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	<title>Hollywoodiano &#187; gabourey sidibe</title>
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		<title>Preciosa</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Feb 2010 21:55:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dramalhão pesado, mas com uma pitada de esperança]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/trsestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2828" title="Preciousssssssss" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/02/Preciousssssssss.jpg" alt="Preciousssssssss" width="600" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Preciosa</em></strong> (<em>Precious: Based on the Novel Push by Sapphire</em>, 2009) não é o primeiro, nem será o último filme sobre jovens que crescem apanhando violentamente de forma física e moral de seus tutores (e da própria vida). Também não há nada que diferencie o filme do diretor Lee Daniels de obras semelhantes. Mas, de tempos em tempos, o cinemão lança filmes como <em>Preciosa</em>. Nenhum mal nisso, desde que o diretor saiba usar os clichês de maneira habilidosa na narrativa; desde que a produção reflita alguns problemas do espectador na tela, sendo sincero, porém contundente na abordagem, para valorizar o drama, contando sempre com atores no melhor de suas formas. <em>Preciosa</em> é esse filme.</p>
<p style="text-align: justify;">Não adianta focar na ideia de que já vimos isso antes, porque o trabalho de direção de atores coordenado por Lee Daniels é tão intenso e honesto, que chegamos a pensar que as atrizes estão interpretando a si próprias. E isso é um elogio que vale o filme. Veja o caso da protagonista Claireece &#8220;Preciosa&#8221; Jones (Gabourey Sidibe), que como a maioria das adolescentes se fecha em seu mundo particular, com sonhos coloridos escondendo a realidade cinzenta, que incluem sucesso profissional antes da entrada no mercado de trabalho e os mais belos príncipes encantados ao seu redor. Preciosa, como toda adolescente, mal encara as outras pessoas nos olhos, fala para dentro e se veste para ser diferente, embora vislumbre a vaidade. Seria fácil lembrar de uma fase da vida de cada um de nós se Preciosa não fosse negra, obesa e pobre. Pior: que sua vida dentro de casa talvez seja ainda mais dura que nas ruas ou na escola, sofrendo com agressões na carne e na alma desferidas pela própria mãe (Mo&#8217;Nique). E não termina aqui: Preciosa foi engravidada pelo pai. Não uma, mas duas vezes. E quando você acha que não há como piorar, o diretor Lee Daniels mostra que Preciosa ainda não sofreu o bastante.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2827" title="Mo'Nique" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/02/MoNique.jpg" alt="Mo'Nique" width="600" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">Com sua personagem comendo o pão que o Diabo amassou, a atriz Gabourey Sidibe desafia a plateia ao encarar tudo com extrema naturalidade, tanto nos bons quanto nos maus momentos que acompanham a patética rotina de sua personagem; chorando ou sonhando com dias melhores. Não é apatia da atriz. Isso acontece porque Preciosa não tem base ou referência alguma em sua vida para colocar suas emoções para fora. Seus sonhos são encarados como realizações impossíveis e aceitar sua condição parece ser o caminho ideal para justificar sua existência na Terra. Eu poderia dizer que seus sonhos a mantém respirando, mas estaria mentindo. Carregando a tela de cores, Lee Daniels deixa evidente que suas ilusões são apenas delírios. Mesmo que de forma inconsciente, Preciosa, mais cedo ou mais tarde, será engolida pela vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, duas pessoas lhe estendem as mãos: sua professora, Ms. Rain (a ótima Paula Patton), e a assistente social Mrs. Weiss (uma surpreendente Mariah Carey sem glitter). São elas que jamais deixarão Preciosa desistir. Essa fagulha de esperança, que parece nunca se concretizar, fará muita gente chorar e torcer pela protagonista. Mesmo quando ela volta para casa, onde atura o monstro chamado Mo&#8217;Nique. Essa mulher simplesmente construiu uma das maiores vilãs da história do cinema. Pode acreditar: Um dia, você pode até esquecer dos detalhes do filme, mas jamais arrancará a imagem da mãe da Preciosa de sua mente.</p>
<p style="text-align: justify;">Lee Daniels não inova, não manipula, apenas observa, tenta desvendar o coração e a mente de sua heroína (e a mãe dela). Ele sabe que, cinematograficamente, seu filme perde para histórias semelhantes, porém mais grandiosas, como <em>A Cor Púrpura</em>, de Steven Spielberg. Por isso, entrega <em>Preciosa</em> às suas talentosas atrizes. Elas fazem toda a diferença. Podemos até discordar, eu e você, que a jovem protagonista de apenas 16 anos (embora Gabourey Sidibe tenha 10 anos a mais) fatalmente seguiria os passos de sua mãe, que, bem ou mal, a educou. Consequentemente, Preciosa agiria da mesma forma maléfica com seus filhos na vida real, mas o importante é ver que, ao mesmo tempo, ela faz e não faz parte daquele mundo, sonhando acordada, ela imagina outra vida; respira.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem julgar seus personagens, Lee Daniels, lá no fundo, é otimista ao acreditar que sempre haverá alguém, em algum canto deste planeta cínico, pronto para dar um empurrãozinho em nossa eterna busca pela felicidade.<br />
<strong><em><br />
Preciosa</em></strong> (<em>Precious: Based on the Novel Push by Sapphire</em>, 2009)<br />
<strong>Direção:</strong> Lee Daniels<br />
<strong>Roteiro:</strong> Geoffrey Fletcher (Baseado no romance escrito por Sapphire)<br />
<strong>Elenco:</strong> <span id="Conteudo1_lblElenco">Gabourey Sidibe, Mo&#8217;Nique, Paula Patton, Lenny Kravitz, Mariah Carey e Sherri Shepherd<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span><em><strong>Indicado ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor (Lee Daniels), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Atriz (Gabourey Sidibe), Melhor Atriz Coadjuvante (Mo&#8217;Nique) e Melhor Montagem</strong></em></span></p>
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