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	<title>Hollywoodiano &#187; george clooney</title>
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		<title>Um Homem Misterioso</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Nov 2010 19:44:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[George Clooney não consegue amar, atirar e matar ao mesmo tempo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/trsestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-5983" title="O Americano" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/11/O-Americano.jpg" alt="O Americano" width="600" height="300" /><br />
Os anos marcados nas rugas e no olhar de Jack (George Clooney) indicam um certo cansaço. Talvez queira parar de trabalhar ou mudar de profissão, mas ele é um daqueles tipos que só acordam para mudanças na vida quando levam um baita susto, como a demissão, por exemplo. Ou quando tem em sua cola algum concorrente tentando matá-lo. Ah, sim, esqueci de mencionar que Jack é um assassino profissional. E muito bom no que faz. Mas para eliminá-lo do mercado, a concorrência talvez precise de um plano inteligente, afinal não é qualquer um que consegue se aproximar dele e apagá-lo do mapa ao mesmo tempo. Ou uma coisa ou outra.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas sua carreira tem um preço: a solidão. Chegando ao pequeno vilarejo de Castel del Monte, na Itália, onde aguarda por instruções para executar um novo serviço, Jack ironicamente sente a monotonia do local abrir seus olhos para um futuro menos frio e solitário. Principalmente quando conhece a prostituta Clara (a italiana Violante Placido), sua única hora de lazer em dias onde nada acontece a não ser esperar pelo próximo trabalho. Assim começa <strong><em>Um Homem Misterioso</em> </strong>(<em>The American</em>, 2010), baseado no romance<em> A Very Private Gentleman,</em> de Martin Booth, com direção do holandês Anton “Control” Corbijn.</p>
<p style="text-align: justify;">É o começo, lento, lento e lento, que dita o ritmo de todo o filme. Mas no meio de tantos longas de espionagem, com agentes secretos e assassinos de aluguel correndo pra lá e pra cá, com a câmera tremendo em cenas de luta e perseguições de carros, Corbijn foge da tendência ao explorar a solidão interior de Jack e o silêncio que predomina ao seu redor. O diretor evoca o passado para não repetir o que já está ficando desgastado no presente. O ritmo de <em>Um Homem Misterioso</em> é o cinema dos anos 70, mas com um olhar europeu, completamente distante de Hollywood. O roteiro de Rowan Joffe não traz nada de novo, mas é interessante por lembrar <em>In Bruges</em> (<em>Na Mira do Chefe</em>) sem a diversão do filme de 2008 estrelado por Colin Farrell, Brendan Gleeson e Ralph Fiennes. Embora os diretores de <em>Um Homem Misterioso</em> e <em>Na Mira do Chefe</em> sejam europeus é Anton Corbijn que se desprende dos cacoetes pop que dominaram os filmes americanos ao valorizar a típica atmosfera do cinema europeu (não o de hoje, claro, que está cada vez mais “americanizado”), que muitos gostam de chamar de “arte”. Temos todos aqueles belos cenários, mas a câmera do diretor está voltada para a mente de Jack.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-5982" title="O Americano e a Italiana" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/11/O-Americano-e-a-Italiana.jpg" alt="O Americano e a Italiana" width="600" height="339" /><br />
Dito isso, o filme depende muito da performance de George Clooney, que está perfeito como um sujeito travado emocionalmente, que viaja pelo mundo, mas não se comunica. O trabalho (matar) é o único contato que Jack mantém com as pessoas. Diálogo mais breve do que esse não existe. É “Oi, vim aqui pra te matar. Adeus. BANG!” Nem mesmo o padre da região que reconhece nele um homem de alma atormentada consegue lhe arrancar um desabafo, uma confissão. Jack prefere encontrar a purificação no sexo oral com a prostituta. Pensa que o “aqui se faz, aqui se paga” está na carne e não na alma. Chega a dizer ao padre que Deus não está muito interessado nele. E como em <em>Na Mira do Chefe</em>, ele está num purgatório.