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	<title>Hollywoodiano &#187; matt damon</title>
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		<title>Zona Verde</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 18:32:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nem lá, nem cá]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/duasestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-4521" title="Green Zone" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/08/Green-Zone.jpg" alt="Green Zone" width="600" height="300" /><br />
Quer dizer então que o Sr. Paul Greengrass quer alertar o mundo (leia: os americanos) que o Iraque não escondia armas de destruição em massa quando os EUA invadiram e colonizaram a ex-terra de Saddam Hussein? Se muitos ianques duvidavam (ou duvidam) disso, os brasileiros já sabiam há muito tempo que George W. Bush é o maior mentiroso deste século até o momento. Por isso mesmo, um filme como <strong><em>Zona Verde</em></strong> (<em>Green Zone</em>, 2010) nasce datado. E é uma pena que este seja o primeiro trabalho de Paul Greengrass após o fim da <em>Trilogia Bourne</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Baseado no livro de Rajiv Chandrasekaran, ex-correspondente do Washington Post em Bagdá, <em>Zona Verde</em> deveria ter saído nos cinemas exatamente quando a batata estava quente, em 2003, na época em que se passa a trama do soldado Roy Miller (Matt Damon usando o mesmo nome de Tom Cruise em <em><a href="http://www.hollywoodiano.com/2010/07/encontro-explosivo-2/">Encontro Explosivo</a></em>) tentando descobrir a verdade sobre a misteriosa fonte que dizia ao exército americano onde estavam as armas nucleares. Mas bastava chegar ao local indicado para Miller bater com a cara na porta, sem história para contar e nenhuma ogiva como prova. Cansado de ser feito de bobo, ele parte numa cruzada como se estivesse num filme de Oliver Stone. E é neste ponto que <em>Zona Verde</em> fica extremamente confuso.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem conhece Paul Greengrass sabe que ele gosta de nos jogar no meio do caos da ação com sua câmera tremida de dar náuseas, como se o diretor fosse um documentarista no meio do conflito. É claro que lá pelas tantas, Matt Damon vai relembrar alguns cacoetes de Jason Bourne, enquanto o filme é brilhantemente montado de forma histérica pelo oscarizado Christopher Rouse (<em><a href="http://www.hollywoodiano.com/2007/08/o-ultimato-bourne/">O Ultimato Bourne</a></em>), mas tanto o livro de Rajiv Chandrasekaran quanto o roteiro escrito por Brian Helgeland (<em>Los Angeles – Cidade Proibida</em>, <em>Sobre Meninos e Lobos</em>) exigiam um cineasta apostando em um tom diferente, privilegiando a investigação. Como&#8230; Oliver Stone.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-4395" title="Green Zone_2" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/08/Green-Zone_2.jpg" alt="Green Zone_2" width="600" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">Obviamente que é possível unir ação, tensão e reflexão em um filme de guerra, afinal temos o exemplo recente do vencedor do Oscar <em><a href="http://www.hollywoodiano.com/2010/02/guerra-ao-terror/">Guerra ao Terror</a></em>. Mas Greengrass quer fazer a plateia acreditar nos bastidores de uma teoria da conspiração quando está muito mais interessado em conduzir um espetáculo rápido, porém vibrante de ação moderna. No fim, vai do nada a lugar nenhum. Não entrega um filme memorável de ação, assim como decepciona na intenção de cutucar onça com vara curta.</p>
<p style="text-align: justify;">Oliver Stone, por outro lado, teria o material perfeito para recolocar sua (ótima e autoral) filmografia nos eixos. Enfim, seria outro filme. E não teria tanta ação. Ou nenhuma. Mais: Nunca poderia estrear na temporada lucrativa do verão americano. Se quisesse realmente mostrar o horror da guerra na vida de seu protagonista (o soldado), Greengrass teria seguido o olhar intimista de Kathryn Bigelow. Se quisesse impressionar com a ação a serviço do drama, teria tentando se aproximar da visão de Steven Spielberg em <em>O Resgate do Soldado Ryan</em>. Se quisesse fazer um filme focado nos bastidores de um furo bombástico, teria se concentrado em <em>Todos os Homens do Presidente</em>, de Alan J. Pakula, lançado numa época em que os americanos ainda estavam chocados com o Watergate.