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	<title>Hollywoodiano &#187; stanley tucci</title>
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		<title>Um Olhar do Paraíso</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Feb 2010 22:46:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Posts]]></category>
		<category><![CDATA[mark wahlberg]]></category>
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		<description><![CDATA[Peter Jackson tropeça e quebra a cara, mas sei que ele pode se levantar e tentar de novo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/duasestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2886" title="Salmon" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2010/02/Salmon.jpg" alt="Salmon" width="600" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">Eu confiava em Peter Jackson, assim como coloco minhas duas mãos no fogo por Steven Spielberg, James Cameron, Martin Scorsese, Quentin Tarantino, Clint Eastwood e a Pixar. Apaixonado pela obra literária erudita de J.R.R. Tolkien, Jackson fez de <em>O Senhor dos Anéis</em> uma das sagas cinematográficas mais importantes e extraordinárias do cinema. Como se não bastasse, pegou o <em>King Kong</em> de 1933, seu filme favorito, e o reinventou de forma grandiosa e emocionante. Mas com <strong><em>Um Olhar do Paraíso</em></strong> (<em>The Lovely Bones</em>, 2009), outra adaptação de um livro que Jackson jura adorar, o tiro saiu inexplicavelmente pela culatra. E minha inocência morreu mais um pouquinho na saída do cinema.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos anos 70 muito bem caracterizados pelo diretor, Susie Salmon (a ótima Saoirse Ronan), de apenas 14 anos, é brutalmente assassinada pelo próprio vizinho (Stanley Tucci, que não está tão bem quanto andam dizendo). Seus pais (Mark Wahlberg e Rachel Weisz) tentam, ao mesmo tempo, descobrir quem a matou e seguir adiante com suas vidas ao lado de seus outros dois filhos. Até a morte da garota, o filme até que vai bem, apesar da exagerada narração em <em>off </em>que explica todas as cenas como se não tivéssemos inteligência suficiente para entender a trama. Jackson começa a perder a mão quando precisa unir os dois mundos de <em>Um Olhar do Paraíso</em>.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">Pintando seu filme com muito amarelo, laranja e azul para ilustrar um carrossel de emoções &#8211; que vai desde a sensação de paz e tranquilidade tanto no Céu quanto no limbo de Susie Salmon, até o clima ora tenso, ora triste que domina sua família na Terra -, Peter Jackson tenta criar uma experiência única para o espectador. A maioria das cenas no &#8220;Paraíso&#8221;, como aquela dos barcos arrebentando na praia, possui uma beleza indescritível, que só pode existir em sonhos. Quem já viu a trilogia <em>O Senhor dos Anéis</em> e <em>King Kong</em> sabe que Peter Jackson capricha no visual de seus filmes como poucos. Está tudo lá, inclusive seu fetiche por olhos azuis. São nesses momentos que <em>Um Olhar do Paraíso</em> voa alto. Só não perdoo a trilha sonora brega.</p>
<p style="text-align: justify;">Só que a história exige um acompanhamento de perto das vidas que seguem: a família de Susie e seu assassino. E nessa parte, Peter Jackson não se empolga. Na verdade, ele parece odiar esses momentos. É como se o lirismo das cenas da protagonista, comandado pelo cineasta vencedor do Oscar, por <em>O Senhor dos Anéis &#8211; O Retorno do Rei</em>, desse lugar a uma subtrama rodada por qualquer diretor de novelas da Globo. Pior que Mark Wahlberg com cara de choro é aguentar a confusão no conflito entre os ritmos das duas partes. Enquanto uma tem a alma de seu visual colorido e brilhante; a outra transmite exatamente a escuridão que toma conta da criatividade de seu diretor. No mau sentido, claro. Enquanto uma tem falas e emoções contagiantes, a outra tem diálogos e atuações sofríveis, principalmente com o canastrão Mark Wahlberg, que precisa agradecer todos os dias a Martin Scorsese, seu diretor em <em>Os Infiltrados</em>, pelo mínimo de respeito que conquistou em sua carreira.</p>