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda bem que Jack tem a companhia de Clara e a enigmática Mathilde (a holandesa Thekla Reuten). Note como Anton Corbijn explora a beleza incomum – ao público acostumado com produções americanas – de Thekla e Violante. O charme e a sensualidade das atrizes mereciam um filme à parte, principalmente Violante. Deus, essa mulher é um furacão! É uma legítima herdeira das musas do glorioso cinema italiano ou não é?</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-5981" title="O Americano e a Holandesa" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/11/O-Americano-e-a-Holandesa1.jpg" alt="O Americano e a Holandesa" width="599" height="352" /><br />
No atual cenário, diria que somente cinéfilos terão paciência com <em>Um Homem Misterioso</em>. Há até referências a <em>O Poderoso Chefão</em> (Procissão? Jamais deixe seu acompanhante ir ao banheiro de um restaurante?) e <em>A Ponte do Rio Kwai</em> (a ave observando tudo do alto).</p>
<p style="text-align: justify;">E é curioso constatar um paradoxo entre a popularidade de George Clooney, que se arrisca neste tipo de filme contrário à indústria, e as produções que oferece ao público. Fato: Nós adoramos George Clooney, mas seus filmes não são grandes, nem médios, sucessos de bilheteria. Talvez Clooney, que volta a atuar aqui como produtor, ao lado do parceiro Grant Heslov (<em>Boa Noite e Boa Sorte</em>), tenha algo a dizer a Hollywood. Ele é astro, mas valoriza sua imagem como ator responsável por dar ao público um filme inteligente. Se já diziam que Clooney é um astro à moda antiga, como Cary Grant, sua espécie está mesmo ameaçada, como Jack e suas borboletas em <em>Um Homem Misterioso</em>.</p>
<p><em>(Otavio Almeida)<br />
</em><strong><br />
<em>Um Homem Misterioso</em></strong> (<em>The American</em>, 2010)<br />
<strong>Direção:</strong> Anton Corbijn<br />
<strong>Roteiro:</strong> Rowan Joffe (Baseado no livro de Martin Booth)<br />
<strong>Elenco:</strong> George Clooney, Violante Placido, Thekla Reuten, Paolo Bonacelli, Bruce Altman e Filippo Timi</p>
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		<title>Amor sem Escalas</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 21:18:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<description><![CDATA[O primeiro grande filme do ano]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/cincoestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-2489 aligncenter" title="George Clooney and Vera Farmiga_Up in the Air" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/01/George-Clooney-and-Vera-Farmiga_Up-in-the-Air.jpg" alt="George Clooney and Vera Farmiga_Up in the Air" width="600" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">À noite, quando todos nós voltamos para casa e as estrelas já estão brilhando no céu, aquela que mais pisca é, na verdade, a asa do avião onde está Ryan Bingham (George Clooney). Mas não se preocupe com ele, que aceita muito bem sua condição solitária, embora ele conte isso de outro modo: Como passa grande parte de sua vida em aviões e aeroportos, Bingham garante que está rodeado de pessoas o tempo inteiro. Mas só um homem frio, sem vínculos  emocionais com pessoas ou, muito menos, bens materiais seria um mestre no que faz para ganhar o pão de cada dia: Demitir funcionários de grandes empresas, já que seus chefes não tem a coragem necessária para fazer este trabalho sujo. <strong><em>Amor sem Escalas</em></strong> (<em>Up in the Air</em>, 2009) é a história deste homem, que jamais seria lembrado se passasse por nossas vidas. É a história de um homem que qualquer um classificaria como desprezível ou insensível à primeira vista. E que seria difícil de encontrar até mesmo no escritório de sua firma,  já que ele, teoricamente, não tem um escritório. Ele está em todos os lugares e, ao mesmo tempo, em lugar nenhum.