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	<title>Hollywoodiano &#187; patricia clarkson</title>
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		<title>Ilha do Medo</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Mar 2010 03:35:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Martin Scorsese analisa a mente humana em mais uma obra-prima para sua coleção]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/cincoestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3188" title="Shutter Island 3" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/03/Shutter-Island-3.jpg" alt="Shutter Island 3" width="600" height="265" /></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Ilha do Medo</strong></em> (<em>Shutter Island</em>, 2010) é um dos mais completos estudos cinematográficos já feitos sobre a mente humana. Se é sobre ser normal ou louco, pouco importa. Aliás, volta e meia a questão vem à tona: O que é ser normal? É uma pergunta difícil, afinal cada um tem suas diferenças para se estabelecer um padrão. E como é possível cobrar comportamento exemplar do cidadão quando o Estado lava as mãos?</p>
<p style="text-align: justify;">A verdadeira ilha do medo está em nossas mentes. Quando o indivíduo não aceita ou compreende o mundo real e violento como ele é, onde cada um pensa em si próprio, a saída mais fácil é a imaginação. Ao se entregar aos sonhos que escondem os pesadelos, não há mais para onde fugir de uma prisão que coloca raciocínios, decisões e atitudes numa linha invisível que separa a sanidade da loucura. De acordo com os olhos do &#8220;louco&#8221;, só existe a realidade, que, por sua vez, não pode ser vista pelas pessoas consideradas normais pela sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">O falso e o verdadeiro. A realidade e a ficção são temas de diversos filmes, incluindo muitos dos atuais. E o cinema de Martin Scorsese costuma analisar essa dualidade do ser humano, que inevitavelmente perde sua identidade. Foi assim com o Travis Bickle (Robert De Niro), de <em>Taxi Driver</em>, com o Jake LaMotta (De Niro), de <em>Touro Indomável</em>, o Howard Hughes (Leonardo DiCaprio), de <em>O Aviador</em>, o Frank Pierce (Nicolas Cage), de <em>Vivendo no Limite</em>, o Paul Hackett (Griffin Dunne), de <em>Depois de Horas</em>, o Jesus (Willem Dafoe), de <em>A Última Tentação de Cristo</em>, e com os protagonistas (DiCaprio e Matt Damon) de <em>Os Infiltrados</em>. Porém, Marty sempre observou de perto seus anti-heróis, com uma habilidade narrativa incrível para fazer a plateia simpatizar com esses sujeitos &#8211; só para, depois, em um golpe de mestre, trair a confiança de seu espectador.</p>
<p style="text-align: justify;">O mesmo acontece em <em>Ilha do Medo</em>, com o Teddy Daniels de Leonardo DiCaprio. Com um detalhe que faz toda a diferença: Desta vez, Marty tenta olhar dentro da mente de seu protagonista. E nunca ele foi tão fundo nessa jornada ao inferno que é o cérebro humano.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3189" title="Ilha do medo 2" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/03/Ilha-do-medo-2.jpg" alt="Ilha do medo 2" width="600" height="351" /><br />
A trama, sinceramente, é o que menos importa em <em>Ilha do Medo</em>. O desfecho, menos ainda. É a viagem que vale cada centavo do ingresso. Alguns tentarão diminuir a intenção de Martin Scorsese dizendo que adivinharam o final lá pela metade (ou até mesmo no trailer). Lembre-se da maldita tendência do final surpresa reinaugurada em <em>O Sexto Sentido</em>. Se ninguém descobrisse que Bruce Willis estava morto o tempo todo, o filme de M. Night Shyamalan ainda seria magnífico, porque tem uma história intrigante, densa, que reflete e joga na cara os medos de todos nós. É a viagem que importa. Depois disso, Hollywood pensou que era só filmar qualquer roteiro imbecil, com sustos a cada 10 minutos com a ajuda da trilha ou dos efeitos sonoros. Bastava apenas terminar o filme com um final surpresa para o público lembrar só disso. É o caso de <em>O Amigo Oculto</em> e outras bombas.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas não cometa o erro de confundir essa onda com <em>Ilha do Medo</em>, que seria sim ainda maior se ninguém tivesse explorado reviravoltas no final. Não que <em>Ilha do Medo</em> tenha uma reviravolta nos últimos minutos, que muda o filme inteiro. Martin Scorsese apenas faz o despertador tocar, acordando aquele que estava entregue ao mundo dos sonhos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Ilha do Medo</em> tem a ousadia de adotar uma estrutura inversa. Se fosse um filme qualquer, teríamos ao menos um fiapo de realidade, apresentado desde o início, como paradigma para definir os momentos em que ela termina e dá lugar ao delírio. Mas não. Quando <em>Ilha do Medo</em> acaba, não temos referência suficiente para julgar com certeza a sua conclusão, que pode ou não ser verdadeira. É desconcertante.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas nem é isso que torna o filme tão fascinante. Martin Scorsese é uma enciclopédia cinematográfica ambulante. E coloca todo seu conhecimento  a favor do filme. <em>Ilha do Medo</em> é ilusão. Cinema é ilusão. Marty torna a estrutura do sonho real, com sensações capazes de serem sentidas pela plateia, numa completa imersão na narrativa que o cineasta toma como questão. É um filme para os sentidos, já que a ambiguidade é evocada. Acompanhar Teddy Daniels em sua investigação <em>noir</em>, em Shutter Island, faz nossa memória resgatar momentos que confundem cinema e vida. O que é real? E o que queremos tornar real? Baseada em lembranças, nossa visão &#8211; e a do próprio protagonista &#8211; ganha uma representação pessoal e moral, que torna impossível julgar qualquer coisa que vemos na tela. Seja na trama em si ou nas ambições visuais cheias de referências cinematográficas do diretor. E é mais fácil Martin Scorsese estar certo do que eu ou você.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3190" title="Ilha do medo" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/03/Ilha-do-medo.jpg" alt="Ilha do medo" width="600" height="300" /><br />
Saber o que é verdadeiro ou falso em <em>Ilha do Medo</em> é chover no molhado. Parece óbvio com as prováveis explicações do roteiro no final, mas não é. Acreditar na manipulação e no poder da imagem do cinema é como andar pelas ruas e perder detalhes da vida porque você olhou para o outro lado na hora H ou piscou e perdeu o que aconteceu ali bem diante de seus olhos. E você simplesmente aceita os fatos e segue em frente.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de <em>Ilha do Medo</em>, não acordamos de um sonho ruim, regado a luzes, cores, enquadramentos clássicos, escuridão, fumaça, chuva, ventania, surrealismo, muros altos, corredores intermináveis, campos de concentração, trilhas assustadoras, como a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ebeiX7HIsw8" onclick="urchinTracker('/outgoing/www.youtube.com/watch?v=ebeiX7HIsw8&amp;referer=');"><em>Passacaglia</em></a> que abre o filme. E imagens lindas de tão horrendas. Ou o contrário. Martin Scorsese mostra o terror da forma mais bela possível ou revela a beleza da maneira mais assustadora que existe. É como sonhar acordado em um exercício de horror psicológico, que permanece em nossa mente mesmo com as luzes acesas no fim da sessão. É como se ainda estivéssemos naquela ilha, presos com Teddy Daniels.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Ilha do Medo</em></strong> (<em>Shutter Island</em>, 2010)<br />
<strong>Direção:</strong> Martin Scorsese<br />
<strong>Roteiro:</strong> Laeta Kalogridis (Baseado no livro de Dennis Lehane)<br />
<strong>Elenco:</strong> Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams, Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Jackie Earle Haley, e Ted Levine</p>
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