<p style="text-align: justify;">Peter Jackson parece fazer dois filmes em um, mas o certo teria sido um equilíbrio. Quando se encontram, o resultado é estranho, arrastado e quase desastroso. Aquele filme com Susie Salmon é encantador, mas jamais se sustentaria sozinho. Já o filme com Mark Wahlberg e Stanley Tucci é confuso, pobre e digno de Framboesa de Ouro. Diga-me: O que é aquela parte em que a mal aproveitada Rachel Weisz vai parar na <em>The</em> <em>Cider House Rules</em>? Será que Peter Jackson esqueceu que algumas páginas do livro não precisam entrar no filme? Será que ele esqueceu que as duas linguagens são diferentes?</p>
<p style="text-align: justify;">Depois dessa, espero que Peter Jackson volte a fazer filmes de Peter Jackson. O cara nasceu para contar histórias de fantasia. Sei que muitos diretores querem fazer de tudo, mas prefiro Steven Spielberg fazendo filmes de Steven Spielberg. Por favor, chega desse papo hipócrita de &#8220;quero tentar algo com orçamento menor da próxima vez&#8221;. James Cameron deve fazer filmes de James Cameron. Como Woody Allen, que não se atreve a fazer algo grandioso como <em>Avatar</em> ou <em>Star Wars</em>. Quero Quentin Tarantino fazendo filmes de Quentin Tarantino. Como John Ford fazia filmes de John Ford. E Alfred Hitchcock fazia filmes de Alfred Hitchcock.</p>
<p><em><strong>Um Olhar do Paraíso</strong></em> (<em>The Lovely Bones</em>, 2009)<br />
<strong>Direção:</strong> Peter Jackson<br />
<strong>Roteiro:</strong> <span id="Conteudo1_lblRoteiro">Fran Walsh, Philippa Boyens e Peter Jackson (Baseado no livro de Alice Sebold)</span><br />
<strong>Elenco:</strong> <span id="Conteudo1_lblElenco">Saoirse Ronan, Mark Wahlberg, Stanley Tucci, Rachel Weisz, Susan Sarandon, Rose McIver, Reece Ritchie e Michael Imperioli</span></p>
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		<title>Julie &amp; Julia</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Dec 2009 22:16:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Otavio Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Posts]]></category>
		<category><![CDATA[amy adams]]></category>
		<category><![CDATA[meryl streep]]></category>
		<category><![CDATA[nora ephron]]></category>
		<category><![CDATA[stanley tucci]]></category>

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		<description><![CDATA[Ah, Meryl... Ainda bem que você existe...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.hollywoodiano.com-a.googlepages.com/duasestrelas.JPG" border="0" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1889" title="Julia" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2009/12/Julia1.jpg" alt="Julia" width="600" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;">Meryl Streep só pode ser a melhor atriz do mundo. Ela é capaz de carregar  nas costas filmes inteiros, que não são dignos de sua brilhante carreira. O mais incrível é que Meryl arrasa a concorrência ano após ano, mas nem por isso Hollywood se incomoda em colocá-la em um filmaço. Sei muito bem que ela não está nem aí, já que nos acostumamos a vê-la agarrando seus papéis com muita raça, amor e paixão. E a mesma coisa acontece em <strong><em>Julie &amp; Julia </em></strong>(<em>Julie &amp; Julia</em>, 2009). Pouco tempo após o fim da sessão, esquecemos o filme e ficamos com a imagem da Julia Child de Meryl Streep e sua voz irritante, que martelará para sempre na cabeça dos cinéfilos.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, eu disse &#8220;irritante&#8221;. E isso foi um elogio para Meryl. Se Julia Child revolucionou a cozinha das donas de casa americanas, mesmo com aquela voz de Barney Rubble de saias, Meryl não tem nada com isso. Ela simplesmente encarna a <em>chef</em> à perfeição, com uma ajudinha da produção que a deixou cerca de 20cm mais alta para viver a personagem. Meryl não conduz apenas a parte mais interessante do longa de Nora Ephron. Ela leva o filme inteiro, satisfazendo o paladar exigente de sua plateia, mesmo em um restaurante de segunda categoria.</p>
<p style="text-align: justify;">E <em>Julie &amp; Julia</em> não anda no ritmo de Meryl, porque sua diretora e roteirista Nora Ephron nunca mais conseguiu acertar a receita do sucesso de <em>Sintonia de Amor</em>. Sem querer tocar em feridas, acho que Nora é uma mulher das antigas, no pior sentido da expressão. Falo daquelas que se conformavam com o vazio de suas vidas. É claro que posso estar aqui falando uma tremenda besteira, mas talvez <em>Julie &amp; Julia</em> seja voltado para adoráveis vovós que obedeciam a seus maridos carrancudos, cheios de dinheiro e poder. Será que o filme é para este público?</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="Conteudo1_lblTexto"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1879" title="Julie" src="http://www.hollywoodiano.com/wp-content/uploads/2009/12/Julie.jpg" alt="Julie" width="540" height="356" /><br />
