpg" alt="The Social Network_3" width="600" height="300" /><br />
Acha que fui irônico nesses dois pontos que me explicam <em>A Rede Social</em>? Será que somos tão vazios assim? Bom, não sou eu que digo nem David Fincher, que apenas expõe a situação. É o que também estou fazendo neste texto. Você julga.</p>
<p style="text-align: justify;">Somente na última (e melhor) cena, lembramos que estamos mesmo num filme. É o momento “Rosebud”de Mark Zuckerberg. É quando vemos brotar valores básicos e importantes, quando o cinema se desprende da realidade e procura encantar. Ora, que eu saiba <em>A Rede Social</em> não é um documentário. Ali, David Fincher finalmente se impõe e desce do muro. Mesmo que sutilmente, ele escancara seu lado nessa história toda ao observar como é triste enxergar humanidade lá no fundo de Mark Zuckerberg, com sua alma presa (sem perspectiva de liberdade) à necessidade de se afirmar. Se sente pena do protagonista, Fincher sugere o quanto somos patéticos por segui-lo e acreditarmos nesta qualidade de comunicação.</p>
<p style="text-align: justify;">David Fincher é um cineasta que levou uma nova geração a amar o cinema. Tem toda a atenção de seu público, então parece o cara certo para contar esse tipo de história. Niilista, já criticou o capitalismo e sua sociedade viciada em consumo na obra-prima chamada <em>Clube da Luta</em>. Ali, o diretor foi radical, exagerado. Se arriscou, ousou e foi genial abordando temas atuais. Mas não apontou o dedo para alguém ou algum específico sucesso americano. Em <em>A Rede Social</em>, Fincher põe os dois pés no chão e apenas observa as consequências dos medos de Tyler Durden, protagonista de <em>Clube da Luta</em>. Mas aponta o dedo.  Por isso é imparcial, frio. Entendo quando dizem que <em>A Rede Social</em> ilustra uma &#8220;geração&#8221;. Porque é só isso. Apenas ilustra. Nada mais. Antes de culpar Fincher de falta de ousadia, é até compreensível que o diretor não critique essa sociedade e seu mundo particular nem mesmo o Facebook e seus usuários. Seria um tiro no pé levar a raiva de <em>Clube da Luta</em> para este filme, porque de fato ainda estamos tentando entender o fenômeno das redes sociais e seus propósitos.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-6134" title="The Social Network_1" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/12/The-Social-Network_1.jpg" alt="The Social Network_1" width="600" height="300" /><br />
Talvez o filme – feito pelo mesmo diretor – tivesse um impacto dramático maior se seu lançamento acontecesse anos depois. Fincher poderia sonhar e esquecer suas obrigações com os fatos. Como <em>Platoon</em>, lançado por Oliver Stone após a Guerra do Vietnã, ou <em>A Lista de Schindler</em> visto por Steven Spielberg bem depois do Holocausto, ou <em>Boa Noite e Boa Sorte</em>, narrado por George Clooney após o Macarthismo, ou <em>O Povo Contra Larry Flynt</em> e a liberdade de expressão já incorporada – filmes com seus assuntos devidamente compreendidos pelo planeta; Hollywood falando do passado para criticar o momento. Mas como <em>A Rede Social</em> foi feito em 2010, Fincher o entregou da melhor forma possível: acadêmico. É como se Fincher quisesse gritar que a Humanidade não deu certo e que estamos perdendo a guerra contra as máquinas. Mas alguma coisa o impede. Algo que não o segurou em <em>Clube da Luta</em>. Ou mesmo <em>Seven</em>, sua outra obra-prima. E não impediu os diretores citados neste parágrafo. Enfim, os anos ensinam.</p>
