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	<title>Hollywoodiano &#187; roman polanski</title>
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		<title>O Escritor Fantasma</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jul 2010 03:57:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<description><![CDATA[Roman Polanski mostra como se faz um thriller seguindo a cartilha do cinema clássico]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/quatroestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-4031" title="The Ghost Writer 2" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/07/The-Ghost-Writer-2.jpg" alt="The Ghost Writer 2" width="600" height="300" /><br />
De vez em quando, um diretor clássico como Roman Polanski lembra o cinéfilo que ainda é possível ir ao cinema e sentir prazer ao ser enganado por uma trama persuasiva, daquelas de fazer esquecer a realidade, mesmo que a história traga elementos que digam muito sobre a atualidade. De vez em quando, temos a noção exata da importância da trama, como a prioridade máxima da atenção da plateia. Lembramos que ainda é possível acompanhar a construção de uma história com extrema paciência, com minutos e minutos não gastos, mas aproveitados para o desenvolvimento dos personagens e do clima que o filme exige em sua emoção crescente que acompanha os acontecimentos cena após cena. Um desses filmes é <strong><em>O Escritor Fantasma</em></strong> (<em>The Ghost Writer</em>, 2010), assinado por Roman Polanski em mais uma época complicada de sua vida fora das telas.</p>
<p style="text-align: justify;">Baseado no livro <em>The Ghost</em>, de Robert Harris, que assinou o roteiro ao lado do próprio Polanski, <em>O Escritor Fantasma</em> só poderia ter sido feito por um diretor corajoso, constantemente acusado, vigiado pelos olhos carregados de dúvidas daqueles que querem misturar o homem com o artista. Polanski não tem medo de apontar os verdadeiros culpados. Pega o cenário mundial atual e dá nome aos bois. Abre a caixa-preta da nossa época dominada por políticos e grandes corporações. E estamos falando de uma produção estrelada por nomes de apelo comercial, como Ewan McGregor e Pierce Brosnan.</p>
<p style="text-align: justify;">O ponto é que todo mundo vai ver<em> O Escritor Fantasma</em> e ninguém ficará indiferente no final. Vendo pelo lado da realidade, cabe ao espectador julgar se Polanski é apenas mais um membro da intriga da oposição, cheio de teorias da conspiração a respeito de quem tem o poder. Ou se o espectador concorda com o dedo acusador do cineasta. Vendo pelo lado da ficção, <em>O Escritor Fantasma</em> é um exercício de boa narrativa &#8211; lenta, extremamente calma e suave em sua primeira (e brilhante) hora, tomando todo o tempo do mundo para situar o espectador na situação do protagonista, enquanto ele embarca em um pesadelo. Até Polanski arremessar a plateia no mato sem cachorro em que o personagem de Ewan McGregor se meteu, numa correria sem fim, que deveria zelar pela sobrevivência do mesmo, mas que inconscientemente o prende numa busca neurótica pela verdade. Antes da cena final, a maioria dos espectadores não ficará indiferente ao filme. Depois dela, ninguém ficará.</p>
<p style="text-align: justify;">Em <em>O Escritor Fantasma</em>, Ewan McGregor é o <em>Ghost Writer</em> do título original &#8211; você jamais saberá seu verdadeiro nome. Ele é contratado para escrever as memórias do ex-Primeiro Ministro Britânico Adam Lang (Pierce Brosnan, claramente inspirado em Tony Blair), acusado de violar os direitos humanos ao entregar suspeitos de terrorismo para a CIA torturar. O <em>Ghost Writer</em>, assim como Polanski em <em>O Inquilino</em>, começa o filme entrando em seu calvário, em um mundo que não é o seu, dando ao espectador a sensação de que é uma viagem sem volta para o protagonista. Confinado em uma casa de praia que mais se parece com uma prisão, o <em>Ghost Writer</em> será vigiado por todos os lados até ser dominado pela paranoia que toma conta do cenário mundial e embarcar numa incontrolável jornada investigativa que pode justificar sua própria existência, já que é um escritor fracassado, sem mulher, filhos, família e amigos.