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	<title>Hollywoodiano &#187; morgan freeman</title>
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		<title>Invictus</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Feb 2010 01:25:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mais um belo filme de Clint Eastwood]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/quatroestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2596" title="Invictus 3" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/01/Invictus-3.jpg" alt="Invictus 3" width="600" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">Ao analisar o pensamento &#8220;triste do povo que precisa de heróis&#8221;, de Bertold Brecht, você precisa entender o referencial para julgar se o ditado é certo ou errado. No caso do estado de oposição entre brancos e negros na África do Sul, quando Nelson Mandela deixou a prisão em 1990, o país realmente precisava de heróis ou mitos, e que sua história fosse reescrita por feitos extraordinários de grandes homens, capazes de darem ao povo a esperança e a força necessárias para levantar da cama todos os dias. Que ninguém pense que <strong><em>Invictus</em></strong> (<em>Invictus</em>, 2009) é a cinebiografia de Nelson Mandela. Trata-se da visão de mundo do Clint Eastwood da Era Obama, que continua o grande diretor-autor que sempre tem algo a dizer, mas que cultiva a esperança na humanidade desde que realizou <em>A Troca</em>, em plena mudança de governo nos EUA.</p>
<p style="text-align: justify;">E falar desta parte da vida de Nelson Mandela inspirou Clint Eastwood a seguir em frente com o cinema que gosta de fazer. Menos amargo, é verdade, dos tempos de <em>Os Imperdoáveis</em>, <em>Sobre Meninos e Lobos</em> e <em>Menina de Ouro</em>. Mais otimista, como em seus últimos filmes (<em>A Troca</em> e <em>Gran Torino</em>). Mais uma vez, pensando na América moderna, mesmo que esteja usando outro território (a África do Sul). Mais uma vez falando de intolerância racial e da relação problemática entre pais e filhos, que jamais se reconciliam, em um mundo dominado pela raiva e a violência. Todos esses elementos estão nos filmes de Clint Eastwood. Agora, ele só mostra mais otimismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, é curioso ver como Clint é um diretor diferenciado. Quando faz filmes de guerra, como <em>A Conquista da Honra</em>, foge do óbvio e se concentra em um símbolo, como a foto clássica dos soldados americanos erguendo a bandeira na batalha de Iwo Jima. Em <em>Invictus</em>, diferente da maioria dos diretores que tocam no delicado tema do racismo, Clint não fala diretamente sobre injustiças, crimes ou atos de violência, mas olha para a união das raças e imagina o fim da intolerância, usando o esporte como símbolo. Comento isso porque muitos acham o cinema de Clint Eastwood demasiadamente trivial. Mas, na verdade, ele é um dos poucos diretores na atualidade que tem algo a dizer.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2597" title="Invictus 2" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/01/Invictus-2.jpg" alt="Invictus 2" width="600" height="229" /></p>
<p style="text-align: justify;">É natural que a trama de <em>Invictus </em>seja carregada de emoção. E ela pode vir de momentos tensos, mas que sempre são aliviados pela verdadeira intenção de Clint: Não há mortes ou violência em <em>Invictus</em>. É um filme situado na África sem matança generalizada, como acostumamos a ver nos últimos anos em produções como <em>Diamante de Sangue</em>, <em>Hotel Ruanda</em> e <em>O Jardineiro Fiel</em>. Sempre achei que veria, pelo menos, uma morte até o fim do filme. Mas não, Clint quer falar do lado bom do ser humano. Ele, agora, tem esperança. É como a sensação que causa a conclusão da fantástica cena do avião, mostrando que o diretor tem o público nas mãos, controlando as emoções que vão do medo ao alívio . Essa cena é a síntese da mensagem de <em>Invictus</em>, que é um dos maiores libelos contra o racismo já feito pelo cinema. É um filme, que como <em>Gran Torino</em>, segue a ideia de que o combate à violência pela violência é inútil. A violência destroi a si própria.</p>
<p style="text-align: justify;">Clint fala de temas atuais como poucos. Consegue ser moderno sem precisar colocar a câmera na bola para mostrar sua trajetória em primeira pessoa, ou fazer gracinhas com pausas e acelerações na montagem. Nem balança sua câmera na hora do jogo de rugby para alcançar mais &#8220;realidade&#8221;, como fazem nove em cada dez diretores hoje em dia. Clint é Clint. Elegante, preciso, econômico na montagem final. Filma o necessário. Nem mais, nem menos. Clint é Clint. Repare na cena de abertura, em que o diretor, em apenas um plano, situa o espectador no problema do Apartheid: Brancos jogam rugby de um lado da rua. Sem cortar a cena, a câmera vira para o outro lado da rua e mostra negros jogando futebol. Clint é Clint.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a primeira grande produção hollywoodiana sobre Nelson Mandela saiu graças a Morgan Freeman, que queria fazer este filme há muito tempo e o entregou ao amigo, que já o dirigiu em <em>Os Imperdoáveis</em> e <em>Menina de Ouro</em>. Freeman assina <em>Invictus</em> como produtor executivo e apresenta uma atuação que transmite aquilo tudo que esperamos de Nelson Mandela. Acho que o melhor elogio à atuação de Morgan Freeman é que o ator desaparece dentro do personagem.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2598" title="Invictus 1" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/01/Invictus-1.jpg" alt="Invictus 1" width="600" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">O Mandela de Morgan Freeman e Clint Eastwood esbanja carisma e liderança naturais, dando aula de humanidade, cidadania e, sobretudo política. É como um bom político deveria ser, colocando sua autoridade à serviço do povo, que é a verdadeira família do governante. <em></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Invictus</em> é um dos melhores filmes já feitos contra o racismo e, ao mesmo tempo, sobre política. Também é um dos maiores exemplares do cinema sobre esportes. Não exatamente sobre o jogo de rugby, mas especialmente sobre o espírito de união do esporte, que fingimos lembrar na época de copas e olimpíadas. Não importa quem ganhe ou perca o jogo. O que vale é o espetáculo para o povo, que paga pra ver, como no cinema. No caso de Mandela, trata-se do &#8220;pão e circo&#8221; no bom sentido. Assim que sai da prisão, vê a oportunidade de unir brancos e negros pelo esporte. É o seu primeiro passo para uma África (ou um mundo) melhor.</p>
<p style="text-align: justify;">Emocionante e inspirador à moda antiga, com música eufórica e alta em momentos de glória, e trilha melosa em cenas tristes &#8211; algumas beiram o sublime, como a visita do capitão do time de rugby, François (Matt Damon), à prisão de Mandela, <em>Invictus</em> é o tipo de filme que poderia ter sido dirigido por John Ford, que também colocaria sua câmera &#8211; no mesmo ângulo que Clint na saída do túnel que liga o vestiário aos gramados &#8211; posicionada atrás dos seguranças de Mandela, tomados pela sombra, vislumbrando o campo sendo irrigado para a partida final. Como John Wayne, na cena da porta, em <em>Rastros de Ódio</em>. Clint é Clint.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Invictus</strong></em> (<em>Invictus</em>, 2009)<br />
<strong>Direção:</strong> Clint Eastwood<br />
<strong>Roteiro: </strong>Anthony Peckham (Baseado no livro de John Carlin)<br />
<strong>Elenco:</strong> <span id="Conteudo1_lblElenco">Morgan Freeman, Matt Damon, Tony Kgoroge, Patrick Mofokeng, Matt Stern, Patrick Lyster, Penny Downie e Shakes Myeko</span></p>
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