<p style="text-align: justify;">O que não diminui a qualidade do texto verborrágico de Aaron Sorkin, da série <em>The West Wing</em>, que dá voz a vários personagens se atropelando em palavras, mas que jamais se entendem. Um roteiro perfeitamente compreendido e vivido pelo fabuloso elenco que destaca Jesse Eisenberg, o nerd fechadão que se encaixa com sobras na personalidade de Mark Zuckerberg pretendida por Fincher e Sorkin. Assim como Justin Timberlake (quem diria?), o vilão por fora, mas covarde por dentro. Genial nos negócios, mas com uma mentalidade de um alface para assuntos pessoais. Seria o Zuckerberg de amanhã? Mas contra todos os gostos, prefiro elogiar Andrew Garfield, o novo <em>Homem-Aranha</em> do cinema, como Eduardo Saverin. A única emoção existente em <em>A Rede Social </em>nasce enrustida e morre extravasada com este personagem. Sua construção, execução e conclusão são brilhantes. Destaque também para a trilha de Trent Reznor e Atticus Ross, a mais original dos últimos anos ao lado de <em>Sangue Negro</em> e <em>A Origem</em>. Como os jovens deste filme, transmite inconsequência, angústia, desejos reprimidos, reclusão e falta ou total desconhecimento do que é responsabilidade.</p>
<p><em>(Otavio Almeida)</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>A Rede Social</em></strong> (The Social Network, 2010)<br />
<strong>Direção:</strong> David Fincher<br />
<strong>Roteiro:</strong> Aaron Sorkin (Baseado no livro “Bilionários Por Acaso”, de Ben Mezrich)<br />
<strong>Elenco:</strong> Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Armie Hammer, Rooney Mara, Max Minghella, Joseph Mazzello e Rashida Jones</p>
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		<title>O Curioso Caso de Benjamin Button</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jan 2009 13:04:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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Lindo, poético, lírico, épico, romântico, mas ao mesmo tempo triste, melancólico, frio e minimalista. Assim é O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, 2008), o filme mais ambicioso do genial cineasta David Fincher (Seven, Clube da Luta, Zodíaco). Mas olhando para trás e sabendo o que ele já aprontou, Fincher [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/duasestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<div><a href="http://2.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/SXce7vEqbfI/AAAAAAAAEY8/OsZakbEh-ew/s1600-h/Benjamin+Button.JPG" onclick="urchinTracker('/outgoing/2.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/SXce7vEqbfI/AAAAAAAAEY8/OsZakbEh-ew/s1600-h/Benjamin+Button.JPG?referer=');"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293733898594446834" style="text-align: center; margin: 0px auto 10px; width: 400px; display: block; height: 164px; cursor: hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/SXce7vEqbfI/AAAAAAAAEY8/OsZakbEh-ew/s400/Benjamin+Button.JPG" border="0" alt="" /></a></div>
<p style="text-align: justify;">Lindo, poético, lírico, épico, romântico, mas ao mesmo tempo triste, melancólico, frio e minimalista. Assim é <strong><em>O Curioso Caso de Benjamin Button</em></strong> (<em>The Curious Case of Benjamin Button</em>, 2008), o filme mais ambicioso do genial cineasta David Fincher (<em>Seven</em>, <em>Clube da Luta</em>, <em>Zodíaco</em>). Mas olhando para trás e sabendo o que ele já aprontou, Fincher imita seu protagonista: Começou praticamente no auge de seu talento ousado, extremamente criativo e influente para, agora, regredir ao cinema acadêmico e convencional.</p>
<p style="text-align: justify;">Em certos casos, claro, não há mal algum em ser &#8220;acadêmico&#8221;. Mas Fincher me parece um cineasta marginal; um cara das ruas. Feio, sujo e malvado. Bad motherfucker. <em>O Curioso Caso de Benjamin Button</em>, livremente inspirado no clássico conto de F. Scott Fitzgerald, de 1922, carrega uma história grandiosa e equilibrada em beleza e tristeza.</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, quem conta a saga de Benjamin Button a alguém, sabe que se trata de uma história de emoção genuína, certo? Mas assistir ao filme, sentir e esperar por essa emoção, aí, hollywoodianos, isso é algo completamente diferente. Veja só: Se você diz (ou resume) a uma pessoa que <em>E.T. &#8211; O Extraterrestre</em> é sobre um alienígena abandonado em nosso planeta, isso está correto. Em termos, ok? Mas correto. Porém, essa breve descrição de <em>E.T.