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo assim, <em>Zona Verde</em> tem seus pontos interessantes. Bem ou mal, o inglês Paul Greengrass analisa, aos poucos, o “antes” e o “depois” do 11 de setembro ao somar <em>Voo United 93</em> e <em>Zona Verde</em>. É curioso observar que em sua jornada – mais ética que existencialista, o que o difere de Bourne –, o personagem de Matt Damon representa o povo americano enganado por Bush. Seu Roy Miller é um idealista da Era Obama perdido na guerra do ex-presidente dos EUA. A montagem de Christopher Rouse, já comentada aqui, prepara terreno para uma revelação ou algum momento realmente tenso que Paul Greengrass infelizmente nunca entrega. Há também a ótima fotografia de Barry Ackroyd, o mesmo de <em>Guerra ao Terror</em>, que nos aproxima do cheiro e do calor do conflito. Além de um Greg Kinnear surpreendentemente malvado como jamais vimos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Zona Verde</em></strong> (<em>Green Zone</em>, 2010)<br />
<strong>Direção:</strong> Paul Greengrass<br />
<strong>Roteiro:</strong> Brian Helgeland<br />
<strong>Elenco:</strong> Matt Damon, Khalid Abdalla, Jason Isaacs, Brendan Gleeson, Greg Kinnear e Amy Ryan</p>
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		<title>Invictus</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 01:25:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Posts]]></category>
		<category><![CDATA[clint eastwood]]></category>
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		<category><![CDATA[morgan freeman]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais um belo filme de Clint Eastwood]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/quatroestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2596" title="Invictus 3" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/01/Invictus-3.jpg" alt="Invictus 3" width="600" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">Ao analisar o pensamento &#8220;triste do povo que precisa de heróis&#8221;, de Bertold Brecht, você precisa entender o referencial para julgar se o ditado é certo ou errado. No caso do estado de oposição entre brancos e negros na África do Sul, quando Nelson Mandela deixou a prisão em 1990, o país realmente precisava de heróis ou mitos, e que sua história fosse reescrita por feitos extraordinários de grandes homens, capazes de darem ao povo a esperança e a força necessárias para levantar da cama todos os dias. Que ninguém pense que <strong><em>Invictus</em></strong> (<em>Invictus</em>, 2009) é a cinebiografia de Nelson Mandela. Trata-se da visão de mundo do Clint Eastwood da Era Obama, que continua o grande diretor-autor que sempre tem algo a dizer, mas que cultiva a esperança na humanidade desde que realizou <em>A Troca</em>, em plena mudança de governo nos EUA.</p>
<p style="text-align: justify;">E falar desta parte da vida de Nelson Mandela inspirou Clint Eastwood a seguir em frente com o cinema que gosta de fazer. Menos amargo, é verdade, dos tempos de <em>Os Imperdoáveis</em>, <em>Sobre Meninos e Lobos</em> e <em>Menina de Ouro</em>. Mais otimista, como em seus últimos filmes (<em>A Troca</em> e <em>Gran Torino</em>). Mais uma vez, pensando na América moderna, mesmo que esteja usando outro território (a África do Sul). Mais uma vez falando de intolerância racial e da relação problemática entre pais e filhos, que jamais se reconciliam, em um mundo dominado pela raiva e a violência. Todos esses elementos estão nos filmes de Clint Eastwood. Agora, ele só mostra mais otimismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, é curioso ver como Clint é um diretor diferenciado. Quando faz filmes de guerra, como <em>A Conquista da Honra</em>, foge do óbvio e se concentra em um símbolo, como a foto clássica dos soldados americanos erguendo a bandeira na batalha de Iwo Jima. Em <em>Invictus</em>, diferente da maioria dos diretores que tocam no delicado tema do racismo, Clint não fala diretamente sobre injustiças, crimes ou atos de violência, mas olha para a união das raças e imagina o fim da intolerância, usando o esporte como símbolo. Comento isso porque muitos acham o cinema de Clint Eastwood demasiadamente trivial. Mas, na verdade, ele é um dos poucos diretores na atualidade que tem algo a dizer.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2597" title="Invictus 2" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/01/Invictus-2.jpg" alt="Invictus 2" width="600" height="229" /></p>