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Amor sem Escalas</em> é um filme sobre e para o nosso tempo: Desemprego, indiferença, alienação, relacionamentos à distância, ausência de compromisso, crise econômica, insensibilidade, excessos e vícios que nos distanciam da realidade marcam o universo de Ryan Bingham. Tanto tempo neste ramo fez com que ele desenvolvesse técnicas especiais para acalmar a situação do mais novo desempregado do mercado: Após dar a notícia ruim, Bingham tenta mostrar à &#8220;vítima&#8221; que há uma luz no fim do túnel. Não que ele se importe. É apenas parte do negócio. E ele é o melhor no que faz.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda assim, precisa provar ao próprio chefe (Jason Bateman) que seu estilo ainda é o mais eficiente, já que uma novata ambiciosa, Natalie Keener (Anna Kendrick), mostra ao patrão que a empresa precisa se modernizar, demitindo funcionários em videoconferências &#8211; isso tiraria o último elo com a humanidade deste trabalho, porém, do ponto de vista da empresa, menos viagens pelo país significam  gastos reduzidos. Bingham, no entanto, ganha uma chance de provar que o melhor modo de fazer isso é olho no olho do funcionário. Mas é obrigado a levar a jovem Natalie com ele para ensiná-la a fazer o &#8220;trabalho de verdade&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-2490 aligncenter" title="Anna Kendrick and George Clooney_Up in the Air" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/01/Anna-Kendrick-and-George-Clooney_Up-in-the-Air.jpg" alt="Anna Kendrick and George Clooney_Up in the Air" width="600" height="396" /></p>
<p style="text-align: justify;">Se seu chefe ficar convencido com o sistema defendido por Natalie, Bingham não sentiria falta exatamente de seu trabalho. É o modo de vida nômade que ele lamentaria deixar para trás. Mas poderia recomeçar, como qualquer outra pessoa que ele demite. É neste ponto que entra a verdadeira intenção do diretor Jason Reitman, de <em>Obrigado por Fumar</em> e <em>Juno</em>: Estudar o lado humano de Ryan Bingham; saber se ele já teve um coração ou se ainda terá um.</p>
<p style="text-align: justify;">E são as mulheres que fazem Bingham ter uma chance de&#8230; tentar uma segunda chance: Em suas viagens, ele costuma encontrar, mesmo que por acaso, a misteriosa Alex (Vera Farmiga), que parece uma versão masculina de Ryan Bingham. Há também a presença de Natalie, que pode ser o Ryan Bingham do futuro. Além disso, ele precisa dar atenção às duas irmãs, que quase não vê.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos poucos, na companhia de todas essas mulheres,  Ryan Bingham começa a ver o outro lado da moeda. De certa forma, <em>Amor sem Escalas</em> segue os passos de <em>Jerry Maguire</em>, filmaço de Cameron Crowe sobre um homem de negócios, que (re)descobre sua condição humana.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2491" title="George Clooney_Up in the Air" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/01/George-Clooney_Up-in-the-Air.jpg" alt="George Clooney_Up in the Air" width="600" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Amor sem Escalas</em> é o segundo filme de Jason Reitman sobre a humanização de um sujeito tomado até o pescoço por um trabalho incomum. O outro é <em>Obrigado por Fumar</em>, com Aaron Eckhart. Será que veremos uma trilogia sobre o tema?</p>
<p style="text-align: justify;">As duas produções seriam muito difíceis para as massas sem um cara como Jason Reitman, que pode ter a coragem de um diretor <em>indie</em>, mas que faz filmes para o grande público. <em>Amor sem Escalas</em> é o melhor exemplo de como se pode equilibrar perfeitamente drama e comédia, com  respeito aos temas e problemas atuais, como foi o caso de <em>Jerry Maguire</em> em outra época.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo muito bem traduzido para a plateia, graças a um George Clooney mais expressivo e humano; a uma sensual e enigmática Vera Farmiga, que jamais dá brechas ao espectador sobre seu &#8220;verdadeiro eu&#8221;, e uma Anna Kendrick pronta para explodir como a jovem profissional impetuosa dos dias de hoje, que só deixa a máscara cair após algumas doses de uísque. Os três entregam as melhores performances de suas carreiras.</p>