</em> seria capaz de gerar imediatamente a emoção nesta pessoa? Acho que não. Mas, então, assista ao inesquecível filme de Steven Spielberg. A experiência será completamente diferente. Duvido que um ser humano em sã consciência não tenha a mínima vontade de chorar.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas antes que você me acuse de querer pieguice em <em>O Curioso Caso de Benjamin Button</em>, eu preciso explicar minha visão de &#8220;emoção&#8221; no cinema. Cito <em>Sangue Negro</em>, de Paul Thomas Anderson, então. Uma obra-prima para o nosso tempo, ok? Daniel Day-Lewis interpreta um sujeito carrancudo querendo o sangue de seus concorrentes. Aos nossos olhos, ele é mau até o último fio de cabelo. Mas admiramos essa característica em seu personagem. Ou vai me dizer que não? Em <em>Sangue Negro</em>, eu torço por Daniel Day-Lewis; vibro com as terríveis manobras de seu personagem. Isso também é emoção. <em>Sangue Negro</em> é pesado, incomoda, mas não é um filme frio. Longe disso. Paul Thomas Anderson é apaixonado por sua história e jamais se deslumbra com a grandiosidade do material em mãos. Agora, vamos para o oposto. Pegue a ternura de <em>Forrest Gump</em>, de Robert Zemeckis. Você torce pelo herói tapado até o final, não é? Chorando ou não, você entra neste filme e viaja ao lado do personagem. Para mim, isso é importantíssimo. Chamo isso de vínculo com a platéia. São filmes que, como <em>Benjamin Button</em>, também fazem uma leitura da América de acordo com os olhos de seu protagonista. E, até mesmo, de nossa situação no mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">A diferença é que a leitura de David Fincher é fria, distante. Talvez pelo medo de cair na &#8220;pieguice&#8221; óbvia que muita gente reclama. E cair nessa tentação parecia fácil demais, afinal o conto original fala de um cara que nasce velho e rejuvenesce durante sua vida. Entenda: Não quero um <em>Laços de Ternura</em> ou sua versão canina, que é <em>Marley &amp; Eu</em>. Aí já seria palhaçada minha. Mas apesar de reconhecer toda a beleza plástica deste filme, eu admito que não me importei nem um pouco com a felicidade e a vida de Benjamin Button. Acho que faltou&#8230; emoção, envolvimento e cumplicidade de David Fincher nas entrelinhas. O filme é muito fraco dramaticamente. Miserável, eu diria. E é claro que Fincher tem todo o direito de trilhar outros caminhos, mas acho que isso era filme para Steven Spielberg. Ou para outro cineasta acostumado com o fantástico como Tim Burton. Aliás, Burton poderia ter Johnny Depp, que daria um Benjamin Button inesquecível. O que me leva ao problema Brad Pitt.</p>
<p style="text-align: justify;">O astro realmente funciona (e muito) em papéis bizarros e cômicos. Vide <em>Seven</em>, <em>Doze Macacos</em>, <em>Clube da Luta</em>, <em>Snatch</em> e <em>Queime Depois de Ler</em>. Ele está ótimo. Mas é contra as leis da natureza pedir para que Brad Pitt seja um bom ator dramático. Em <em>O Curioso Caso de Benjamin Button</em>, ele tem a mesma cara e as mesmas reações de seus tenebrosos personagens de <em>Lendas da Paixão</em> e <em>Encontro Marcado</em>. O filme de David Fincher depende sim, senhor, da atuação de Brad Pitt. No início, enquanto Button ainda é um &#8220;jovem idoso&#8221;, os efeitos digitais e a maravilhosa maquiagem até ajudam o astro. Depois, quando o velhinho vira o marido de Angelina Jolie, o filme cai junto com o ator. Colocar Steven Seagal ali daria na mesma. Ou seja, pede pra sair!</p>
<p style="text-align: justify;">O problema é Brad Pitt, pois o elenco de apoio está sensacional. Começo por Taraji P. Henson, a mãe de criação de Benjamin Button. Que atriz, senhoras e senhores! Cate Blanchett, como sempre, é magistral. Tilda Swinton, a mulher feia mais talentosa do cinema atual também tem seu momento para brilhar. É um belíssimo elenco.</p>
