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	<title>Hollywoodiano &#187; lone scherfig</title>
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		<title>Um Dia</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 20:43:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Que parece durar 20 cansativos anos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/umaestrela.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-8922" title="one day" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2011/12/one-day.jpg" alt="one day" width="600" height="300" /><br />
Uma boa ideia não garante um bom filme. E <strong><em>Um Dia</em></strong> (<em>One Day</em>, 2011) traz uma ideia, no mínimo, interessante. É sobre esse casal, Emma (Anne Hathaway) e Dexter (Jim Sturgess), que se conhece pra valer em sua festa de formatura nos anos 80, mais precisamente num dia 15 de julho. Acompanhamos o que acontece aos dois sempre no mesmo dia de cada ano. Essa opção narrativa, no entanto, dá ao filme uma cara de junção de cenas deletadas, que podemos encontrar nos extras de um DVD ou Blu-ray. Cenas soltas, mal amarradas, que servem apenas para matar ou atiçar a nossa curiosidade. Geralmente, não fazem falta alguma na montagem final.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Um Dia</em>, o filme (a crítica é para o filme), mostra somente o meio de cada uma das 24 horas relatadas. Nos relacionamentos, lembramos do começo e do fim. O meio costuma ser esquecido e é justamente isso o que interessa na história de Dexter e Emma. Pode funcionar no livro, ou em outros filmes, mas aqui, os cortes denunciam a superficialidade. Quando as ramificações da trama que unem e separam o casal são desenvolvidas na tela, somos jogados abruptamente a um novo dia. O que estraga tudo. A diretora Lone Scherfig não é François Truffaut – em <em>Jules e Jim</em> – ou qualquer outro grande contador de histórias que envolvam anos ou décadas de seus personagens. Honestamente, nem todos os dias narrados por Scherfig são dignos de nota. Analisando friamente, precisamos somente do primeiro (o encontro) e aquele que sela o destino do casal (o maldito caminhão). Se era para nos obrigar a assistir 20 dias, ou seja, 20 anos, o filme necessitava de um casal de protagonistas mais arrebatador.</p>
<p style="text-align: justify;">Anne Hathaway é uma gracinha, carismática, mas, falando sério, funciona bem mais em comédias. A não ser que ela apresente o avesso de sua imagem em Hollywood, como no drama <em>O Casamento de Rachel</em>. Ali funcionou. Posando de gatinha, restava à americana Anne caprichar no sotaque britânico. Sua personagem é inglesa, mas seu sotaque parece sair da boca do Jar Jar Binks. Basta lembrar de Renée Zellweger, que enfrentou rejeição de fãs, críticos e da própria autora na pré-adaptação de <em>Bridget Jones</em>. Só que após o lançamento, ela calou a boca de todo mundo com sua atuação bem sucedida. Pulamos então para a outra cara metade do casal de <em>Um Dia</em>: Jim Sturgess. Esse sim um inglês de verdade, porém sem o carisma de Anne, que ainda precisa ralar pra convencer como ator. Mas não adianta colocar tudo na conta deles. A montagem também contribui para o fracasso de Anne Hathaway e Jim Sturgess. Não há tempo suficiente para simpatizarmos com o casal e torcermos para que ambos fiquem juntos apesar dos pesares. Bem, tem esse ou aquele espectador que vai se enxergar na situação. <em>Um Dia</em> realmente fala sobre oportunidades perdidas, amor, ideais, arrependimentos e amizade, coisas que fazem sentido para todos nós. Mas você consegue sentir pena de um casal tão insosso? Melhor sair da internet pra ver a luz do sol, conhecer pessoas, olhá-las diretamente nos olhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Se o filme não pode ser sustentado nem mesmo por seus atores principais, o que fica? A ambientação da década de 80 com músicas, roupas e cortes de cabelo? Não diria isso, afinal a pressa em pular de um dia para o outro e contar uma história de 20 anos faz com que a identidade oitentista não alimente a nostalgia de ninguém. Muito menos os vazios anos 90. Não adianta nem vir com piadinhas previsíveis como aquela sobre o futuro dos celulares, como arrisca Emma numa parte do filme, afinal onde está  a empatia com uma plateia que já está pensando no iPad 3?</p>