<p style="text-align: justify;">É natural que a trama de <em>Invictus </em>seja carregada de emoção. E ela pode vir de momentos tensos, mas que sempre são aliviados pela verdadeira intenção de Clint: Não há mortes ou violência em <em>Invictus</em>. É um filme situado na África sem matança generalizada, como acostumamos a ver nos últimos anos em produções como <em>Diamante de Sangue</em>, <em>Hotel Ruanda</em> e <em>O Jardineiro Fiel</em>. Sempre achei que veria, pelo menos, uma morte até o fim do filme. Mas não, Clint quer falar do lado bom do ser humano. Ele, agora, tem esperança. É como a sensação que causa a conclusão da fantástica cena do avião, mostrando que o diretor tem o público nas mãos, controlando as emoções que vão do medo ao alívio . Essa cena é a síntese da mensagem de <em>Invictus</em>, que é um dos maiores libelos contra o racismo já feito pelo cinema. É um filme, que como <em>Gran Torino</em>, segue a ideia de que o combate à violência pela violência é inútil. A violência destroi a si própria.</p>
<p style="text-align: justify;">Clint fala de temas atuais como poucos. Consegue ser moderno sem precisar colocar a câmera na bola para mostrar sua trajetória em primeira pessoa, ou fazer gracinhas com pausas e acelerações na montagem. Nem balança sua câmera na hora do jogo de rugby para alcançar mais &#8220;realidade&#8221;, como fazem nove em cada dez diretores hoje em dia. Clint é Clint. Elegante, preciso, econômico na montagem final. Filma o necessário. Nem mais, nem menos. Clint é Clint. Repare na cena de abertura, em que o diretor, em apenas um plano, situa o espectador no problema do Apartheid: Brancos jogam rugby de um lado da rua. Sem cortar a cena, a câmera vira para o outro lado da rua e mostra negros jogando futebol. Clint é Clint.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a primeira grande produção hollywoodiana sobre Nelson Mandela saiu graças a Morgan Freeman, que queria fazer este filme há muito tempo e o entregou ao amigo, que já o dirigiu em <em>Os Imperdoáveis</em> e <em>Menina de Ouro</em>. Freeman assina <em>Invictus</em> como produtor executivo e apresenta uma atuação que transmite aquilo tudo que esperamos de Nelson Mandela. Acho que o melhor elogio à atuação de Morgan Freeman é que o ator desaparece dentro do personagem.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2598" title="Invictus 1" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/01/Invictus-1.jpg" alt="Invictus 1" width="600" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">O Mandela de Morgan Freeman e Clint Eastwood esbanja carisma e liderança naturais, dando aula de humanidade, cidadania e, sobretudo política. É como um bom político deveria ser, colocando sua autoridade à serviço do povo, que é a verdadeira família do governante. <em></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Invictus</em> é um dos melhores filmes já feitos contra o racismo e, ao mesmo tempo, sobre política. Também é um dos maiores exemplares do cinema sobre esportes. Não exatamente sobre o jogo de rugby, mas especialmente sobre o espírito de união do esporte, que fingimos lembrar na época de copas e olimpíadas. Não importa quem ganhe ou perca o jogo. O que vale é o espetáculo para o povo, que paga pra ver, como no cinema. No caso de Mandela, trata-se do &#8220;pão e circo&#8221; no bom sentido. Assim que sai da prisão, vê a oportunidade de unir brancos e negros pelo esporte. É o seu primeiro passo para uma África (ou um mundo) melhor.</p>
<p style="text-align: justify;">Emocionante e inspirador à moda antiga, com música eufórica e alta em momentos de glória, e trilha melosa em cenas tristes &#8211; algumas beiram o sublime, como a visita do capitão do time de rugby, François (Matt Damon), à prisão de Mandela, <em>Invictus</em> é o tipo de filme que poderia ter sido dirigido por John Ford, que também colocaria sua câmera &#8211; no mesmo ângulo que Clint na saída do túnel que liga o vestiário aos gramados &#8211; posicionada atrás dos seguranças de Mandela, tomados pela sombra, vislumbrando o campo sendo irrigado para a partida final. Como John Wayne, na cena da porta, em <em>Rastros de Ódio</em>. Clint é Clint.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Invictus</strong></em> (<em>Invictus</em>, 2009)<br />
<strong>Direção:</strong> Clint Eastwood<br />
