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	<title>Hollywoodiano &#187; jeremy renner</title>
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		<title>Atração Perigosa</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2010 23:44:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ben Affleck faz o seu "Fogo Contra Fogo"]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/quatroestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-5532" title="The Town_1" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/11/The-Town_1.jpg" alt="The Town_1" width="600" height="243" /><br />
Em <strong><em>Atração Perigosa</em></strong> (<em>The Town</em>, 2010), segundo filme de Ben Affleck como diretor, há um monólogo belíssimo de um anônimo num centro de reabilitação. Enquanto Doug MacRay (Affleck) levanta da cama, faz alguns exercícios, põe uma roupa e sai para andar pelas ruas de Boston, escutamos vários depoimentos em <em>off</em> desses anônimos falando sobre seus vícios e suas dores, tudo 100% enraizado na cidade. Até que chega a fala desse cidadão, sobre como ele se perdeu numa nevasca e pediu ajuda a Deus, mas nenhuma força poderosa veio acudi-lo. Exceto por uma esquimó, que lhe estendeu a mão e, desde então, está casada com ele. Na sequência, vemos Claire (Rebecca Hall) saindo de casa. Tudo indica que ela será a salvação de Doug, que já se livrou de vários vícios, menos um: roubar bancos. O filme é sobre a redenção deste homem.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas Doug sabe que, para sair desta vida, precisará abandonar Boston, com quem está ligado de corpo e alma desde que nasceu. Talvez o amor puro e verdadeiro por Claire fale mais alto. E almas gêmeas podem se encontrar em qualquer lugar. Como numa lavanderia, onde Claire pensa que esbarrou com Doug pela primeira vez. Mas o rapaz sabe que o encontro aconteceu antes, durante um assalto ao banco em que Claire trabalha. Só que ele e seus comparsas usavam máscaras assustadoras. Além da paixão à primeira vista pela moça, Doug, que jamais matou alguém em seus assaltos, sabe que isso acontecerá mais cedo ou mais tarde, afinal Jem (Jeremy Renner), seu parceiro do crime e amigo de infância, está perdendo o controle, ficando cada vez mais violento, doido para estourar os miolos de qualquer cidadão de Boston. Mas, alguma hora, ele precisará contar a verdade a Claire.</p>
<p style="text-align: justify;">A redenção de Doug também está ligada ao pai (Chris Cooper), bandido que passa o resto de seus dias na prisão. Além disso, está conectada ao trauma do desaparecimento da mãe, quando ele ainda era menino.</p>
<p style="text-align: justify;">Você pode reclamar das limitações de Ben Affleck como ator, mas pense por este lado: seu método tosco de atuação cai como uma luva no personagem. Canastrão, com dificuldade de expressar sentimentos com palavras e gestos, Doug é como Ben Affleck, o ator. O personagem não tem todos esses traumas? Não se envolveu com drogas no passado? Não teve problemas durante seu processo de educação? Pois bem, ele não sabe se comunicar, fala pra dentro, é quase inexpressivo. Às vezes, funciona. Como Sylvester Stallone em <em>Rocky – Um Lutador</em>. Para Sly, nem sempre funciona, claro, mas em seu papel mais famoso, deu certo.</p>
<p style="text-align: justify;">O elenco todo de <em>Atração Perigosa</em> é especial. Com destaque para Jeremy Renner, que depois de <em>Guerra ao Terror</em> entrega outro personagem complexo e imprevisível, com a pequena diferença que, desta vez, ele coloca medos e desejos pra fora.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-5534" title="The Town_2" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/11/The-Town_2.jpg" alt="The Town_2" width="600" height="300" /><br />
Não deixa de ser um faroeste urbano, mas é o gênero policial que reina absoluto. Nos filmes de Martin Scorsese sobre Nova York e Don Siegel (sobre São Francisco), a câmera sempre está ali nas ruas captando cada rosto, cada gesto, cada olhar, cada sujeira, cada luz, cada fumaça, cada sotaque. Ben Affleck faz o mesmo por Boston em <em>Medo da Verdade</em> e <em>Atração Perigosa</em>. Se ainda não é um gênio como diretor, Affleck, pelo menos é um bom aluno desses grandes mestres de assinaturas facilmente reconhecidas. E está no caminho certo.</p>