<p style="text-align: justify;">Fica o clichê mal reciclado, que não costuma aborrecer quem gosta de filmes &#8220;água com açúcar&#8221;. Fica a decepção por este ser o filme que a diretora dinamarquesa Lone Scherfig resolveu fazer após <em>Educação</em>. Fica o dinheiro perdido do cinéfilo. E a sensação de que o autor do livro, David Nicholls, vendeu a alma ao Diabo, digo, Hollywood, pois é dele também o roteiro. Sem falar no duvidoso tom moralista que sugere ao baladeiro, machão sem vergonha, que só pensa na fama, que é melhor se casar e ter filhos o mais rápido possível com a garota legal. Mesmo que o cara tenha apenas vinte e poucos anos de idade. Estamos no século XXI ou estou enganado? Ninguém aprendeu ainda a parar e olhar para os dois lados antes de atravessar a rua?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Um Dia</em></strong> (<em>One Day</em>, 2011)<br />
<strong>Direção:</strong> Lone Sherfig<br />
<strong>Roteiro:</strong> David Nicholls<br />
<strong>Elenco:</strong> Anne Hathaway, Jim Sturgess, Romola Garai, Patricia Clarkson e Ken Stott</p>
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		<title>Educação</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 02:49:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tente não ficar encantado por Carey Mulligan se for capaz]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/quatroestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2871" title="Carey Mulligan_Best Actress 1" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/02/Carey-Mulligan_Best-Actress-1.jpg" alt="Carey Mulligan_Best Actress 1" width="600" height="364" /><br />
Jenny (Carey Mulligan) tem 16 anos e vive na conservadora Inglaterra dos anos 60. É bonita, inteligente, educada, boa filha e ótima aluna que encanta amigos, professores e os próprios pais. Mas como toda menina, ela tem seus sonhos. O principal é conhecer Paris. É delicada, meiga e tem bom gosto pela música francesa da época. Toca <em>cello</em>, tem ideias avançadas para o seu tempo, além de uma alegria contagiante expressada em um sorriso cheio de vida. Sim, ela é maravilhosa. É a filha que gostaríamos de ter. Mas, claro, como toda menina de 16 anos, Jenny ainda tem uma percepção ingênua do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Se hoje o sistema ideal de educação ainda é discutido, imagine nos anos 60. Jenny é a filha que todo mundo pediu a Deus. Ela também é a aluna perfeita, que orgulha seus professores. Mas, cá entre nós, não queremos dizer aos filhos, sobrinhos ou irmãos mais novos que é impossível adquirir conhecimento e experiência na vida, além de uma noção mais abrangente do mundo sem sair da sala de aula ou das páginas de um belo livro. No fim, o que fica? Qual é o melhor caminho para o aprendizado de uma jovem brilhante, cheia de potencial? Existe um meio termo? Essa é a discussão em torno de <strong><em>Educação </em></strong>(<em>An Education</em>, 2009), filme da diretora dinamarquesa Lone Scherfig, de <em>Italiano Para Principiantes</em>, baseado nas memórias da jornalista Lynn Barber.</p>
<p style="text-align: justify;">Pronta para entrar em Oxford, Jenny conhece David (Peter Sarsgaard), um homem com o dobro de sua idade, mas que pode lhe mostrar o mundo de uma forma que só existia em seus sonhos. Com David, ela dá um tempo em sua vida de classe média e recebe a educação exigida no circuito de alto padrão, em restaurantes finos, concertos e&#8230; Paris. Ele diz, promete e cumpre coisas que jamais passariam pela cabeça dos meninos da escola.</p>