<strong>Roteiro: </strong>Anthony Peckham (Baseado no livro de John Carlin)<br />
<strong>Elenco:</strong> <span id="Conteudo1_lblElenco">Morgan Freeman, Matt Damon, Tony Kgoroge, Patrick Mofokeng, Matt Stern, Patrick Lyster, Penny Downie e Shakes Myeko</span></p>
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		<title>O Desinformante</title>
		<link>http://www.hollywoodiano.com/2009/10/o-desinformante/</link>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 03:39:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Posts]]></category>
		<category><![CDATA[matt damon]]></category>
		<category><![CDATA[steven soderbergh]]></category>

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		<description><![CDATA[Matt Damon salva o filme de Steven Soderbergh com uma atuação que pode lhe render uma indicação ao Oscar de Melhor Ator]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/trsestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1521" title="Matt Damon em O Desinformante" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2009/10/Matt-Damon-em-O-Desinformante1.jpg" alt="Matt Damon em O Desinformante" width="600" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">Levante a mão quem jamais contou uma mentira na vida! Ninguém? Ok, tudo bem. Olha, não tenha vergonha, afinal somos normais. Agora, se alguém aí mente o tempo todo e, pior do que isso, acredita na própria lorota&#8230; Sinceramente, é melhor procurar ajuda profissional o quanto antes. Ou então vai acabar como Mark Whitacre,  ex-executivo de uma grande empresa de produtos alimentícios, que levou o FBI, seus colegas de trabalho, a imprensa, a própria mulher e a si mesmo em uma jornada compulsiva de mentiras que durou mais de uma década. Parece (desculpe-me pelo trocadilho) mentira, mas a história de <strong><em>O Desinformante</em></strong> (<em>The Informant!</em>, 2009) realmente aconteceu.</p>
<p style="text-align: justify;">O filme começa no início dos anos 90 e vai até meados da primeira década deste milênio. Mark Whitacre (Matt Damon, excelente) é o vice-presidente da ADM, empresa responsável por colocar em diversos alimentos aquele ingrediente que faz toda a diferença &#8211; mesmo que, segundo ele, quase tudo seja derivado do milho. Sua rotina casa-fábrica-escritório é afetada quando um executivo japonês alega saber da existência de um sabotador na empresa, que funcionaria como uma fixadora de preços de seus produtos. E ele ameaça pôr a boca no trombone. O FBI entra na jogada e, apoiado pela esposa (Melanie Lynskey, de <em>Two and a Half Men</em>), Mark resolve contar a verdade aos agentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Até aqui, <em>O Desinformante</em> lembra tramas de filmes como <em>A Firma</em> e <em>O Informante</em>, mas isso é apenas o começo. O diretor Steven Soderbergh e o roteirista Scott Z. Burns, inspirado pelo livro de Kurt Eichenwald, estão  mais interessados no estudo do fascinante personagem que é Mark Whitacre, que se embola nas próprias histórias que ele mesmo acredita. Sua rede de mentiras vai longe demais e quando todo mundo descobre o tamanho do problema que se passa em sua cabeça oca, só resta ao grande mentiroso do filme aceitar que precisa de ajuda. No fundo, <em>O Desinformante</em> é sobre um homem muito doente. Parece triste, mas não é.</p>
<p style="text-align: justify;">Steven Soderbergh quer fazer a plateia rir para não chorar e enche seu filme de narrações em <em>off </em>de Mark Whitacre, dialogando com seu próprio cérebro, que o alimenta de mentiras. Soderbergh reforça essa intenção estranhamente cômica com o uso de uma trilha sonora engraçadinha &#8211; um dos pontos antos do filme &#8211; que parece saída de uma <em>sitcom </em>dos primórdios da TV americana. Composta por Marvin Hamlisch, a trilha de <em>O Desinformante</em> é uma das melhores do ano. O que também tira a seriedade da trama é a ambientação exagerada de uma produção com cara de que foi feita na Hollywood dos anos 70 &#8211; preste atenção, principalmente, na abertura do filme.