<p style="text-align: justify;">Analisando outro tópico, muita gente compara a estrutura do roteiro com <em>Forrest Gump</em>, mas acho que isso se deve apenas ao tipo de história que o roteirista Eric Roth gosta de contar. <em>Benjamin Button</em> tem até a sua dose de drama, aventura, humor e&#8230; &#8220;Faz de conta&#8221;. Mas o clássico moderno de Robert Zemeckis dá de 10 a 0 no pior filme de David Fincher desde sua estréia em <em>Alien 3</em>. Aliás, acho que o roteiro de Eric Roth é bem rico. Detesto dizer isso, mas é o próprio diretor que parece distante emocionalmente. Se o restante do filme, no entanto, tivesse a mesma energia e criatividade da abertura sobre o &#8220;relógio ao contrário&#8221; e a melhor seqüência de todas, que ilustra uma narração de Benjamin Button sobre todos nós estarmos numa &#8220;rota de colisão&#8221;, aí sim o filme seria merecedor de elogios eufóricos.</p>
<p style="text-align: justify;">Direção de arte refinada? Confere. A melhor maquiagem de 2008? Confere. Figurinos impecáveis? Confere. Fotografia deslumbrante? Confere. Uma bela trilha sonora? Confere. Tecnicamente, <em>O Curioso Caso de Benjamin Button</em> é perfeito. Um filme fácil de admirar, mas difícil de amar. Acaba sendo curioso mesmo, como diz o título. Mas, infelizmente, não é a obra-prima que poderia ter sido. Tampouco é um grande filme, mas um filme grande com seus imensos 166 minutos. Você pode dizer: &#8220;Ah, mas a vida é longa.&#8221; Ok, mas ao que parece, de trás pra frente, a vida não é uma caixa de bombom.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>O Curioso Caso de Benjamin Button</em></strong> (<em>The Curious Case of Benjamin Button</em>, 2008)<br />
<strong>Direção:</strong> David Fincher<br />
<strong>Roteiro:</strong> Eric Roth (Baseado no conto de F. Scott Fitzgerald)<br />
<strong>Elenco:</strong> Brad Pitt, Cate Blanchett, Tilda Swinton, Julia Ormond, Taraji P. Henson, Elias Koteas, Jason Flemyng e Joeanna Sayler</p>
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		<title>Zodíaco</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Jun 2007 21:37:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Busca por respostas: Uma obsessão humana.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/quatroestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072333708360750834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" src="http://bp1.blogger.com/_NGcFvkK2OTo/RmSMoiUVFvI/AAAAAAAAAbk/AKY0BgL0cUY/s400/zodiaco%2520(9).jpg" border="0" alt="" /></p>
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<p style="text-align: justify;">No extraordinário <strong><em>Zodíaco</em></strong> (<em>Zodiac</em>, 2007), o diretor David Fincher (<em>Seven</em>, <em>Clube da Luta</em>) não quis contar novamente a história do jogo de gato e rato entre policiais e um <em>serial killer</em>. O interessante é que também não deixa de ser isso, além de uma crítica ao comportamento social e institucional. Na verdade, acima de tudo, <em>Zodíaco</em> é um filme sobre a obsessão do ser humano na busca por respostas nesta vida. Custe o que custar.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://bp3.blogger.com/_NGcFvkK2OTo/RmSNCCUVFxI/AAAAAAAAAb0/cnRdDehtNdI/s1600-h/zodiaco%20(3).jpg" onclick="urchinTracker('/outgoing/bp3.blogger.com/_NGcFvkK2OTo/RmSNCCUVFxI/AAAAAAAAAb0/cnRdDehtNdI/s1600-h/zodiaco_20_3_.jpg?referer=');"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072334146447415058" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" src="http://bp3.blogger.com/_NGcFvkK2OTo/RmSNCCUVFxI/AAAAAAAAAb0/cnRdDehtNdI/s400/zodiaco%2520(3).jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">O cenário é a Califórnia apavorada do final dos anos 60, e início dos 70, com uma série de assassinatos, principalmente, de casais adolescentes em plena época da liberação sexual. Uma pessoa assumiu os crimes e mandou cartas enigmáticas a jornalistas e policiais, que sempre tinham o mesmo início: “Aqui quem fala é o Zodíaco”. Ele fornecia pistas para comprovar sua autoria e alertava que iria fazer novas vítimas. Mais do que as investigações e as cenas tensas de assassinato, o filme dá importância às conseqüências dos ataques do Zodíaco nas vidas de três personagens: o cartunista Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal), o jornalista Paul Avery (Robert Downey Jr., que merece uma indicação ao Oscar de Coadjuvante), ambos do <em>San Francisco Chronicle</em>, e o policial Dave Toschi (Mark Ruffalo). Não falo de conseqüências físicas, mas psicológicas.</p>
