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	<title>Hollywoodiano &#187; emily blunt</title>
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		<title>O Lobisomem</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Feb 2010 17:46:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<description><![CDATA[Um filme de terror à moda antiga? Ou um filme que quer ser velho?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/umaestrela.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2822" title="The Beauty and the Beast" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/02/The-Beauty-and-the-Beast.jpg" alt="The Beauty and the Beast" width="600" height="300" /><br />
Uma coisa é Hollywood homenagear o cinema clássico de horror, em especial os monstros da Universal, como <em>O Lobisomem</em>, de 1941. Outra coisa é fazer hoje um filme de forma tão ingênua e precária quanto naquela época. É o caso de <em><strong>O Lobisomem</strong></em> (<em>The Wolfman</em>, 2010), que beira o constrangimento. A refilmagem com Benicio Del Toro no papel de Lawrence Talbot, o homem amaldiçoado que já foi vivido por Lon Chaney Jr. é um filme de terror dos anos 40, com todos os seus prós e contras, disfarçado de superprodução do novo milênio.</p>
<p style="text-align: justify;">É como torrar dinheiro. O novo <em>O Lobisomem</em> deveria ter seguido a ideia de Steven Spielberg e George Lucas, em <em>Os Caçadores da Arca Perdida</em>, que homenageia os filmes B e as matinês que alegraram a infância de seus realizadores nos cinemas. Os filmes da série <em>Indiana Jones</em> são frutos conscientes de suas épocas, sem abandonar a homenagem, a influência, assim como Quentin Tarantino fez bonito com os longas de artes marciais em <em>Kill Bill</em>. Já o que Joe Johnston fez em <em>O Lobisomem</em> foi viajar no tempo e imaginar como seria seu trabalho como um diretor apaixonado pelos filmes do gênero, em plenos anos 40, só que com a ajuda da tecnologia de hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra saída para Joe Johnston teria sido o filme de monstro clássico, sombrio e com sangue, mas com uma roupagem romântica e luxuosa, como Francis Ford Coppola e Kenneth Branagh fizeram, respectivamente, em <em>Drácula de Bram Stoker</em> e <em>Frankenstein de Mary Shelley</em>. Tanto Coppola quanto Branagh seguiram os modelos que comentei no parágrafo anterior, mas a intenção deste <em>O Lobisomem</em> é ser fiel, reproduzindo em forma e conteúdo o filme original de 1941.</p>
<p style="text-align: justify;">O resultado é o <em>Cine Trash</em> mais caro da história. Johnston exagerou no conceito &#8220;à moda antiga&#8221; e entregou um filme velho em todos os seus conceitos, com exceção da parte técnica, área em que o diretor é craque. <em>O Lobisomem</em> é amador ao ponto de apresentar atuações dignas de um filme de Edward D. Wood Jr., com direito à erros de <em>timing</em> entre os diálogos, desferidos com a sutileza de um elefante e uma motivação de quem está assistindo a uma pescaria matinal após uma noite em claro. O irônico é que Ed Wood jamais teve todo esse dinheiro para construir uma carreira que o levou ao título folclórico de &#8220;pior diretor de todos os tempos&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2835" title="AAAAAAAAAAAAAAAAAH" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/02/AAAAAAAAAAAAAAAAAH.jpg" alt="AAAAAAAAAAAAAAAAAH" width="600" height="300" /><br />
Ah, as atuações&#8230; Coitada de Emily Blunt, tão bonita e talentosa, sendo desperdiçada em um filme desses, que nem precisava de uma donzela para ser a bela em um mundo dominado por homens agindo como verdadeiros animais. Mas ela ainda tem futuro, diferente do macaco velho e acomodado Sir Anthony Hopkins. Ok, sei que é polêmico, mas o ex-Anthony Hopkins de <em>O Silêncio dos Inocentes</em> é preguiçoso e não é de hoje. Seu descaso em cena é mais do que evidente, como se ele demonstrasse que é o tal, só porque teve um grande papel sobre um sujeito complexo que comia carne humana e não piscava em uma única cena. Ganhou um Oscar de <em>Melhor Ator</em>, quando deveria ter recebido o de coadjuvante, porque Nick Nolte era o legítimo dono da estatueta principal por <em>O Príncipe das Marés</em>. Mas isso é outra história. Egocêntrico, Hopkins já disse várias vezes que não aceita fazer mais do que três tomadas em suas cenas. É descaso ou não é? Parece que trabalha com cinema para pagar contas, sem prazer algum pelo que faz. Nem é o caso de ligar o piloto automático, como fazem Jack Nicholson e Al Pacino, em nome da diversão. Apático, Hopkins não se importa com você nem com nada. Já Benicio Del Toro até que tenta sustentar o filme, mas é dureza contracenar com um senhor que não está nem aí.</p>
<p style="text-align: justify;">O que salva o filme? Ou, prefiro dizer, o que mantém o espectador acordado? As ótimas cenas de transformação de Benicio Del Toro em lobisomem e seus momentos como a besta aterrorizando uma Londres muito bem caracterizada nas noites de Lua Cheia. Os efeitos visuais e, quiçá, a maquiagem são de primeira. Só não consegue bater a criatividade de <em>Um Lobisomem Americano em Londres</em>, que permanece imbatível em impressionar o espectador na cena de transformação. O problema é quando Benicio Del Toro volta ao normal, abrindo espaço para o tédio e o ridículo dividirem as atenções.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isso não quer dizer que <em>O Lobisomem</em>, de 1941, seja ruim. Trata-se de um produto daquela época, que teve a dignidade de assumir uma fase da história do cinema. Em 20, 30 anos, ainda será lembrado. Diferente deste  filme &#8220;antigo&#8221;, mas lançado em 2010, que teve inúmeros problemas em seus bastidores, com demissão de diretor e outras palhaçadas. E o resultado na tela não poderia ter sido outro.</p>
<p style="text-align: justify;">Sabendo disso, prefiro atacar o egocentrismo da Universal, dona do seu próprio nariz arrebitado, afinal Joe Johnston é um diretor que entende de fantasia e emoção. Ele é o cineasta responsável por longas divertidíssimos como <em>Querida, Encolhi as Crianças</em>, <em>Rocketeer</em>, <em>Jumanji</em>, <em>Hidalgo</em>, <em>Jurassic Park III</em> (que é melhor que o <em>2</em>, dirigido por Steven Spielberg) e, meu favorito, <em>Céu de Outubro</em>. Como, então, ele foi capaz de apresentar <em>O Lobisomem</em>? Eis o grande mistério.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>O Lobisomem</em></strong> (<em>The Wolfman</em>, 2010)<br />
<strong>Direção:</strong> Joe Johnston<br />
<strong>Roteiro:</strong> <span id="Conteudo1_lblRoteiro">Andrew Kevin Walker e David Self (Baseado no filme <em>O Lobisomem</em>, de 1941, dirigido por George Waggner, com roteiro de Curt Siodmak)<br />
<strong>Elenco:</strong> <span id="Conteudo1_lblElenco">Benicio Del Toro, Anthony Hopkins, Emily Blunt, Hugo Weaving, Mario Marin-Borquez, Art Malik, Michael Cronin e Geraldine Chaplin</span></span></p>
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