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo o que foi dito no parágrafo acima funcionaria às mil maravilhas se Soderbergh tivesse uma assinatura. Perdido entre projetos experimentais, como <em>Che</em>, e superproduções, como <em>Onze Homens e um Segredo</em>, o diretor acha que pode pular de uma história para outra e de um gênero para outro somente para agradar ao próprio ego. Relapso, ele esquece que tem compromisso com a plateia que paga caro para ir ao cinema. Longe de ser um gênio, Soderbergh sabe filmar muito bem, mas precisa decidir o que quer da vida. Ou então, muita gente vai olhar para <em>O Desinformante </em>e achar que é um filme fraco dos Irmãos Coen. Por fora, o longa se aproxima do estilo dos talentosos cineastas de <em>Fargo</em>, <em>Arizona Nunca Mais</em> e <em>Barton Fink</em>, que sabem lidar perfeitamente com o drama e a comédia. Mas por dentro, <em>O Desinformante</em> não passa de uma produção sem identidade, feita por um diretor que brinca de fazer cinema somente para testar seus limites.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda bem, pelo menos, que <em>O Desinformante</em> tem alma: Matt Damon. O ator, que mudou fisicamente para o papel, encontrou o tom certo do personagem e leva o filme nas costas com extrema facilidade numa atuação que anda na linha tênua entre o cômico e o trágico. É por causa dele que a crítica merece mais uma estrela.</p>
<p style="text-align: justify;">O filme também vale pela grande quantidade de atores de TV dando as caras. Temos Scott Bakula, de <em>Enterprise</em>, Scott Adsit, de <em>30 Rock</em>, Tony Hale, de <em>Arrested Development</em>, a já citada Melanie Lynskey, entre outros. E temos o prazer de rever o sumido Thomas F. Wilson, o vilão Biff Tannen, da trilogia <em>De Volta Para o Futuro</em> (quando Robert Zemeckis era bom).</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong> </strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O Desinformante</strong></em> (<em>The Informant!</em>, 2009)<br />
<strong>Direção:</strong> Steven Soderbergh<br />
<strong>Roteiro:</strong> <span id="Conteudo1_lblRoteiro">Scott Z. Burns (Baseado no livro de Kurt Eichenwald)<br />
<strong>Elenco:</strong> <span id="Conteudo1_lblElenco">Matt Damon, Scott Bakula, Joel McHale, Melanie Lynskey, Tony Hale e Thomas F. Wilson</span></span></p>
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		<title>O Ultimato Bourne</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Aug 2007 20:57:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<category><![CDATA[matt damon]]></category>
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Na cena final de A Supremacia Bourne, o ex-agente sem memória (interpretado de forma brilhante por Matt Damon) conversa por telefone com Pamela Landy (Joan Allen), a líder da força-tarefa encarregada do caso na CIA. Ela conta ao herói sobre seu verdadeiro nome: David Webb. Ao desligar, Bourne parece não se importar muito com a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/quatroestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p><a href="http://bp0.blogger.com/_NGcFvkK2OTo/RsUFYMBVlzI/AAAAAAAAAxE/6ke4Kq41Oik/s1600-h/BOURNE+IMAGE2.jpg" onclick="urchinTracker('/outgoing/bp0.blogger.com/_NGcFvkK2OTo/RsUFYMBVlzI/AAAAAAAAAxE/6ke4Kq41Oik/s1600-h/BOURNE+IMAGE2.jpg?referer=');"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5099488066168788786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" src="http://bp0.blogger.com/_NGcFvkK2OTo/RsUFYMBVlzI/AAAAAAAAAxE/6ke4Kq41Oik/s400/BOURNE+IMAGE2.jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Na cena final de <em>A Supremacia Bourne</em>, o ex-agente sem memória (interpretado de forma brilhante por Matt Damon) conversa por telefone com Pamela Landy (Joan Allen), a líder da força-tarefa encarregada do caso na CIA. Ela conta ao herói sobre seu verdadeiro nome: David Webb. Ao desligar, Bourne parece não se importar muito com a informação e se perde no meio da multidão em Nova York. O filme termina, mas essa cena é importantíssima para compreender a proposta do diretor Paul Greengrass em <strong><em>O Ultimato Bourne</em></strong> (<em>The Bourne Ultimatum</em>, 2007), o extraordinário final desta trilogia.Agora ficou mais fácil entender que Greengrass não quis fazer “mais uma aventura de Jason Bourne” no segundo filme. Antes, parecia que <em>Supremacia</em> ia do nada a lugar nenhum. A impressão é que faltava alguma ligação dramática no festival de ação, pancadaria, velocidade, metal e vidro das duas primeiras partes. Com <em>Ultimato</em>, todos os filmes fazem sentido. São três atos que formam apenas um longa.</p>
