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	<title>Hollywoodiano &#187; judi dench</title>
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		<title>Nine</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Feb 2010 20:47:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA["Nine" é como pastel de vento: bonitinho, dá água na boca, mas quando você morde, não tem nada. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/umaestrela.JPG" border="0" alt="" /></p>
<div id="attachment_2800" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class="size-full wp-image-2800" title="NINE sucks 2" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/02/NINE-sucks-2.jpg" alt="NINE sucks 2" width="600" height="431" /><p class="wp-caption-text">&quot;Nine&quot; é um belo pastel de vento</p></div>
<p style="text-align: justify;">Vamos combinar uma coisa: <em><strong>Nine</strong></em> (<em>Nine</em>, 2009) só pode ser avaliado de forma justa por quem viu <em>8 1/2</em>, afinal o musical de Rob Marshall (<em>Chicago</em>) é uma adaptação da montagem da Broadway em homenagem ao clássico de Federico Fellini. Sério. Não é o tipo de filme que pode ser visto ignorando sua fonte de inspiração, porque <em>Nine</em> pode ser facilmente confundido como uma ode aos musicais de Bob Fosse, o que seria um erro. Se essa fosse a intenção, Rob Marshall até que mereceria um desconto, sem jamais chegar aos pés do diretor de <em>All That Jazz</em> e <em>Cabaret</em>, claro. Mas como o material de origem é <em>8 1/2</em>, eu não diria que Fellini está se revirando no túmulo. Diria que ele deu de ombros.</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos combinar outra coisa: o estilo manjado (e picareta) de Rob Marshall para fazer (ou forçar) uma nova geração de cinéfilos apreciar os musicais, com cortes mostrando os atores cantando e dançando para explicar o drama da &#8220;cena real&#8221; em questão, é recurso de cineasta de segunda categoria. Quando filmes de outros gêneros explicam exageradamente seus finais ou insistem na narração <em>em off</em> para não deixar o público com dúvidas na saída do cinema, tem gente que reclama. Agora, quando Rob Marshall faz o mesmo em seus musicais, aí pode? Por exemplo, Marion Cotillard discute com Daniel Day-Lewis em cena. Então, Rob Marshall apresenta, paralelamente, um delírio musical explicando 100% o que ela já queria dizer com todas as letras.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais: Todo o glamour, com belas mulheres, cortes espertos na edição, muita iluminação aqui e ali não escondem um conteúdo vazio, sem paixão na hora de ser contado ao público. Lembre daqueles filmes de ação com muito tiro, correria, pancadaria e explosão que escondem uma trama banal. Lembre do show de efeitos visuais em outros filmes que desviam a fragilidade da história. E olha que muitos reclamaram de <em>Avatar</em>, quando o exemplo do mau cinema cheio de plumas e paetês está em <em>Nine</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Não foi inspiração que faltou a Rob Marshall, afinal estamos falando de <em>8 1/2</em>. Nem elenco, porque temos Daniel Day-Lewis, Nicole Kidman, Marion Cotillard, Kate Hudson, Penélope Cruz, Judi Dench e Sophia Loren. Aliás, quer saber como desperdiçar um belo elenco? Aprenda com Rob Marshall. Ok, Daniel Day-Lewis canta mal, eu sei. Mas prefiro bater no diretor, que foi vendido como especialista em musicais, discípulo de Bob Fosse. Como, então, esse sujeito não conseguiu fazer o Mestre Jedi Daniel Day-Lewis cantar? Longe das cenas musicais, o ator vencedor do Oscar por <em>Meu Pé Esquerdo</em> e <em>Sangue Negro</em>, está ótimo como sempre, trasmitindo muito bem a angústia criativa e existencial de seu personagem, o diretor italiano de cinema Guido Contini, papel de Marcello Mastroianni no clássico de Fellini.</p>
<p style="text-align: justify;">O problema é ainda mais grave com o elenco de apoio. Nicole Kidman praticamente não entra em campo, como Ronaldo no Corinthians. Sophia Loren, meu Deus, é uma estátua. Já Kate Hudson seria uma agulha no palheiro se não fosse pelo empolgante número musical, <em>Cinema Italiano</em>, que ela canta e dança com muita propriedade. Judi Dench não. Ela é respeitada pelo diretor e tem seus momentos, até que se sai bem em sua cena musical. E preciso elogiar a decisão de Rob Marshall em não dar falas para Fergie, poupando a moça de um vexame. Aliás, ela é a única que sabe cantar, por motivos óbvios, e faz bonito. Mas quem se dá bem mesmo é Penélope Cruz e Marion Cotillard. A primeira usa e abusa de sua sensualidade nos palcos, mas revela uma contraditória e surpreendente inocência ao lidar com sua paixão por Guido. Já Marion é uma daquelas atrizes que deve ser levada cada vez mais a sério. Que mulher fantástica! Seu papel é forte e toda a sua agonia fica registrada, com ou sem cantoria, pelo poder de seu olhar.</p>
<div id="attachment_2801" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class="size-full wp-image-2801" title="NINE sucks" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/02/NINE-sucks.jpg" alt="NINE sucks" width="600" height="300" /><p class="wp-caption-text">Nicole: &quot;Não se preocupe, Daniel... Não conto a ninguém que você não sabe cantar...&quot;</p></div>
<p style="text-align: justify;">Além do elenco desperdiçado, <em>Nine</em> também sofre com canções fracas, que não ficam na memória, exceto por <em>Cinema Italiano</em>, cantada por Kate Hudson, e <em>Be Italian</em>, interpretada por Fergie. Senhoras e senhores, este é um musical sem o domínio de boas canções. Imaginem só&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o maior pecado de <em>Nine</em> não é tentar explicar os devaneios do Guido de Mastroianni em <em>8 1/2</em>, como o safado <em>2010 &#8211; O Ano em que Faremos Contato </em>foi para <em>2001 &#8211; Uma Odisseia no Espaço</em>. O maior pecado é a falta de paixão de Rob Marshall em relação ao filme de Fellini. Mas isso é evidente: <em>8 1/2</em> é Fellini sobre Fellini. Como outro diretor poderia entender? Marshall quer mesmo é se aproveitar do rótulo famoso para fazer seu musical. É como aquele tradicional projeto hollywoodiano, que adapta qualquer livro de sucesso para o cinema sem qualquer identificação do diretor com o material original.</p>
<p style="text-align: justify;">Se Marshall viu em<em> 8 1/2</em> a oportunidade perfeita para juntar sonho e realidade, ele precisa rever <em>All That Jazz</em>, em que Bob Fosse se aproxima de forma muito mais competente dessa intenção, sem que tenha qualquer ligação explícita com a obra-prima de Fellini. No fim, <em>Nine </em>é como pastel de vento: bonitinho, a boca fica cheia d&#8217;água, mas quando você morde, não tem nada. O sentimento reflete uma fala do próprio Guido: &#8220;A embalagem me interessa menos que o conteúdo.&#8221;</p>
<p><em><strong>Nine</strong></em> (<em>Nine</em>, 2009)<br />
<strong>Direção:</strong> Rob Marshall<br />
<strong>Roteiro:</strong> <span id="Conteudo1_lblRoteiro">Michael Tolkin e Anthony Minghella</span><br />
<span id="Conteudo1_lblElenco"><strong>Elenco:</strong> Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Nicole Kidman, Judi Dench, Kate Hudson, Sophia Loren, e Stacy Ferguson</span></p>
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