Ora, em 2002, Julie Powell (Amy Adams) estava insatisfeita com seu novo apartamento e o emprego sofrível. Enquanto o marido (Chris Messina) trabalhava sem reclamar, ela criou um blog para relatar suas experiências culinárias preparando as 524 receitas do livro <em>Mastering the Art of French Cooking</em>, em que Julia Child (Meryl Streep), no período do pós-Segunda Guerra, traduziu os segredos da refinada cozinha francesa para ajudar suas leitoras americanas. Naquela época, em que acabava de chegar a Paris, Julia aprendeu culinária para preencher suas eternas horas vagas, já que o marido (Stanley Tucci) se dedicava ao trabalho na embaixada americana em Paris. Enfim, as duas moças abraçam seus mundos vazios, mesmo em épocas e classes distintas. Ainda mais quando seus maridos não ajudam em nada e apenas se esbaldam com os melhores pratos feitos por suas esposas.</p>
<p style="text-align: justify;">Será que nada mudou até os dias de hoje? Ou será que Nora Ephron anda para trás? E olha que estamos falando de uma cineasta que já fez filmes sobre e-mails (<em>Mensagem Para Você</em>) e agora, de uma certa forma, sobre blogs.</p>
<p style="text-align: justify;">Não concordo com tal postura, afinal as mulheres ganham cada vez mais espaço neste mundo (ainda) de homens. O filme segue as duas histórias (baseadas nos livros de Julia Child e Julie Powell), mas compará-las com a parte moderna vivida pela personagem de Amy Adams, mostra que nada (ou quase nada) mudou. É como se o desafio de Julie Powell, compartilhado com os internautas, fosse a celebração de uma fama irreal, justificando o papel apagado da mulher na sociedade. É um pensamento bem retrógrado, não?</p>
<p style="text-align: justify;">Mas se você quer zerar o cérebro no cinema, para esquecer a dura realidade, e embarcar sem culpa na diversão <em>fake</em> de Nora Ephron, sem tentar enxergar pêlo em ovo como eu fiz, aposto que vai sair do cinema satisfeito. E você tem direito a isso. É tudo o que Hollywood quer: que o público vá ao cinema,  relaxe, não pense e apenas se divirta, enquanto os bolsos da indústria ficam ainda mais cheios de dinheiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Se é para seguir a linha de raciocínio do entretenimento, bem que Nora Ephron poderia caprichar um pouco mais em seu roteiro. E começa realmente bem, costurando as duas histórias separadas pelo tempo com equilíbrio, apoiando-se, claro, no talento de Meryl Streep e no carisma de Amy Adams. Mas como a saga de Julie Powell é enganosa, o vazio que tanto falei nesta crítica se torna visível na meia hora final do filme.</p>
<p style="text-align: justify;">É quando Julie percebe que talvez esteja vivendo uma ilusão e sua história periga chegar a lugar algum. Mas isso não é nada que Nora Ephron não possa consertar. É hora de ver todo aquele moralismo barato de Hollywood, em que a gracinha Amy Adams aprende que o importante é lutar, seguir em frente e blá, blá, blá&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Neste ponto, fica evidente que somente a história de Julia Child renderia um filme no mínimo mais interessante. Ainda assim, o esforço de Nora Ephron em contar os feitos de Julie e Julia é compreensível. Mas como cineasta, ela corta cebola à moda antiga, quando hoje temos máquinas incríveis capazes de fazer isso. Pelo menos, Meryl Streep vale o ingresso.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Julie &amp; Julia</strong></em> (<em>Julie &amp; Julia</em>, 2009)<br />
<strong>Direção:</strong> Nora Ephron<br />
<strong>Roteiro:</strong> Nora Ephron (Baseado nos livros <span id="main" style="visibility: visible;"><span id="search" style="visibility: visible;"><em>Julie &amp; Julia: 365 Days, 524 Recipes, 1 Tiny Apartment Kitchen</em>, </span></span>de Julie Powell, e <em><em>Mastering the Art of French Cooking</em></em>, de Julia Child)<br />
<strong>Elenco:</strong> <span id="Conteudo1_lblElenco">Meryl Streep, Amy Adams, Stanley Tucci, Chris Messina, Linda Emond, Helen Carey, Jane Lynch, Joan Juliet Buck e Crystal Noelle</span></p>
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