<p style="text-align: justify;">Lógico que é impossível experimentar todas as qualidades de <em>O Ultimato Bourne</em> sem ter <em>Identidade</em> e <em>Supremacia</em> bem fresquinhos na cabeça. Porém, o terceiro episódio fala mais alto do que os anteriores e surge como um filme de verdade. Claro que ainda é um <em>thriller</em> de ação e suspense, mas aqui é possível encontrar tudo o que um cinéfilo procura em um grande filme. Para mim, isso é um sonho que vira realidade. Sempre esperei que um diretor tentasse fazer um ótimo filme fora do gênero <em>drama</em>. Você me entendeu? Quero dizer &#8220;qualquer gênero&#8221; como <em>Ficção Científica</em>, <em>Fantasia</em>, <em>Aventura</em>, etc. Eu esperava pela chegada de um diretor capaz de apresentar um projeto desafiante a outros gêneros (e com a proposta de levá-lo a sério). Isso é raridade. Quando um roteiro não é assumido como drama, há uma idéia infeliz por ser generalizada: a maioria acha que são filmes feitos somente para diversão escapista. Mas nesta década, veio <em>O Senhor dos Anéis</em>, de Peter Jackson. E, agora, Paul Greengrass nos dá <em>O Ultimato Bourne</em> de presente. Nunca pensei que diria isso a respeito desse diretor, mas assisti ao filme como um aluno admirado pela grande aula de cinema do professor Greengrass. Logo ele, que nunca tinha me surpreendido antes.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://bp1.blogger.com/_NGcFvkK2OTo/RsUE8cBVlyI/AAAAAAAAAw8/antDTzasZog/s1600-h/BOURNE+IMAGE+4+copy.jpg" onclick="urchinTracker('/outgoing/bp1.blogger.com/_NGcFvkK2OTo/RsUE8cBVlyI/AAAAAAAAAw8/antDTzasZog/s1600-h/BOURNE+IMAGE+4+copy.jpg?referer=');"></a></p>
<p style="text-align: justify;">E não somente pelo estilo do cineasta em filmar a ação de perto: você não a vê de longe, mas é jogado dentro dela. Para quem não quer estudar muito, a aula de Greengrass pode ser resumida em duas cenas (ou seqüências). E o professor é genial ao se aproveitar do máximo do suspense em um “filme de entretenimento”. Só vi isso em Hitchcock e Spielberg. São dois momentos de deixar qualquer um agarrado na cadeira, mas que seriam reduzidos a uma expressão barata e corriqueira como “pura diversão” nas mãos de outro cineasta. A primeira cena envolve Bourne ajudando um jornalista do <em>The Guardian</em> (Paddy Considine) e a segunda coloca o herói saltando de telhado em telhado no Marrocos até uma luta dolorosa de tão seca dentro de um banheiro minúsculo. As sequências são tão bem filmadas e editadas que deveriam estar em qualquer curso de montagem de cinema. O melhor nisso tudo é que a história vai junto com um filme que pode muito bem ser classificado como uma perseguição ininterrupta do primeiro ao último minuto. O roteiro é excepcionalmente conduzido até um desfecho nervoso – desde a abertura (e aproveitando o título do filme), a idéia fixa é a de que Bourne morrerá no final.</p>
<p style="text-align: justify;">Greengrass e os roteiristas Tony Gilroy, Scott Z. Burns e George Nolfi partem dessa dúvida para explorar uma tensão que não parece ter fim. Mas não espere 100% de explicação, afinal os segredos que envolvem o passado de Jason Bourne não deixam de ser um <em><a href="http://hollywoodiano.blogspot.com/2007/08/o-segredo-do-macguffin.html" onclick="urchinTracker('/outgoing/hollywoodiano.blogspot.com/2007/08/o-segredo-do-macguffin.html?referer=');">MacGuffin</a></em>. O importante é presenciar como o personagem, que já fez coisas terríveis, tenta encontrar paz e redenção.</p>
<p style="text-align: justify;">E tudo é tão rápido e envolvente que praticamente esquecemos as ilustres presenças de atores como David Strathairn, Albert Finney e Joan Allen até ler seus nomes nos créditos finais ao som (pela terceira vez) de <em><a href="http://br.youtube.com/watch?v=vyZWpDpcS1E" onclick="urchinTracker('/outgoing/br.youtube.com/watch?v=vyZWpDpcS1E&amp;referer=');">Extreme Ways</a></em>, de Moby. <em>O Ultimato Bourne</em> não é somente o melhor filme de ação do ano. Isso é cinema de primeira e merece indicações ao Oscar ou qualquer outro prêmio. No mínimo, deveria ganhar uma estatueta de <em>Melhor Montagem</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>O Ultimato Bourne</em></strong> (<em>The Bourne Ultimatum</em>, 2007)<br />
<strong>Direção:</strong> Paul Greengrass<br />
<strong>Elenco:</strong> Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn, Joan Allen, Scott Glenn, Albert Finney, Paddy Considine e Edgar Ramirez</p>
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