<p style="text-align: justify;">Se Ryan Bingham terá ou não o mesmo destino feliz de Jerry Maguire, aí é melhor você conferir o filme. Mas isso tanto faz. O que o diretor Jason Reitman quer é que cada um de nós pare um pouco, neste mundo estressante, dominado por informações, e reflita sobre o que (ou quem) vale a pena nesta vida, que é muito curta. Se você já está condenado e não tem saída, pelo menos, procure o melhor final feliz possível: Prove a si próprio que tentou. E que continuará tentando. A exemplo da conclusão de <em>Um Grande Garoto</em>, outro filmão com Hugh Grant, &#8220;nenhum homem é uma ilha&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Amor sem Escalas</em></strong> (<em>Up in the Air</em>, 2009)<br />
<strong>Direção:</strong> Jason Reitman<br />
<strong>Roteiro:</strong> Jason Reitman e Sheldon Turner (Baseado no livro de Walter Kim)<br />
<strong>Elenco:</strong> George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman, Amy Morton, Melanie Lynskey, Danny McBride, Zach Galifianakis e J.K. Simmons</p>
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		<title>Queime Depois de Ler</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Oct 2008 14:54:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Posts]]></category>
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32ª Mostra Internacional de Cinema
Demorou um pouco, mas eu não levo mais o cinema dos Irmãos Coen a sério. Deixe-me explicar melhor: Eles dominam a linguagem cinematográfica e são abastados intelectualmente, mas não chamo a filmografia dos Coen de &#8220;cinema sério&#8221;. Também não sou da turma que considera Onde os Fracos Não Têm Vez, Fargo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/trsestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<div style="text-align: justify;"><a href="http://4.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/SQcoMu-IThI/AAAAAAAAEHQ/YrCAt_4GRZU/s1600-h/Burn+After+Reading.jpg" onclick="urchinTracker('/outgoing/4.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/SQcoMu-IThI/AAAAAAAAEHQ/YrCAt_4GRZU/s1600-h/Burn+After+Reading.jpg?referer=');"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262218888837877266" style="text-align: center; margin: 0px auto 10px; width: 400px; display: block; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/SQcoMu-IThI/AAAAAAAAEHQ/YrCAt_4GRZU/s400/Burn+After+Reading.jpg" border="0" alt="" /></a></div>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>32ª Mostra Internacional de Cinema</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Demorou um pouco, mas eu não levo mais o cinema dos Irmãos Coen a sério. Deixe-me explicar melhor: Eles dominam a linguagem cinematográfica e são abastados intelectualmente, mas não chamo a filmografia dos Coen de &#8220;cinema sério&#8221;. Também não sou da turma que considera <em>Onde os Fracos Não Têm Vez</em>, <em>Fargo</em> e <em>Gosto de Sangue</em> como trabalhos maduros dos irmãos cineastas mais loucos da História. Para mim, os sensacionais Joel e Ethan Coen desafiam o público que se acha esperto acima da média com um humor negro inteligente, irônico, imprevisível. E pelo jeito desencanado de Joel e Ethan no último Oscar, e por <strong><em>Queime Depois de Ler</em></strong> (<em>Burn After Reading</em>, 2008), o filme seguinte da dupla ao prêmio da Academia, eles querem mesmo é rir da nossa cara.</p>
<p style="text-align: justify;">Tem gente que não vê isso, mas os Coen também querem avacalhar o cinemão. As homenagens aos gêneros favoritos de Joel e Ethan jamais são deixadas de lado. Mas o importante na filmografia dos irmãos é mostrar que Hollywood e os próprios cinéfilos se levam a sério demais &#8211; como os filmes de espionagem, por exemplo, que são o alvo dos Coen em <em>Queime Depois de Ler</em>. Não sei se isso é bem uma sátira. Eles simplesmente não encaram o gênero sem dar risada.</p>