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-4033" title="The Ghost Writer 1" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/07/The-Ghost-Writer-1.jpg" alt="The Ghost Writer 1" width="600" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">Polanski é um diretor clássico. Constroi o suspense sem sustos marcados por efeitos sonoros ou trilha sonora que entra de repente para assustar o espectador mais do que a própria cena sugere ou exige. Ele vai aumentando a intensidade da tensão como só os bons contadores de histórias sabem fazer. É elegante em sua construção, o que faz muitos desavisados confundirem seu cinema com homenagens diretas a Alfred Hitchcock, o mestre do gênero. Mas isso é para quem não viu a tensão crescente, composta com paciência, em filmes como <em>O Inquilino</em>, <em>O Bebê de Rosemary</em> e <em>Chinatown</em>. Em <em>O Escritor Fantasma</em> é curioso notar como Polanski usa o clima (o tempo) para enlouquecer (ou seria &#8220;estimular&#8221;?) o <em>Ghost Writer</em> em sua &#8220;prisão domiciliar&#8221;. Da janela, ele percebe a presença ininterrupta do vento. Aliás, venta e faz frio o tempo todo neste filme.  De vez em quando chove. É o clima aumentando a tensão.</p>
<p style="text-align: justify;">É como se o filme fosse um sonho. Ou melhor, um pesadelo. Note como o <em>Ghost Writer</em> está sempre caindo no sono e acordando repentinamente. Nada é o que parece ser nesse verdadeiro jogo de aparências, que aliás domina o universo da política, da espionagem; um sentimento ambivalente que marca o mundo atual, onde muitas pessoas mantêm relacionamentos à distância, de frente para seus computadores. É um mundo lotado de avatares, pessoas vazias, sem identidade, personalidade, com discursos roubados de falas alheias ou linhas escritas por terceiros. É a própria função do <em>Ghost Writer</em>, que de uma hora para outra se enche de coragem, tentando encontrar um sentido para sua vida enquanto mergulha de cabeça numa investigação que não era para ser sua.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a paciência da narrativa tomou conta da primeira hora do filme, a metade final é marcada por muita correria, onde fica difícil separar os bons dos maus, assim como a realidade da imaginação. Mesmo quando achamos que finalmente descobrimos a verdade, o filme termina com mais perguntas que respostas. Não que a segunda metade seja confusa por erros de roteiro ou direção. Ela é assim porque Polanski quer o espectador preso aos olhos e às deduções ora precipitadas, ora certeiras do protagonista. Mais uma vez, eis a ideia do <em>Ghost Writer</em> sonhando acordado. É onde toda a confusão faz sentido. Ou não.</p>
<p style="text-align: justify;">Repare como Polanski não mostra qualquer cena ou personagem que não esteja no campo de visão do <em>Ghost Writer</em>. O filme segue somente o ponto de vista de seu protagonista. Até mesmo na genial cena do bilhetinho passando de mão em mão. Nela, a câmera faz questão de mostrar ao espectador que o <em>Ghost Writer</em> está lá atrás observando tudo. O filme é aquilo que o protagonista vê e ouve. Se ele sai de cena, não temos noção do cenário todo. É só reparar na fantástica sequência final, que só pode ter sido concebida por um diretor da velha escola, um gênio do cinema.</p>