<p style="text-align: justify;">Se David parece o príncipe encantado para muitas mulheres dos dias de hoje, imagine então o que ele significa para uma garota de 16 anos vivendo em um período da história em que o sexo feminino dificilmente teria outro destino além das funções de esposa e dona de casa. Sejamos francos: Jenny pode estudar nas melhores escolas e universidades, mas não fugiria da vassoura, do avental e da pilha de louças para lavar na pia.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o que seria melhor para ela? O colégio como instituição ou a escola da vida? Seu pai (Alfred Molina, ótimo) é extremamente rigoroso e exigente no que diz respeito a sua educação. Ele a ama e jamais é violento ou grosso com Jenny, mas precisa assumir a função de pai, o homem da casa, que sabe que sua filha precisar estudar muito para vencer numa sociedade que não é justa com as mulheres. Mas quando ele é apresentado ao namorado (cheio da grana) da filha, surge uma luz no fim do túnel em sua mente: Agora, Jenny não precisa mais da escola, nem dos livros. David é um homem com totais condições de garantir um bom futuro a sua filha. Por outro lado, sua professora (Olivia Williams), que tem uma postura independente, rara entre as mulheres da época, condena o consequente desprezo de Jenny em relação aos estudos. Acha SIM que sua aluna pode se tornar uma mulher brilhante, sem depender de qualquer homem, nem ninguém.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2872" title="Carey Mulligan_Best Actress 2" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/02/Carey-Mulligan_Best-Actress-2.jpg" alt="Carey Mulligan_Best Actress 2" width="600" height="300" /><br />
<em>Educação</em> parece pertencer àquela época em que os filmes eram bons. Um de seus charmes é ser um drama assumidamente à moda antiga. E isso inclui seu espírito, que esbanja leveza, encanto e inocência, apesar da protagonista defender conceitos consideravelmente avançados para os anos 60. Em parte, pelo roteiro pop de Nick Hornby (autor de <em>Alta Fidelidade</em>, <em>Febre de Bola</em>, <em>Um Grande Garoto</em>), cheio de observações e sutilezas atuais, dando voz e personalidade a uma jovem à frente de sua época.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais do que tudo, <em>Educação</em> deve seu sucesso à atuação magistral de uma estrela que acaba de nascer: Carey Mulligan. Para quem gosta de cinema é impossível não se entusiasmar com sua presença na tela. Ela é encantadora sim, mas é dona de um talento explosivo para a sua idade que falta em muitas atrizes mais velhas. Ela dá a Jenny a inocência e a pureza que o filme pede para valorizar o drama de uma menina que ameaça amadurecer antes do tempo, sem ter muita consciência do que está fazendo, afinal ela tem apenas 16 anos. Lá no fundo, Jenny pode estar usando David, mas como é que ela pode saber disso com tal idade?</p>
<p style="text-align: justify;">Carey Mulligan merece o Oscar de <em>Melhor Atriz</em>, mas não precisa dele para provar que Hollywood tem uma estrela em que estúdios, cineastas, produtores e o próprio público podem confiar. Cada reação de Jenny é sentida pela plateia, como se estivéssemos olhando em seus olhos e não houvesse nenhuma tela ali na frente separando a personagem de ficção da sala de cinema do mundo real.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela é a nova bonequinha de luxo. Aliás, preste atenção nas cenas em Paris, e tente não se lembrar de Audrey Hepburn, que também foi uma atriz talentosa, que emprestava a dramas e comédias uma sensação mágica de elegância, bom humor e energia. Todo e qualquer elogio feito a Carey Mulligan será pouco.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Educação</strong></em> (<em>An Education</em>, 2009)<br />
<strong>Direção:</strong> Lone Scherfig<br />
<strong>Roteiro:</strong> Nick Hornby (Baseado nas memórias da jornalista Lynn Barber)<br />
<strong>Elenco:</strong> <span id="Conteudo1_lblElenco">Carey Mulligan, </span><span id="Conteudo1_lblElenco">Olivia Williams, Dominic Cooper, Peter Sarsgaard, Alfred Molina, Rosamund Pike, Sally Hawkins e Emma Thompson</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Indicado ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Atriz (Carey Mulligan) e Melhor Roteiro Adaptado</em></strong></p>
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