<p style="text-align: justify;">O trio principal precisa conhecer a identidade do assassino, principalmente Robert Graysmith, que escreveu os livros <em>Zodiac</em> e <em>Zodiac Unmasked: The Identity of Americas Most Elusive Serial Killer Revealed</em>. Mais do que buscar respostas, Fincher está preocupado em mostrar como as pessoas perdem o rumo por tão pouco. Esse é o filme que você vai ver. Não espere um outro <em>Seven</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">A análise do diretor sobre a obsessão humana por respostas é levada ao limite. Essa busca da sociedade está em pequenas coisas. Quantas pessoas você conhece que reclamam do final de um filme ou livro que não deixam respostas fáceis? Às vezes, essas perguntas estão na história do mundo como “Quem matou John Kennedy?” ou “Quem foi o verdadeiro arquiteto do 11 de setembro?”. E, claro, existem questões maiores como as dúvidas eternas sobre os segredos do universo. Ou seja, tudo intriga a mente humana. Resolver um grande mistério traz uma sensação de alívio e ordem, além da noção de nosso papel dentro da sociedade e a aceitação de nossa própria existência.</p>
<p style="text-align: justify;">Fincher também alfineta a importância dada pela imprensa a um caso que não tem mais apelo popular. Quando deixa de ser interessante perseguir um assassino? Diversas pessoas morreram em vão? Fincher também cutuca quem acha que o cinema é responsável por atos de violência dentro da sociedade. O diretor mostra como o tal Zodíaco influenciou Hollywood. Por exemplo, numa cena, Graysmith está no cinema que exibe uma produção claramente baseada nos acontecimentos. Na saída do local, ele passa pelo pôster de um filme de <em>Dirty Harry</em>, em que Clint Eastwood perseguia um assassino inspirado no dito cujo. Aliás, há um minucioso trabalho de reconstituição de época (o cenário do <em>San Francisco Chronicle</em> tem cheiro do <em>Washington Post</em> de <em>Todos os Homens do Presidente</em>). O diretor ainda brinca com as diferenças tecnológicas dos anos 70 com a atualidade. Se fosse hoje, estudos de DNA e até a utilização de celulares e e-mails evitariam tanta dor de cabeça nas investigações.</p>
<p style="text-align: justify;">Do ponto de vista técnico, <em>Zodíaco</em> é o filme mais contido da carreira de David Fincher. E ele ainda sentiu liberdade para exercitar suas habilidades com a câmera em, particularmente, três momentos. A primeira seqüência envolve a viagem da carta inicial do maníaco até a redação do <em>San Francisco Chronicle</em>. A segunda é uma vista aérea que acompanha a trajetória de um táxi pelas ruas da cidade. A terceira delas é a mais assustadora do filme: a fuga de Robert Graysmith de um porão. É o suspense elevado ao quadrado. Ao cubo, talvez. Para terminar, gostaria de citar a excelente trilha escolhida para retratar as diferentes décadas do roteiro com destaque para Miles Davis, John Coltrane, Santana, Three Dog Night, entre outros. E a canção <em>Hurdy Gurdy Man</em>, do escocês Donovan, nunca tocou tão apavorante como nos créditos finais de <em>Zodíaco</em>.</p>
<p><strong><em>Zodíaco </em></strong>(<em>Zodiac</em>, 2007)<br />
<strong>Direção:</strong> David Fincher<br />
<strong>Elenco:</strong> Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo, Robert Downey Jr, Anthony Edwards e Chloë Sevigny</div>
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