<p style="text-align: justify;">Além do notável talento para trabalhar o filme de gênero, Polanski sente-se livre para não se entregar aos finais felizes do cinemão hollywoodiano. Ele vê o mundo com olhos nada inocentes. Talvez por sua história de vida, provavelmente levada para dentro de <em>O Escritor Fantasma</em>. É só lembrar da cena em que Pierce Brosnan resolve viajar e é alertado por seus assessores sobre a possibilidade do país de destino ter um acordo de extradição com os EUA. É a vida imitando a arte. Ou o contrário. Que o diga Polanski. Ou o próprio<em> Ghost Writer</em> de seu filme.</p>
<p><strong><em>O Escritor Fantasma</em></strong> (<em>The Ghost Writer</em>, 2010)<br />
<strong>Direção:</strong> Roman Polanski<br />
<strong>Roteiro: </strong>Robert Harris e Roman Polanski<br />
<strong>Elenco:</strong> Ewan McGregor, Pierce Brosnan, Olivia Williams, Tom Wilkinson e Kim Cattrall</p>
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		<title>O Bebê de Rosemary</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jan 2009 13:59:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
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		<category><![CDATA[roman polanski]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/cincoestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<div><a href="http://3.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/SX8TmliXttI/AAAAAAAAEcQ/p0ydW4HXR2I/s1600-h/Rosemary" onclick="urchinTracker('/outgoing/3.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/SX8TmliXttI/AAAAAAAAEcQ/p0ydW4HXR2I/s1600-h/Rosemary?referer=');"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295973240443221714" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; height: 257px; text-align: center;" src="http://3.bp.blogspot.com/_NGcFvkK2OTo/SX8TmliXttI/AAAAAAAAEcQ/p0ydW4HXR2I/s400/Rosemary%27s+baby.jpg" border="0" alt="" /></a><span style="font-family:verdana;"><br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;">Um dos melhores filmes de terror de todos os tempos é também o maior trabalho da carreira do grande cineasta Roman Polanski. Acho que <em><strong>O Bebê de Rosemary</strong></em> (<em>Rosemary&#8217;s Baby</em>, 1968) deveria ser visto por todo diretor e roteirista antes de filmar ou escrever qualquer filme do gênero. Polanski ensina (ou lembra) que o frio na espinha e a sensação de medo vêm do desconhecido. Se você não vê, o medo cresce. É a voz que vem do fim do corredor e você não sabe de quem é. É o barulho do vento que vem debaixo da porta. São aqueles passos no andar de cima. Medos básicos, que nascem em nosso inconsciente enquanto somos crianças. A platéia não precisa ver, mas sentir. Quanto menos, melhor.</p>
<div style="text-align: justify;"><span style="font-family:verdana;">Esse clima precisa de uma figura que represente a platéia. E aqui, temos a doce e ingênua Rosemary, interpretada brilhantemente por Mia Farrow, em seu papel mais famoso. No roteiro do próprio Polanski, adaptado do livro de Ira Levin, nós podemos até desconfiar o que está acontecendo no maldito prédio, que praticamente serve de cenário para o filme inteiro, mas não temos a certeza absoluta. A única coisa certa é que Rosemary não sabe e não podemos fazer nada por ela, apenas sofrer junto ou apreciar seu martírio com um prazer secreto pelo mórbido &#8211; como fazem os moradores do local. Todos atenciosos e preocupados em ajudar a pobre moça durante sua gravidez.</p>
<p>Hoje, você já conhece a trama de <em>O Bebê de Rosemary</em>, mas tente imaginar a reação da platéia em 1968, quando o filme foi lançado nos cinemas. Não há o tradicional final surpresa de M. Night Shyamalan, nem mesmo a banalização deste recurso. Aos poucos, Polanski prepara o terreno para um grande final. Não é previsível, mas pela construção da história, nós sabemos onde isso tudo vai dar. Menos Rosemary. Por mais que ela comece a desconfiar de tudo e de todos, inclusive seu marido, nada preparou a pobre moça para a última cena.</p>