<p style="text-align: justify;">Há até um forte elo entre o homem fazendo coisas erradas na Terra sob o olhar de Deus, marcado em símbolos religiosos, como nos acostumamos a ver nos policiais de Martin Scorsese. Como Harvey Keitel, em <em>Caminhos Perigosos</em>, Ben Affleck também interpreta um santo moderno em <em>Atração Perigosa</em>. Cada um do seu jeito. E em épocas e cidades diferentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a inspiração e o coração de Affleck remetem ainda mais aos primeiros passos de Michael Mann (<em>O Informante</em>, <em>Colateral</em>, <em>Inimigos Públicos</em>) rumo ao <em>hall </em>dos grandes diretores. Seu <em>Atração Explosiva</em> é uma espécie de <em>Fogo Contra Fogo 2</em>. Claro que o agente Frawley, vivido por Jon Hamm, não persegue Doug e seu bando com toda a atenção e a intimidade da câmera, que Mann depositou no personagem de Al Pacino. Mas a energia, o clima, as motivações e o sentimento do homem viciado no crime estão diretamente conectados com <em>Fogo Contra Fogo</em> do que qualquer outro filme de assalto. Repare nos tiroteios pelas ruas em plena luz do dia, com o som e a fúria dos disparos e as balas batendo e voltando nos prédios e nos muros de Boston.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-5538" title="The Town" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/11/The-Town.jpg" alt="The Town" width="600" height="300" /><br />
Se <em>Atração Perigosa</em> tivesse sido lançado há uns 10 anos atrás, Ben Affleck provavelmente seria acusado não de imitar, mas de ser pouco criativo e de seguir perto demais os passos e o olhar de Michael Mann em <em>Fogo Contra Fogo</em> (1995). Hollywood poderia aprender com Affleck e entender que não adianta esgotar fórmulas que dão certo com um filme atrás do outro. Basta esperar pelo momento certo e tentar de novo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Atração Perigosa</em> pode decepcionar aqueles que buscam reviravoltas, surpresas a cada minuto. Sim, o filme é bem tradicional. Mas e daí? Cena a cena, temos uma boa história à moda antiga, contada sem a pressa do cinema de hoje. É uma trama que evolui e nos envolve com seus personagens principais muito bem trabalhados pelo roteiro. Exemplo: Você torce para que Claire descubra a verdade sobre Doug? Torce para o agente Frawley matar ou capturar todos os assaltantes? Ou torce para que o plano de Doug rumo à redenção dê certo? Lembre-se então da cena em que Doug e Claire conversam num café e são surpreendidos pela visita de Jem. A moça sabe que um dos assaltantes tinha uma tatuagem na nuca (Jem) e Doug faz de tudo para que ela não veja a figura no pescoço do amigo. É o que eu entendo como diálogo com o público. Você se pega torcendo até a conclusão da cena.</p>
<p style="text-align: justify;">Outros momentos ilustram essa sensação. Lembre-se do diálogo sobre os dias ensolarados. Lembre-se do significado da tangerina. São símbolos, mensagens, que fazem todo o sentido até a cena final. E se funciona, Ben Affleck só pode ter acertado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Atração Perigosa</em></strong> (<em>The Town</em>, 2010)<br />
<strong>Direção:</strong> Ben Affleck<br />
<strong>Roteiro:</strong> Ben Affleck, Peter Craig e Aaron Stockard (Baseado no livro “The Prince of Thieves”, de Chuck Hogan)<br />
<strong>Elenco:</strong> Ben Affleck, Rebecca Hall, Jon Hamm, Jeremy Renner, Blake Lively, Pete Postlethwaite, Chris Cooper e Titus Welliver</p>
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		<title>Guerra ao Terror</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Feb 2010 21:27:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<category><![CDATA[jeremy renner]]></category>
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		<description><![CDATA[O poderoso filme de Kathryn Bigelow que conquistou a crítica americana]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/quatroestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2722" title="The Hurt Locker" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/02/The-Hurt-Locker.jpg" alt="The Hurt Locker" width="600" height="300" /><br />
Sob qualquer ponto de vista, <strong><em>Guerra ao Terror</em></strong> (<em>The Hurt Locker</em>, 2009) é o melhor filme já feito sobre a Guerra do Iraque. Mas isso chega a ser redundante, afinal não existem tantas produções assim sobre um conflito tão recente, que os próprios americanos ainda estão digerindo. Sabendo disso, a diretora Kathryn Bigelow olhou para as pessoas que convivem com o horror da guerra diariamente, privilegiando uma visão intimista, mas sem deixar de lado o cinema-espetáculo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Guerra ao Terror</em> é um esforço e tanto de uma surpreendente Kathryn Bigelow (<em>Caçadores de Emoção</em>, <em>Estranhos Prazeres</em>, <em>K-19: The Widowmaker</em>) para chamar a atenção do povão, que não vê a CNN, com um <em>mix</em> visceral de ação e suspense, ilustrando, na medida do possível, a dura realidade dos soldados americanos no Iraque.</p>
<p style="text-align: justify;">Bigelow captura a essência do combate, assim como suas complicações morais e a influência disso tudo na vida de um soldado. Mas também dá um show para quem conhece a guerra pelos videogames. É um casamento perfeito entre os melhores recursos oferecidos por Hollywood e as influências do estilo documentarista. O espectador se sente como um correspondente no Iraque graças a uma câmera dominada pela tensão, reforçada pela fotografia queimada pelo sol de Barry Ackroyd e a montagem mais competente do ano, assinada por Chris Innis e Bob Murawski. É realidade, mas não deixa de ser cinemão.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2721" title="The Hurt Locker 2" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/02/The-Hurt-Locker-2.jpg" alt="The Hurt Locker 2" width="600" height="300" /><br />