<p style="text-align: justify;">Enfim, qual é o problema com filmes que não se levam a sério? Não vejo um sequer. Ainda mais quando o cinema em questão é feito com extrema inteligência e muita classe. E no caso de <em>Queime Depois de Ler</em>, a força do texto e a entrega do elenco fazem da comédia dos Coen um programão engraçadíssimo, obrigatório e de fácil aceitação. Só que muitos dirão: &#8220;Nossa, isso que é humor inteligente!&#8221; Bom, de fato é. Mas os Coen estão é tirando uma com a nossa cara. Você pode até encontrar paralelos com a paranóia norte-americana pós-11 de setembro e o conseqüente pessimismo generalizado, que viraram temas do atual cinema hollywoodiano. Só que o importante aqui é a diversão. Somos enganados o tempo todo pelos irmãos e adoramos isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao contrário do humor implícito na trama de <em>Onde os Fracos Não Têm Vez</em>, filme que consagrou Joel e Ethan em Hollywood, <em>Queime Depois de Ler</em> é muito escrachado, explícito, descarado. A risada rola solta do início ao fim com os mesmos absurdos que já vimos antes nos melhores filmes dos Coen. Por isso, alguns dirão que é um filme menor da dupla, afinal é uma comédia assumida e <em>blá blá blá</em>. Também não é pesado como <em>Onde os Fracos Não Têm Vez</em>, <em>Fargo, Gosto de Sangue </em>e <em>blá blá blá</em>. Mas eu já digo que é o mesmo tipo de filme de novo e de novo.</p>
<p style="text-align: justify;">Comparando os dois últimos longas dos Coen, como <em>Onde os Fracos Não Têm Vez</em>, a trama de <em>Queime Depois de Ler</em> vai do nada a lugar nenhum. Tudo gira em torno de um grande mal-entendido protagonizado por pessoas estúpidas, que se empolgam com uma oportunidade que parece ter caído do céu para dar significado a suas vidinhas patéticas. E a ação envolve mais e mais personagens até descambar para uma conclusão sangrenta, onde ninguém aprende nada além do que já se sabia no início do filme. Ou seja, no fim, não quer dizer coisa alguma. Vai do nada a lugar nenhum. A principal diferença entre os dois filmes é: <em>Queime Depois de Ler</em> é assumidamente ridículo, o que deixa essa viagem muito mais divertida.</p>
<p style="text-align: justify;">Se é para avacalhar com o mundo certinho e os valores de uma sociedade triste e hipócrita, eu prefiro os Coen palhaços de <em>Queime Depois de Ler</em>. É a melhor comédia da dupla desde <em>O Grande Lebowski</em> e, talvez, a mais engraçada do ano. Mais do que <em>Trovão Tropical</em>, de Ben Stiller. Mas os Coen advertem: Só os inteligentes conseguirão rir. Outros, desculpem-me, acharão tudo muito estúpido no pior sentido da palavra.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, uma atenção especial ao elenco de <em>Queime Depois de Ler</em>, um dos mais afinados do ano. Todos estão bem a vontade e hilariantes &#8211; George Clooney, Tilda Swinton e John Malkovich. Mas destaco J.K. Simmons, Richard Jenkins, equilibrado no papel do sujeito mais &#8220;normal&#8221; do filme e, principalmente, Frances McDormand e Brad Pitt, que estão insanos. Pitt, aliás, talvez esteja no maior momento de sua carreira. Todas as suas cenas são de rachar o bico de tanto rir. E fique ligado na cena inesquecível de <em>Queime Depois de Ler</em>, que envolve Brad Pitt, George Clooney e um armário. Chorei de rir. É bobagem da grossa, mas também é a síntese do cinema dos Coen.</p>
<p>O recado é o seguinte: O cinema não tem a obrigação de ser sempre, mas também pode ser divertido. Para quem compreende esta mensagem (aliás, inserida no título do filme), <em>Queime Depois de Ler</em> é um dos melhores e mais empolgantes filmes de 2008.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Queime Depois de Ler</em></strong> (<em>Burn After Reading</em>, 2008)<br />
<strong>Direção:</strong> Joel Coen e Ethan Coen<br />
<strong>Roteiro:</strong> Joel Coen e Ethan Coen<br />
<strong>Elenco:</strong> George Clooney, Frances McDormand, John Malkovich, Brad Pitt, Tilda Swinton, J.K. Simmons, Richard Jenkins, David Rasche e Olek Krupa</p>
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