<p>Mas o roteiro brinca com Rosemary e a platéia na busca pela verdade. Ninguém ter certeza de nada. Até mesmo na famosa seqüência surreal do sonho/estupro, o roteiro não revela inteiramente o que está acontecendo. Na verdade, não somos tontos, ou melhor, inocentes como Rosemary. Bom, tem gente que é assim, mas isso não vem ao caso. Mas veja como Polanski brinca com a dúvida: Como seu marido, Guy (John Cassavetes &#8211; Sim, o diretor), passa a maior parte do tempo conversando com o casal de vizinhos Minnie (Ruth Gordon, espetacular e vencedora do Oscar de <em>Melhor Atriz Coadjuvante</em>) e Roman Castevet (Sidney Blackmer), ou trabalhando como ator, Rosemary pode estar simplesmente enlouquecendo com sua vidinha de casada (e grávida) solitária, chata e sem surpresas. É assim que funciona o roteiro. Mas também podemos desconfiar que o prédio inteiro planeja algo macabro para o bebê de Rosemary, quando este nascer, inclusive seu marido. É lógico que a suspeita para a segunda hipótese martela na cabeça do público. Mais do que na de Rosemary. Nós torcemos por ela, mas sabemos que é um caminho sem volta e que algo de ruim está realmente por trás disso. Quando a protagonista começa a concordar com as desconfianças da platéia, nós sabemos que já é tarde demais.</p>
<p>Na verdade, ninguém ali quer o mal dela. Nem seu marido. Vendo o filme, a pergunta que vem em mente é: O mal é apenas um ponto de vista? Ou seria uma tentação? Em <em>Star Wars</em> e <em>O Senhor dos Anéis</em>, o mal é uma tentação. Sem dúvida. Mas em <em>O Bebê de Rosemary</em>, acho que estamos discutindo um ponto de vista. Dois lados de uma balança sempre visando o sucesso pessoal e profissional. Outro aspecto interessante levantado por Polanski é uma análise fria da protagonista, chamada de &#8220;burra&#8221; ou algo assim por muita gente. Mas&#8230; Por que Rosemary é tão ingênua? Não vejo isso como um problema do roteiro. Isso é um truque para a platéia se preocupar com Rosemary, mas, ao mesmo tempo, torcer por ela com a incômoda sensação de que nada irá ajudá-la. Nem ninguém. A intenção de Polanski, acredito eu, pode estar na representação da mulher fragilizada e ainda alvo de preconceitos machistas em plena era da revolução sexual.</p>
<p>Talvez um roteiro nunca tenha sido construído de forma tão perfeita como explicarei a seguir: Polanksi começa <em>O Bebê de Rosemary</em> como um suspense <em>hitchcockiano</em> e o encerra como um filme único de terror. Se há o sobrenatural na trama, você sabe, então não é mais suspense. É só seguir a cartilha do mestre Alfred Hitchcock. Claro que muitos exemplares de terror começam como um &#8220;suspense&#8221;, mas nunca essa transição foi feita com tanto cuidado e tanta competência sem jamais descaracterizar o filme.</p>
<p>Eu disse que <em>O Bebê de Rosemary</em> é o melhor filme de Polanski. Não conheço uma alma que não tenha ouvido falar deste clássico. Mas, talvez, nem todos vejam o filme como a maior obra-prima do diretor, afinal Polanski fez <em>Chinatown</em>. Mas <em>O Bebê de Rosemary</em> segue 100% a minha visão de cinema ideal. Acho que um filme deve agradar tanto o público quanto o seu diretor. <em>O Bebê de Rosemary</em> é arte, mas também é comercial. Unir esses dois extremos, no entanto, não é para qualquer um. E mesmo com outra obra-prima no currículo, Polanski foi perfeito num território capaz de fazer a maioria dos cineastas cair no ridículo, pois <em>O Bebê de Rosemary</em> é um filme de fantasia e o diretor conseguiu fazê-lo&#8230; funcionar. O mundo acredita nesta história. Mesmo quem não gosta do gênero. Ou quem não crê em Deus. Ou no Diabo.</p>
<p><span style="font-size:85%;"><em><strong>O Bebê de Rosemary</strong></em> (<em>Rosemary&#8217;s Baby</em>, 1968)<br />
<strong>Direção:</strong> Roman Polanski<br />
<strong>Roteiro:</strong> Roman Polanski (Baseado no livro de Ira Levin)<br />
<strong>Elenco:</strong> Mia Farrow, John Cassavetes, Ruth Gordon, Sidney Blackmer, Maurice Evans, Ralph Bellamy e Angela Dorian</span></p>
<p></span></div>
</div>
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