Porém, o terreno não é o que mais importa para a diretora. <em>Guerra ao Terror</em> é, principalmente, um fascinante estudo de personagens, podendo ser visto como um filme sobre vícios e viciados. Bom, pelo menos UM viciado. Exemplo ideal de um indivíduo da atual sociedade alienada, o Sargento William James (Jeremy Renner, em atuação estupenda) está no Iraque para desarmar bombas. Ele tem o pior trabalho do mundo, mas parece amar o que faz. Está certo que alguém precisa cortar os fios e não existe ninguém melhor do que ele. Mas pelas palavras de Chris Hedges, ex-correspondente de guerra do The New York Times, que abrem o filme, o Sargento James é mesmo viciado na adrenalina do combate. Ele é um artista, um gênio, como Picasso ou Da Vinci.</p>
<p style="text-align: justify;">Só não pense que sua personalidade é escancarada na tela por Kathryn Bigelow e Jeremy Renner. Nada é óbvio em <em>Guerra ao Terror</em>. No início, o filme repleto de atores desconhecidos (tirando as ligeiras participações especiais de Ralph Fiennes, David Morse e Guy Pierce) sugere que o Sargento Sanborn (o ótimo Anthony Mackie) é o protagonista. Mas, aos poucos, a diretora revela que o complexo William James é o verdadeiro líder do elenco. Aliás, uma liderança que se torna evidente na fantástica cena do <em>sniper</em>, que joga no ar a imagem de um sujeito longe de ser um cara comum, vencido facilmente por suas emoções. James é a guerra encarnada.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a maioria dos soldados quer seguir as regras e voltar o quanto antes para casa, James não consegue ficar longe do inferno. Do contrário, sua vida não tem sentido. A complexidade aumenta: Estamos falando de vício ou a busca pela felicidade? E se ele realmente ama desarmar bombas? Pode ser que <em>Guerra ao Terror</em> questione se há uma interligação entre amor, desejo, loucura, sofrimento e vício em algum lugar dentro do ser humano.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2720" title="The Hurt Locker 3" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/02/The-Hurt-Locker-3.jpg" alt="The Hurt Locker 3" width="600" height="300" /><br />
Mas <em>Guerra ao Terror</em> só tem pose de diferente. O Sargento James ama a sua família, mas jamais trairá seu verdadeiro “eu”. São demonstrações da razão da existência do homem na Terra. Por mais que as pessoas não compreendam seus métodos, James, assim como todos nós, está aqui para ser feliz. <em>Guerra ao Terror</em> é uma ode original à procura pela felicidade. Não confunda, portanto, com um apoio ao conflito armado. Kathryn está interessada em buscar humanidade, mesmo que dentro de um personagem tão frio e estranho aos nossos olhos. Ao mesmo tempo, ela assume a decadência da sociedade, reduzida a valores que não deveriam fazer parte de nossas vidas. De certa forma, William James dialoga com Ryan Bingham, o personagem de George Clooney em <a href="http://www.hollywoodiano.com/2010/01/amor-sem-escalas-2/"><em>Amor sem Escalas</em></a>, outro cara preenchido por valores vazios, mas que não consegue se livrar deles.</p>
<p style="text-align: justify;">O ótimo roteiro de Mark Boal, repórter de guerra que também escreveu <em>No Vale das Sombras</em> (outra análise hollywoodiana sobre o Iraque), pode jogar com a experiência de quem esteve lá. Mas <em>Guerra ao Terror </em>busca originalidade na abordagem de um dos temas mais adorados pelo cinemão: a felicidade a qualquer preço. Pode trair “a volta para casa” e “a importância da família”, outras duas vertentes da indústria, mas não deixa de ser um filme acadêmico. E que mal há nisso? <em>Guerra ao Terror</em> chega onde Hollywood quer, mas, pelo menos, pega uma outra estrada.</p>
<p style="text-align: justify;">E existe algo mais clássico do que uma trilha sonora marcante? A composição melancólica de Marco Beltrami e Buck Sanders, que surge nos raros momentos de silêncio, fica para o espectador, como a guerra fica para o soldado. <em>Guerra ao Terror</em> é como a droga. Dá aquela adrenalina no começo, mas logo vem o soco no estômago e a sensação de depressão. E, estranhamente, você não vê a hora de repetir a dose. Para Hollywood, não há nada melhor do que unir arte com ambições comerciais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Guerra ao Terror</em></strong> (<em>The Hurt Locker</em>, 2009)<br />
<strong>Direção:</strong> Kathryn Bigelow<br />
<strong>Roteiro:</strong> Mark Boal<br />
<strong>Elenco:</strong> <span id="Conteudo1_lblElenco">Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Guy Pearce, Ralph Fiennes, David Morse e Evangeline Lilly</span></p>
<p><strong><em>Obs: Crítica originalmente postada em 26 de agosto de 2009<br />
(Acrescentando somente a viagem em relação ao filme &#8220;Amor sem Escalas&#8221;)</em></strong></p>
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